quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

TSE usa contra veneno de Bolsonaro soro antiofídico do serpentário militar



O Tribunal Superior Eleitoral decidiu combater as ameaças de Bolsonaro à democracia com as mesmas armas. O presidente tenta converter as Forças Armadas numa espécie de serpentário político a serviço das suas alucinações golpistas. E o TSE recorre aos militares para preparar o seu estoque de soro antiofídico. É nesse contexto que o general Fernando Azevedo e Silva foi convidado para ocupar o cargo de diretor-geral do TSE.

O general foi afastado por Bolsonaro do posto de ministro da Defesa no último mês de março justamente por discordar da crescente politização das Forças Armadas. Espera-se que sua presença no tribunal ajude a espantar o fantasma da instabilidade democrática. Não foi o primeiro aceno do TSE na direção dos militares. O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, incluiu o general Heber Garcia Portella, do Comando de Defesa Cibernética do Exército, no observatório de transparência das eleições. Antes, Barroso havia almoçado com o general Hamilton Mourão. Ouviu do vice-presidente que os arroubos de Bolsonaro não tem respaldo nos quarteis.

A escolha de Azevedo e Silva para a direção-geral do TSE foi articulada pelo ministro Alexandre de Moraes, que assumirá a presidência do TSE em agosto de 2022, comandando a Corte nas eleições de outubro. O general assumirá o novo cargo em fevereiro, junto com a passagem de bastão de Barroso para o ministro Edson Fachin, que presidirá o TSE por seis meses, até entregar a poltrona para Moraes.

A estratégia de usar contra Bolsonaro soro extraído do veneno do mesmo serpentário fardado é boa. Mas a preocupação com os militares e a acomodação de um general no organograma do TSE representa um rebaixamento institucional. Funciona como uma espécie de reconhecimento de que Bolsonaro conseguiu transformar a campanha de 2022 numa zona de guerra.

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