segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Programa Nacional de Imunizações brasileiro está abandonado há cinco meses



Que o governo federal abandonou os brasileiros à própria sorte durante a pandemia não é nenhuma novidade. Quando confrontado com o número vergonhoso de vítimas fatais da Covid-19, o presidente respondeu: “e daí?” Mesmo diante desse descaso, é chocante acompanhar o comportamento doloso que se observa nas mais altas esferas do poder público. Qualquer ser humano decente poderia supor que o ministério da Saúde priorizaria o Programa Nacional de Imunizações (PNI) nesse momento, responsável pelo controle das doenças no Brasil. É o contrário: o ministério da Saúde abandonou o órgão. Mais uma vez, o governo federal age contra os brasileiros.

Antes da Covid-19, o PNI costumava distribuir 300 milhões de doses de vacina anualmente, o que tornou o Brasil uma referência mundial no assunto. Pois o órgão está sem coordenação desde 7 de julho, quando a diretora Franciele Fontana deixou o cargo. O pediatra Ricardo Gurgel chegou a ser nomeado em 7 de outubro, mas seu posicionamento favorável às vacinas impediu sua posse. É preciso prestar atenção ao fundo do poço em que o Brasil chegou: um médico não pode assumir o Programa Nacional de Imunizações porque é favorável às vacinas. Haverá no mundo outro médico de verdade contrário às vacinas – o ministro Marcelo Queiroga já mostrou não ser sério há muito tempo.

Ser contra as vacinas parece ser a condição para assumir o tal cargo, e é provável que essa seja a razão que explique por que o PNI está sem chefe há mais de cinco meses. O Brasil vive uma pandemia que já matou 620 mil brasileiros e não tem sequer alguém para coordenar a área responsável pela vacinação. A situação é inacreditável. O descaso resvala em outras doenças cuja imunização é necessária. Segundo dados do próprio Ministério da Saúde (DataSUS), em 2015 o País tinha uma cobertura vacinal de 97%, atendendo doenças como tuberculose, poliomielite, rotavírus, pentavelente, pneumonia, meningite, tríplice viral D1, hepatite A e hepatite B. Em 2020, esse número caiu para 75%.

O sucesso das campanhas de vacinação contra a varíola nos anos 1960 mostrou que a imunização em massa poderia erradicar a doença – o último caso registrado no Brasil ocorreu em 1971. Em 1975 foi criado o PNI, com o objetivo de coordenar as ações de imunização e otimizar os recursos e logística. Hoje, 48 anos depois, o órgão não tem sequer um diretor – na emergência sanitária mais grave da história do País. O descaso com o PNI e a incompetência criminosa do ministro Marcelo Queiroga mostra apenas que a Saúde é mais uma área importante do Brasil que o governo de Jair Bolsonaro está conseguindo destruir.

Na IstoÉ

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