
Faltando três anos para a eleição presidencial, Jair Bolsonaro decidiu cuidar da própria sucessão como se o ano de 2022 estivesse na virada da esquina. O presidente cria uma atmosfera de pré-campanha. Em vez de se concentrar na construção de um governo que o credencie para um segundo mandato, Bolsonaro desperdiça sua hora com a desconstrução de potenciais adversários.
Difícil enxergar alguma serventia na precipitação de Bolsonaro. Por enquanto, o capitão conseguiu apenas colocar na rua os nomes de alguns dos seus rivais. Entre eles o que mais o preocupa: Luciano Huck. Em entrevista a uma revista feminina, Angélica disse o seguinte sobre a eventual candidatura presidencial do marido: "Não posso dizer que acho muito legal Luciano sair candidato, não seria verdade. Mas tem uma hora que você não está mais no controle. É uma espécie de chamado".
Bolsonaro não para de chamar. No final de semana, o presidente voltou a espinafrar o apresentador de TV num discurso transmitido via internet para um evento chamado "3º Simpósio Nacional Conservador". O capitão afirmou que o povo não votará em "pau mandado da Globo". Há coisa de dois anos, dizia-se coisa parecida de Bolsonaro. O povo não votaria num candidato que vinha do baixo clero e não dispunha de estrutura partidária. Deu no que está dando.
A Presidência de Bolsonaro é o resultado de dois fenômenos: o antipetismo e a falência das forças políticas de centro. Em 2022, se tiver resultados econômicos a exibir, Bolsonaro será um candidato competitivo. Do contrário, ele pode bater com a cabeça no teto de sua impopularidade. E o pedaço do eleitorado que tem ojeriza a Lula e ao PT pode buscar fora da política uma novidade genuína. Ao antecipar a campanha, Bolsonaro potencializa a conversão da celebridade da telinha em alternativa eleitoral sem que Huck precise deixar seu palanque eletrônico. Bolsonaro anda tão ocupado em fazer campanha que já não encontra tempo para exercitar a inteligência.
Nenhum comentário:
Postar um comentário