O Globo
Após 244 anos de história e 7 milhões de edições vendidas, a Enciclopédia
Britânica anunciou nesta terça-feira que não será mais impressa. A enciclopédia
mais importante do mundo, portanto, estará disponível apenas na versão
on-line.
A notícia deve ter incomodado os nostálgicos, mas a própria companhia que
edita a publicação vê o processo como natural.
Na década passada, a empresa que edita a publicação se aprofundou no mercado
de produtos e soluções para o setor de educação, negócios que respondem hoje por
quase 85% de suas receitas.
A enciclopédia gera apenas 15% do dinheiro, sendo que a maior parte dessa
fatia vem da venda de assinaturas on-line e de aplicativos para celulares e
tablets.
- A transição não foi assim tão difícil. Todos entendiam que precisávamos
mudar. Ao contrário do que acontece com os jornais, nós tivemos muito tempo para
refletir sobre isso pois sentimos o impacto do digital há muitos anos - disse ao
site do jornal "The Guardian" Jorge Cauz, presidente da Encyclopedia Britannica,
que edita a publicação. - Até onde eu sei, nós somos a única companhia que fez a
transição da mídia tradicional para a esfera digital e conseguiu se manter
lucrativa e ainda crescer.
A lucratividade da versão impressa da Enciclopédia Britânica foi solapada
pela profusão de informação na Web, e a Wikipédia é o símbolo máximo dessa nova
era. Gratuita e com 3,9 milhões de verbetes disponíveis em várias línguas ao
alcance de um clique no Google, a enciclopédia colaborativa de Jimmy Wales
tornou obsoleta aos olhos de grande parte dos leitores aquela cara e pesada
coleção de dezenas de livros que abrangia não mais de 120 mil verbetes.
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