Palco de uma batalha campal no fim de janeiro entre moradores sem-teto e a polícia militar do governo de São Paulo, o terreno do Pinheirinho tem dono. Trata-se do empresário de origem libanesa Naji Nahas, que é um dos maiores investidores imobiliários do País. Oficialmente, o terreno pertence à massa falida da empresa Selecta, que pertenceu a Nahas nos anos 80. Mas como a Selecta praticamente não tem mais dívidas e a falência será levantada, o terreno avaliado em R$ 180 milhões voltará às mãos do investidor.
Neste domingo, ele concedeu a primeira entrevista desde o início da polêmica em torno da desapropriação do terreno. Falou a três jornalistas da Folha de S. Paulo: Julianna Granjeia, Laura Capriglione e Marlene Bergamo. E não teve meias palavras ao se referir ao seu direito de propriedade. “Eu faço o que quiser do terreno. É problema meu. É engraçado me censurarem por eu ser o único beneficiário dessa reintegração de posse. Sou, sim, mas sou o dono. Paguei pelo terreno e fiquei oito anos sem poder usá-lo.”
O investidor, pretende lotear um grande empreendimento imobiliário na região. O bairro, segundo ele, se chamaria “Esperança”. Perguntado sobre o porquê do nome, ele respondeu: “Esperança de o governo resolver o problema desses coitados”. Segundo Nahas, não é ele o responsável por resolver problemas habitacionais do País. Este novo bairro já nasceria avaliado em R$ 500 milhões.
Bem relacionado no mundo inteiro, especialmente nos países árabes, Nahas é uma figura do jet-set internacional. Diz que adoraria dar casas para todos os necessitados, mas afirma que esta é uma questão de governo. “O problema não é Naji versus sem-teto. O problema da moradia no Brasil é do governo, não meu.”
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