domingo, 10 de julho de 2011

Sem ajuda, moradores da Região Serrana do Rio sofrem com o abandono do poder público



No passado, conta a Bíblia, o sangue do cordeiro na porta das casas livraria as famílias hebreias de serem tocadas pelo anjo da morte. Era a última praga de Deus sobre o Egito com a destruição dos primogênitos. Em pleno século XXI, um número escrito em vermelho na parede do que sobrou da casa da faxineira Maria Aparecida da Silva de Oliveira, de 45 anos, na localidade de Vieira, em Teresópolis, ao contrário da passagem bíblica, agora indica uma condenação. Desde as chuvas do último 12 de janeiro, que levaram dois quartos e dois banheiros do imóvel, a residência da faxineira, entre outras na vizinhança - também marcadas com números em vermelho - estão interditadas pela Defesa Civil.


Apesar do sinal da condenação pelo poder público, a ajuda, segundo Maria, só chegou de amigos e vizinhos.


- Vou sair daqui para onde? Ganhei uma cama de casal e coloco meus cinco filhos para dormir nela. Eu deito num colchão, no chão - contou Maria Aparecida, acrescentando. - O único dinheiro que recebo é o Bolsa Família, R$ 166.


De acordo com Maria, no dia da chuva, ela e os cinco filhos entre 17 e 6 anos conseguiram se salvar saindo por um basculante. Atualmente, para chegar até a casa, foi improvisada uma ponte com pedaços de madeira. Ela lembra que, depois da tragédia, a família ficou abrigada numa escola por 45 dias.


O ajudante de motorista de caminhão Josias Pereira de Simões, de 34 anos, que teve a casa, em Teresópolis, soterrada por uma avalanche de areia, também não ganha aluguel social do governo. Ele ficou apenas com a roupa do corpo.

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