quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

São Paulo e Amazonas receberão 530 refugiados venezuelanos


Venezuelanos atravessam fronteira e entram no Brasil pelo município de Pacaraima, em Roraima

O governo federal vai distribuir, dentro de duas semanas, 530 refugiados venezuelanos que estão atualmente abrigados em Roraima para outros dois estados: São Paulo e Amazonas. A capital paulista vai receber 350 imigrantes, enquanto outros 180 serão encaminhados para Manaus.

O deslocamento não vai ocorrer imediatamente porque os venezuelanos estão sendo vacinados contra sarampo e difteria, e o prazo para que a imunização faça efeito é de duas semanas.

A medida foi anunciada nesta quarta-feira após a primeira reunião do comitê de assistência emergencial criado pelo presidente Michel Temer para tratar da crise humanitária envolvendo os venezuelanos refugiados. A prefeitura de Boa Vista estima que cerca de 40 mil venezuelanos tenham entrado na cidade ao fugir da crise econômica e política no país vizinho. O número corresponde a mais de 10% da população local, de cerca de 330 mil habitantes.

O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que, em um primeiro momento, o governo investirá 70 milhões de reais no apoio aos venezuelanos. Esse dinheiro está sendo enviado para Roraima em forma de medicamentos e alimentação.

Outros estados

De acordo com a subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Natalia Marcassa de Souza, o comitê está trabalhando com a possibilidade de deslocar os venezuelanos para outros estados além de São Paulo e Amazonas. “Estamos trabalhando com vários estados. Tentamos fazer de uma maneira assertiva. A gente combina onde já tem uma assistência inicial, de abrigo; e depois onde já tem vaga de trabalho para aquela pessoa. Então, demora um pouco para fazer isso.”

Para os que continuam dormindo nas praças de Pacaraima, fronteira com a Venezuela, e Boa Vista, capital de Roraima, o governo anunciou a construção de centros de apoio e triagem. Cada um terá a capacidade de receber 1,5 mil pessoas.

Perfis

Segundo Padilha, existem três perfis diferentes dentre aqueles vindos da Venezuela. O primeiro é daqueles que querem receber alimentos e benefícios, como Bolsa-Família – e o governo brasileiro incluirá essas pessoas no benefício – e fazer tratamento de saúde para voltar depois à Venezuela, cruzando a fronteira “duas, três vezes no mês”. Outro perfil é de pessoas, em sua maioria população indígena, que querem morar na região de fronteira, em Roraima. Ou seja, querem morar no Brasil, mas não querem se “interiorizar”.

Já o terceiro perfil é composto de imigrantes que querem morar e trabalhar no Brasil. “Nós temos, entre solteiros e que vieram para trabalhar, em torno de 40% da população”, disse o ministro.

(Com Agência Brasil)

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Juiz que dirigiu Porsche de Eike é condenado a 52 anos de prisão


O juiz Flavio Roberto de Souza
O juiz Flavio Roberto de Souza (GloboNews/Reprodução)

Três anos após ser flagrado dirigindo o Porsche que pertencia ao empresário Eike Batista e havia sido apreendido pela Justiça, o juiz federal Flávio Roberto de Souza foi condenado a 52 anos e dois meses de prisão por peculato e lavagem de dinheiro, em dois processos que tramitaram na Justiça Federal no Rio de Janeiro e não estão relacionados ao caso Eike.

As decisões foram emitidas na sexta-feira e na segunda-feira pelo juiz Gustavo Pontes Mazzocchi, da 2ª Vara Federal Criminal da capital fluminense. Além da prisão, a sentença determina a perda do cargo de magistrado e o pagamento de multa de 599 mil reais.

Segundo Mazzocchi, enquanto era juiz da 3ª Vara Federal Criminal o réu desviou 106 mil reais obtidos com a venda do carro do traficante espanhol Oliver Ortiz, preso em uma operação da Polícia Federal. Por essa conduta, Souza foi condenado por peculato.

O outro processo tratou do desvio de 290,5 mil reais de uma conta da Justiça Federal por Souza para a compra de um Land Rover Discovery. O Ministério Público Federal (MPF) acusou ainda o então titular da 3ª Vara Federal Criminal de se apropriar de 105,6 mil dólares e 108,1 mil euros, convertidos em reais e usados para a aquisição de um apartamento na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio). Para tentar esconder a manobra, segundo o MPF, Souza criou decisões falsas e destruiu provas e partes do processo. Ele foi condenado por lavagem de dinheiro.

“Consequências gravíssimas, não apenas pelo desaparecimento de autos processuais – que acabaram por ser parcialmente restaurados –, mas pela desmoralização absoluta do Poder Judiciário como um todo e, especialmente, da Justiça Federal e da magistratura, decorrência dos atos criminosos perpetrados por aquele que deveria aplicar a lei. Poucas vezes se teve notícia de agente da magistratura que tenha conseguido achincalhar e ridicularizar de forma tão grave um dos poderes do Estado”, afirmou o juiz em sua sentença condenatória.

Até a noite desta terça-feira, a defesa de Souza não tinha se manifestado.

Na Veja

Disciplinado e experiente, Braga Netto ganha ‘maior abacaxi da carreira’


O general Walter Souza Braga Netto, que foi nomeado por Michel Temer para ser interventor da segurança pública no Rio

Com fama de cumpridor de missões e disciplinado, o general Walter Souza Braga Netto ganhou na noite de quinta-feira (15) o que um conhecido seu qualificou de o maior abacaxi da sua carreira: o cargo de interventor federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

Braga Netto estava de férias quando recebeu a notícia. No dia seguinte, estava ao lado de seus superiores civis em Brasília no anúncio do decreto da intervenção.

O mesmo amigo aponta que ele parecia desconfortável pela rapidez com que os fatos se sucederam, e as declarações curtas que deu explicitando que iria trabalhar num plano operacional a partir de agora reforçaram essa impressão. Disse que há muita mídia na avaliação da gravidade da situação.

Não que Braga Netto esteja despreparado ou não tenha ideia do que pode ser feito: ele é visto no Exército como um dos maiores conhecedores da realidade operacional fluminense. O Ministério da Defesa acumulou planilhas e mapas alimentados com dados estatísticos da criminalidade no Rio de Janeiro.

Mas o general Braga Netto também já disse ver com reservas o emprego de militares em operações urbanas, um sentimento muito comum entre oficiais superiores.

Isso ocorreu durante uma palestra em 28 de agosto de 2017 no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio. Na apresentação, apontou os itens que o preocupavam na GLOs (Operações de Garantia da Lei e da Ordem): insegurança jurídica e danos psicológicos à tropa.

Mas fez uma defesa dos resultados da ações, que considera inevitáveis dado o quadro de degradação da segurança nos Estados.

Comandante militar do Leste, ele desenvolveu boa parte de sua carreira no Rio, notadamente nas antigas unidades blindadas que acabaram redistribuídas para o Rio Grande Sul. Mineiro de Belo Horizonte, ele entrou na Academia das Agulhas Negras em 1975, somando assim 43 anos de serviço militar.


Após um giro por adidâncias militares na Polônia (2005-6) e nos Estados Unidos (2012), o general retornou à capital fluminense para ser diretor da Divisão de Educação Superior Militar em 2013.

Doutor em política e estratégia, ele voltou a campo em agosto daquele ano, quando foi designado para supervisionar os trabalhos de segurança durante a Olimpíada do Rio. A experiência no exterior, acrescida de um período como observador militar das Nações Unidas no Timor Leste, facilitou o contato com forças estrangeiras.

Segundo um ex-integrante do então governo de plantão, o de Sérgio Cabral (MDB), o general sempre foi flexível no trato com autoridades civis, tornando boa a interlocução durante os jogos em 2016.

Foi feito comandante militar do Leste, responsável por quase 30 mil soldados no Rio e outros 20 mil em Minas e Espírito Santo, dias antes da abertura do evento esportivo.

General de Exército, quatro estrelas, está no topo da carreira ativa. Comandou diversas operações no Rio. Algumas polêmicas pelo impacto na população civil, como a realizada na Rocinha no fim do ano passado.

Braga Netto, que completa 61 anos no próximo dia 11, viu a violência que combate de perto na família. Um irmão seu, o tenente da Marinha Ricardo, foi morto em um assalto perto da ponte Rio-Niterói em 1984, conforme revelado pelo site G1 na segunda (19).

Segundo um conhecido seu, é difícil avaliar o peso do episódio na disposição tática do general, já que ele é considerado extremamente reservado fora da família é casado e tem dois filhos.

A experiência como chefe do setor de inteligência do Comando Militar do Leste também reforça a imagem, e, segundo esse mesmo amigo, deverá balizar o plano para descascar o proverbial abacaxi que lhe foi confiado pelo governo de Michel Temer (MDB).

RAIO-X

Nascimento

Belo Horizonte, 1957

Formação

No Exército desde 1975, foi nomeado general em 2009

Principais cargos

Adido militar na Polônia e nos EUA, supervisor de segurança da Olimpíada-2016, comandante da 1ª Região Militar e comandante militar do Leste desde 2016.

Na Folha

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

CÂMARA APROVA COM FOLGA DECRETO DE INTERVENÇÃO NO RIO: 340 X 72 VOTOS



A Câmara dos Deputados aprovou na madrugada desta terça-feira (20) o decreto presidencial de intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, por 340x72 votos e segue para o Senado, que deve votar a medida ainda nesta terça-feira (20). A sessão durou mais de sete horas.

A análise do decreto, em regime de urgência não passou por comissões da Câmara. Os deputados não puderam propor emendas, modificando o que o presidente Michel Temer determinou no documento. No plenário, a relatora Laura Carneiro (PMDB-RJ) defendeu que o governo apresente um projeto complementar para destinar recursos federais às operações no Rio.

“Ao se referir aos recursos federais, o decreto trouxe um termo absolutamente genérico”, disse. “É evidente que sem o aporte significativo de recursos federais a intervenção federal não conseguirá atingir minimamente os seus objetivos”, disse.

O decreto estabelece que a medida vai durar até 31 de dezembro deste ano. Nesse período, o general do Exército Walter Souza Braga Netto, do Comando Militar do Leste, será o interventor no estado e terá o comando da Secretaria de Segurança, Polícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e do sistema carcerário no estado do Rio.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Governo vai pedir mandados de busca e apreensão coletivos no RJ


O ministro da Defesa, Raul Jungmann em Brasília (DF) - 17/05/2017

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, afirmou nesta segunda-feira, em coletiva de imprensa no Palácio da Alvorada, que vai pedir à Justiça Estadual do Rio de Janeiro que a intervenção federal na segurança pública fluminense tenha à disposição, como possível medida extra às operações, um “mandado coletivo de busca, apreensão e captura”. Segundo o ministro, a sugestão partiu do comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas.

As declarações foram dadas após a reunião do presidente Michel Temer (MDB) com os conselhos da República e de Defesa Nacional, que aprovaram a intervenção no Rio.

“Em lugar de você dizer rua tal, número tal, você vai dizer, digamos, uma rua inteira, uma área ou um bairro. Naquele lugar inteiro é possível que tenha um mandado de busca e apreensão. Em lugar de uma casa, pode ser uma comunidade, um bairro ou uma rua”, explicou Jungmann. Ele disse que o mandado coletivo já foi empregado anteriormente no Rio de Janeiro. “Obviamente, nós estamos peticionando que volte a ser utilizado em alguns lugares”, declarou.

Pessoalmente favorável à medida, o ministro da Defesa argumentou, no entanto, que “não há carta branca”, porque militares não estarão exercendo papel de polícia. Ele ainda afirmou que, caso o interventor, o general Walter Braga Netto, entenda que há necessidade da utilização das Forças Armadas, isso passará pelo crivo do Ministério da Defesa e das instituições militares.

Raul Jungmann declarou ainda que será necessário tempo para diagnosticar e colocar em prática as ações no Rio. Ele salientou, contudo, que legalmente e juridicamente a intervenção já está em vigor.

Na saída da reunião dos conselhos no Alvorada, Jungmann rebateu as críticas dos líderes da minoria, o senador Humberto Costa e o deputado José Guimarães, ambos do PT, que se abstiveram na votação sobre a intervenção e criticaram o governo por supostamente não expor dados concretos que mostrassem a real necessidade da medida.

O ministro disse que o governo expôs a situação dos Correios no Rio, que muitas vezes precisa de escolta armada para fazer entregas, e das igrejas e templos que são obrigados a realizar missas e cultos à tarde, “pois à noite o risco é alto”. “Mais de 800 comunidades vivem num regime de exceção” afirmou Jungmann, destacando que são cariocas “sob a tirania do crime organizado”.

Raul Jungmann também justificou a escolha de um militar para ser o interventor (que hoje é administrativamente o responsável pela segurança no Rio) lembrando que, inicialmente, era considerada uma intervenção mais ampla, incluindo as finanças do estado. “Se tivéssemos essa atitude, provavelmente isso recairia sobre um civil. Na medida em que ela [a intervenção] ficou exclusivamente para a segurança, em que você já tem uma grande coordenação e participação com polícias e segurança, ela recaiu sobre um militar”, declarou.

Na Veja

INTERVENÇÃO NASCEU COM DENÚNCIA DE TORQUATO CONTRA PM DO RIO



A intervenção decretada pelo presidente Michel Temer começou a ser pensada quando o ministro Torquato Jardim (Justiça) fez uma grave revelação, no fim de outubro: o comando da Polícia Militar do Rio de Janeiro era produto de negociação de deputados estaduais suspeitos com o crime organizado. Houve protestos do governo Pezão e de oficiais da PM, mas o ministro estava bem informado, sabia o que dizia. 

O interventor, general Braga Netto, tem autonomia para nomear quem considerar mais adequado para o comando da PM do Rio.

Temer resistia à intervenção, mas a opção era lembrada no Planalto sempre que a criminalidade mostrava suas garras no Rio de Janeiro.

Temer afastou sugestões para decretar Estado de Defesa e até Estado de Sítio. Essas opções só serão avaliadas se a intervenção fracassar.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

INTERVENÇÃO PODE SER INÓCUA SEM ATOS DE GUERRA



A intervenção na segurança pública pode não produzir os efeitos esperados a menos que o general Braga Netto, o interventor, entenda que as forças militares estarão em guerra e atue como preconiza o general Augusto Heleno, primeiro comandante das forças da ONU no Haiti, para quem seu primeiro ato deveria ser avisar que as pessoas armadas, como traficantes que se exibem com fuzis e metralhadoras, serão consideradas inimigas da sociedade e poderão ser alvejadas.

O modelo de intervenção federal adotado no Rio só faz sentido, dizem os especialistas, se for um primeiro passo para o Estado de Defesa.

O decreto de intervenção não passa de “GLO reforçada”, como a que vigorou até dezembro. É a sigla de Garantia da Lei e da Ordem.

O general Heleno pede segurança jurídica, para que os militares não sejam alvo de processos, por cumprirem a missão de vencer o inimigo.

É essencial, diz Augusto Heleno, garantir ao interventor meios aéreos, como helicópteros armados, e forças especiais de elite disponíveis.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

CHEIRAR MENOS AJUDARIA A COMBATER CRIMINOSOS CARIOCAS



Muitos dos que se queixam do banditismo no Rio de Janeiro ajudaram a financiá-lo usando cocaína. A intervenção federal ocorre no momento em que os chefes do tráfico estão capitalizados, com o faturamento recorde no carnaval, com seus 6,5 milhões de foliões. Certa vez, em 2002, um delegado, Zaqueu Teixeira, que chefiava a Polícia Civil do Rio, colocou o dedo na ferida: “As pessoas têm que cheirar menos.” De lá para cá, tudo piorou muito nessa área, na linda capital fluminense.

No desabafo, que continua atual, o delegado advertiu que “se quer diminuir a violência nas ruas, as pessoas têm que cheirar menos.”

O delegado carioca deu nomes aos bois: “O Elias Maluco matou Tim Lopes, mas quem financiou essa morte foram os usuários das drogas”.

O crime avançou no Rio, mostrando a opção dos cariocas, e o bom policial Zaqueu Teixeira descuidou da própria biografia: virou deputado.

O fortalecimento do tráfico dá força a quem defende a legalização das drogas: deixando de ser um negócio, o traficante desapareceria.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Governo federal decide fazer intervenção na segurança do Rio



O presidente Michel Temer decidiu no início da madrugada desta sexta-feira decretar intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro. O Exército passará a ter responsabilidade sobre as polícias, os bombeiros e a área de inteligência do Estado, inclusive com poder de prisão de seus membros. O interventor será o general Walter Braga Neto.

Na prática, o oficial vai substituir o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (MDB), na área de segurança. A decisão do governo federal contou com o aval de Pezão.

Pela Constituição, cabe ao presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB-CE), convocar sessão para que as duas Casas Legislativas aprovem ou rejeitem a intervenção em dez dias. O decreto, que será publicado ainda nesta sexta-feira, tem validade imediata.

Enquanto a intervenção vigorar, não pode haver alteração na Constituição. Ou seja, nenhuma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) pode ser aprovada. É o caso da reforma da Previdência, que começa a ser discutida na segunda-feira pela Câmara. Discute-se a ideia de que a intervenção tenha os efeitos suspensos por um dia para que a votação ocorra.

A decisão pela intervenção foi tomada em uma reunião tensa no Palácio da Alvorada, com a presença de ministros e parlamentares. No mesmo encontro, Temer bateu o martelo sobre a decisão de criar o Ministério da Segurança Pública. A proposta partiu do presidente do Senado. Não se trata de uma ideia nova, mas ela foi desengavetada agora pelo Palácio do Planalto na tentativa de emplacar uma agenda popular, a sete meses e meio das eleições.

Pesquisas encomendadas pelo Planalto mostram que a segurança é uma das principais preocupações da população, ao lado da saúde. Na avaliação de auxiliares de Temer, as iniciativas de decretar a intervenção na segurança pública do Rio e de criar um ministério para cuidar da área passam a imagem de que o governo federal não está inerte e age para enfrentar o problema, embora a competência no setor seja dos estados.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), precisou ser convencido da decisão pela intervenção. O deputado se queixou de que não foi convidado a participar de reuniões sobre a crise na segurança desde o início da crise e demonstrou irritação com o ministro da Justiça, Torquato Jardim.

Inicialmente contra a intervenção no Rio, o deputado foi avisado de que seria responsabilizado publicamente pela crise na segurança do Estado, e acabou cedendo. Durante o encontro, a situação vivida no Rio foi comparada a uma “guerra civil”.

A intervenção é prevista no artigo 34 da Constituição, segundo o qual “a União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para manter a integridade nacional”. O artigo 60, parágrafo primeiro, diz que “a Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio”.

Na Veja

Propina financiava até IPVA e conta de luz de Gleisi, diz delator


Prontuário - A senadora, prestes a ser julgada: o dinheiro da corrupção pagava até conserto de liquidificador

Em depoimento inédito colhido pela Procuradoria-Geral da República, o advogado Marcelo Maran detalhou como dinheiro desviado dos cofres públicos financiou, além das campanhas eleitorais de Gleisi Hoffmann, o conforto da senadora e de sua família.

Segundo Maran, despesas comezinhas da atual presidente do PT e do marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, eram bancadas por uma conta-propina abastecida, na ponta, pelo dinheiro do contribuinte. Os gastos incluíam gasolina, taxas de IPVA, conta de luz, condomínio, conserto de liquidificador, brinquedos para seus filhos e pequenos luxos, como motorista particular – informações que ela nega.

Na revista Veja desta semana.

Huck desiste; percebe que salvadores da pátria andam sobre nuvens, mas sem avião subsidiado



Vamos falar de um assunto chato: a suposta candidatura de Luciano Huck, a Inês de Castro da TV Globo: aquele que foi sem nunca ter sido. Bem, agora parece que é pra valer. Ele não vai mesmo ser candidato. Segundo Mônica Bergamo, na Folha, um amigo seu revelou que ele está de tal ordem frustrado que teria dito: “Vou ali chorar um pouquinho e já volto”. Tal amigo teria afirmando ainda: “O corpo todo se preparava e se movia para a chegada dessa nova vida. E ela teve de ser interrompida. É frustrante”.

É mesmo? De saída, noto duas coisas:
1: o amigo admite que o apresentador mentiu, coisa muito frequente em política, quando afirmou, em artigo publicado na Folha em novembro do ano passado, que não seria candidato. Era só um truque recomendado por algum marqueteiro: “Melhor submergir por enquanto para não ser alvo;
2: não faz o menor sentido afirmar que ele só desistiu por pressão da Rede Globo, uma vez que a emissora teria ameaçado — ou qualquer verbo equivalente — tirar do ar o seu programa e também o de sua mulher, Angélica.

Tenho pouco a acrescentar à primeira questão. A mentira certamente não é o melhor caminho para quem pretende falar em nome da “nova política”. Mente-se desde o paraíso edênico. Quem se apresenta em nome da novidade não pode ser flagrado no mais vulgar de todos vícios. Já a conversa mole sobre a pressão da Globo pede que eu me alongue.

Sabem por que se trata de um despropósito? Ora, não constitui novidade o fato de que, se candidato fosse, Luciano perderia o programa. E seria forçoso que o mesmo acontecesse com sua mulher. Ou qual a alternativa? Ele ser candidato, mas se mantendo no ar? Sim, o apresentador decidiu entrar na barca perigosa sem pedir autorização à emissora que o emprega. Quando, no entanto, na condição de pré-candidato — só admitida depois da desistência —, foi fazer proselitismo político no “Domingão do Faustão”, não foi certamente sem a anuência da chamada alta cúpula que a peça publicitária foi ao ar.

Esse papo de que a pressão da Globo pesou em sua decisão vale uma nota de R$ 3. Até porque não poderia ser diferente. O que definiu a desistência foi outra coisa.

Huck conheceu só um pouquinho do inferno que é ser político hoje em dia, especialmente se tem alguma projeção. A notícia da compra de um avião com empréstimo do BNDES com juros subsidiados foi só um aperitivo do que viria. Como já deixei claro, nesse caso, ele não fez nada fora da lei. É apenas um dos ricos com direito a “Bolsa Avião”, um dos programas do PT cuja paternidade o partido rejeita. O banco permite que se manipule escandalosamente um programa cujo intento é subsidiar empréstimos para que o ente privado invista em tecnologia e bens de capital. Em vez disso, Huck e outros preferiram comprar um avião para o próprio conforto. A pobrada paga o pato.

E mais viria por aí, como o encruamento da ocupação, que foi considerada irregular, de uma área em Angra dos Reis, onde tem uma casa. Sua família seria arrastada para a campanha. E o apresentador e família corriam o sério risco de sair da campanha sem a Presidência e com uma biografia menor do que na entrada. Se malsucedido no pleito, a volta à Globo certamente seria problemática, quem sabe impossível, uma vez que se estaria empregando aquele que, afinal, teria se tornado um político.

Leio que Huck está frustrado porque estava convicto de que conseguiria se eleger, de que faria uma maioria congressual, o que facilitaria a aprovação de suas propostas — não sabemos quais porque, até agora, ele não as anunciou. Notem, diga-se, a heterodoxia: o homem era pré-candidato sem dizer o que pretendia e sem ter ao menos um partido. A possível barriga de aluguel era o PPS, que cumpre um papel ridículo nessa história toda.

E um pesado arsenal estava, sim, sendo mobilizado contra Huck, parte considerável dele traduzido em mísseis disparados contra a sua vida pessoal. Não! Não é algo que deva nos encher de orgulho, mas cabe a pergunta: é diferente com os outros políticos? A própria imprensa digna desse nome não submete os demais políticos — e Huck passaria a ser um — a esse mesmo escrutínio?

Queixo de vidro. Só por isso ele está caindo fora. Evidenciou que não é resiliente o bastante para a política. E é fácil saber por que assim é: notem que o apresentador não chegava como mais um a disputar as preferências, o imaginário e as esperanças das pessoas. Nada disso! A postulação vinha nas asas do salvador da pátria. Gente que se apresenta para esse papel não suporta o teste de realidade. Afinal, demiurgos não têm aviões subsidiados nem casa que ocupava área irregular num verdadeiro paraíso. Também não vai a festas. Não tem amigos ou sócios polêmicos. Salvadores da pátria andam sobre as nuvens. Não vale voar nas asas do BNDES.

É compreensível que alguém com a sua origem e o seu perfil acredite que possa resolver tudo num estalar de dedos. Olhem a dificuldade de um político experimentado como Michel Temer para aprovar a reforma da Previdência. “Ah, Reinaldo, é que os políticos ficam pedindo coisas a toda hora…” Talvez Huck alimentasse a ilusão de que, com ele, seria diferente.

Bem, não seria.

Fez bem em desistir. A sua simples postulação, oferecida como solução para a crise política em curso, já cobria o país de ridículo.

Por Reinaldo Azevedo

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Governo bloqueia prêmio da Nota Paulista por suspeita de fraude


Nota Fiscal Paulista dá créditos para o consumidor

O governo de São Paulo bloqueou o pagamento do prêmio de 1 milhão de reais da Nota Fiscal Paulista de fevereiro por suspeita de irregularidade. O prêmio saiu para um consumidor de São Paulo.

Entre os motivos que levantaram suspeita de fraude é que quase todas as compras em que o consumidor registrou o CPF foram feitas em uma mesma rede supermercados e realizadas em sequência. Para participar do sorteio é necessário indicar o CPF na hora de efetuar o pagamento.

A Secretaria da Fazenda de São Paulo informou que foi instalada uma auditoria e o consumidor só terá o prêmio liberado após a conclusão das investigações. Esta é a segunda vez que o pagamento do prêmio principal é bloqueado por suspeita de fraude – a primeira foi em 2017. O sorteado fez muitas compras na mesma loja de construção especializada em madeira.

Os demais ganhadores do sorteio de fevereiro da Nota Fiscal Paulista não foram prejudicados. Os prêmios de R$ 500 mil saíram para moradores de Cotia, Santana do Parnaíba, Itatiba e Poloni.

Para concorrer, o consumidor que pede a Nota Fiscal Paulista deve se cadastrar no site do programa e aderir ao regulamento. As adesões até o dia 25 de cada mês permitem a participação já no mês seguinte. Cada 100 reais em compras dá direito a um bilhete eletrônico para disputar aos prêmios.

O resultado está disponível no site http://www.nfp.fazenda.sp.gov.br. Para verificar, basta acessar o sistema com o CPF e senha cadastrada e clicar na aba Sorteios > Visualizar Sorteios >Sorteio nº 111.

Veja.com

A extensa ficha policial do patrono da Beija-Flor


Anísio Abraão David ao lado do Neguinho da Beija-Flor
Anísio Abraão David ao lado do Neguinho da Beija-Flor

Confirmado o 14º título da Beija-Flor no Carnaval carioca, coroação de um enredo contra a corrupção e repleto de críticas sociais, o eterno intérprete dos sambas da agremiação de Nilópolis, Neguinho da Beija-Flor, não se conteve e exclamou: “Anízio, eu te amo!”.

Diante de câmeras, em rede nacional, a manifestação de amor do sambista se endereçou a Aniz Abrahão David, o Anízio da Beija-Flor, que, aos 80 anos, acumula o título de presidente de honra da escola de samba ao de um dos capos do jogo do bicho no Rio de Janeiro, com uma ficha corrida à altura de suas atividades no submundo carioca.

Anízio foi preso ao menos seis vezes, duas delas em 2007, quando foi deflagrada a Operação Hurricane (furacão, em português), que mirou a cúpula da contravenção do Rio e membros do Judiciário que recebiam propina do grupo. Dois processos abertos a partir da operação impuseram a ele penas de 48 anos e 25 anos de prisão na primeira instância da Justiça Federal. Ele recorre em liberdade.

Já em 2011, policiais desceram cinematograficamente de um helicóptero, armados e pendurados em equipamentos de rapel, até a cobertura do contraventor, de frente para o mar de Copacabana. Ele não estava lá no momento e foi detido um mês depois. Com problemas de saúde, cumpriu prisão domiciliar por dois meses. O mais recente encontro de Anízio com a PF se deu em outubro de 2017, quando foi alvo de mandados de busca e apreensão e teve cinco carros de luxo apreendidos.

Presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio (Liesa) entre 1985 e 1987 e do Conselho da entidade entre 2001 e 2015, Anízio é figura central no poder em Nilópolis. O atual prefeito da cidade, Farid Abrão (PTB), 73 anos, é um dos nove irmãos de Anízio da Beija-Flor. Farid já havia sido prefeito entre 2001 e 2008 e, antes dele, outros dois irmãos de Anízio, Miguel e Jorge, foram prefeitos da cidade. Os primos dele Simão Sessim e Sérgio Sessim, pai e filho, também foram mandatários do município da Baixada Fluminense.

Apesar dos problemas judiciais, Anízio da Beija-Flor não deixa de circular entre a alta roda carioca. Em junho do ano passado, promoveu uma festa para 400 convidados no Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo, incluindo entre os convivas a cantora Alcione e os atores Cláudia Raia e Edson Celulari. Em 2011, quando a Beija-Flor foi campeã do Carnaval do Rio com um enredo sobre o cantor Roberto Carlos, o Rei da Jovem Guarda foi até a quadra da escola de samba e se deixou fotografar abraçado ao bicheiro.

Veja

PERU DIZ QUE VENEZUELA 'NÃO SERÁ BEM-VINDA' NA CÚPULA DAS AMÉRICAS



A presença do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na 8.ª Cúpula das Américas, que será realizada em Lima nos dias 13 e 14 de abril, "não será bem-vinda" pelo governo do Peru, afirmou na terça-feira 13 a chanceler Cayetana Aljovín.

As palavras da ministra foram ditas na saída de uma reunião do Grupo de Lima na capital peruana, na qual chanceleres e representantes de 12 países do continente americano debateram sobre medidas a serem tomadas após a convocação de eleições presidenciais antecipadas na Venezuela para o dia 22 de abril.

"Quero informar que o governo do Peru, com o apoio do Grupo de Lima e segundo a declaração de Quebec de 2001, que afirma que a ruptura da democracia constitui um obstáculo insuperável para a participação de um Estado na Cúpula das Américas, queremos expressar com relação ao convite (de Maduro) à Cúpula que a sua presença não será bem-vinda em tal encontro", afirmou Cayetana.

A declaração, que foi respaldada pelos países presentes na reunião, implica que o presidente venezuelano não poderá comparecer ao encontro, ao qual as autoridades do país já tinham anunciado que iriam. Participam do evento os chanceleres do Canadá, Chrystia Freeland; do Chile, Heraldo Muñoz; da Colômbia, María Ángela Holguín; da Guatemala, Sandra Jovel; e do Peru, Cayetana Aljovín.

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, anunciou no dia 6 de fevereiro que Maduro "comparecerá pontualmente (à Cúpula das Américas) para defender a soberania da América Latina e Caribenha, e para se reunir com o combativo povo do Peru".

A 8.ª Cúpula das Américas tem como tema central a corrupção, mas a tensão crescente com relação à situação na Venezuela e a rejeição que a figura de Maduro provoca em grande parte dos países da região fez da visita do presidente a Lima um dos aspectos mais destacados do encontro.

No Peru, políticos de todos os setores apoiaram no Parlamento um pedido para que se rejeitasse a entrada do líder chavista no país e o declarasse "persona non grata".

Ao chegar à reunião, Heraldo Muñoz afirmou que o objetivo do encontro é "passar uma mensagem muito clara do que pensa a maioria da comunidade latino-americana que está reunida neste Grupo de Lima" sobre as próximas eleições, nas quais Maduro tentará a reeleição.

"As eleições que Maduro convocou unilateralmente não cumprem com nenhuma das condições nem garantias de uma eleição democrática, livre e transparente", disse Muñoz.

Ele também desejou que o trabalho do Grupo de Lima possa contribuir para que o povo venezuelano deixe de "pagar os custos desta situação" para que não tenha de emigrar a outros países.

"Quase 100 mil venezuelanos chegaram ao Chile, e o que falar dos países vizinhos como a Colômbia e o Brasil, onde chegam centenas? É uma situação muito grave, como disse ontem (segunda-feira) a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em um relatório", argumentou.

O Grupo de Lima expressou em um comunicado em janeiro a sua rejeição à convocação antecipada de eleições na Venezuela ao considerar que não há garantias de um processo justo, livre, transparente e democrático.

A declaração de rejeição deste pleito também ganhou o posterior apoio deos EUA, da Guiana e de Santa Lúcia. As eleições presidenciais foram decretadas no dia 15 de janeiro pela Assembleia Constituinte, órgão formado apenas por chavistas e não reconhecido pela oposição e vários governos.

O Grupo de Lima foi criado com Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, perante a impossibilidade de aprovar resoluções sobre a Venezuela na Organização de Estados Americanos (OEA) pelo bloqueio dos países caribenhos. (AE)

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

EMBAIXADOR AFASTADO POR ASSÉDIO NÃO REASSUMIRÁ



Ainda que acabe em pizza a investigação contra o embaixador João Carlos de Souza-Gomes por assédio sexual, a decisão do Ministério das Relações Exteriores é não reconduzi-lo ao cargo de chefe da delegação permanente do Brasil na FAO, organismo das Nações Unidas de combate à fome, com sede em Roma. Ainda que tente, o diplomata não poderá se aposentar antes de a investigação terminar.

O Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD), na Corregedoria do Serviço Exterior, transcorre em ritmo lentíssimo, há 110 dias.

O afastamento do embaixador Souza-Gomes expira no próximo dia 5. Mas o Itamaraty já tomou a decisão de não o reconduzir.

Como concluiu sua formação de diplomata em 1973, Souza-Gomes já pode se aposentar em novembro, ao completar 70 anos de idade.

O serpentário do Itamaraty se refere ironicamente a João Carlos de Souza-Gomes como “João do Pulo”, pelo talento de caronear colegas.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

CAIU A FICHA: DEPRÊ, LULA JÁ ADMITE QUE SERÁ PRESO



Após sucessivas derrotas na Justiça, que inclui a confirmação de sua condenação à cadeia no Tribunal Regional Federal da 4ª Região TRF-4, Lula virou motivo de preocupação para amigos mais próximos. Eles afirmam que o ex-presidente dá sinais de “abatimento severo”, num quadro que se aproxima da depressão, depois que se deu conta da sua prisão iminente pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. 

Lula achava que seria “salvo” com a chegada do ministro aposentado Sepúlveda Pertence à sua defesa. Já desistiu dessa ideia.

Quando soube que o ministro Edson Fachin negou-lhe uma liminar que impedisse prisão, Lula oscilou da cólera, aos palavrões, ao desânimo.

Lula tem dito aos filhos e netos e a outros parentes mais próximos, que não será preso. Mas eles sabem que o ex-presidente está enganado.

Mesmo abatido, Lula telefonou ou atendeu ligações de aliados, estimulando “a resistência” e repetindo a lorota de ser inocente.