
Decidido a escapar do processo em curso no Supremo Tribunal Federal, o
mensaleiro Silvio Pereira, ex-secretário-geral do PT, fechou em janeiro de 2008
um acordo com a Procuradoria Geral da República.
Em troca da suspensão do julgamento por formação de quadrilha, o integrante
do bando dos 40 dispôs-se a cumprir uma pena alternativa ─ três anos de serviço
comunitário numa subprefeitura de São Paulo.
As duas partes julgaram ter feito um bom negócio. A Procuradoria conseguiu do
réu uma confissão de culpa. O delinquente, além do castigo extraordinariamente
suave para quem se enfiou até o pescoço nas bandalheiras do mensalão, conseguiu
voltar a dormir sem sobressaltos.
Ele não sabia o que é isso desde julho de 2005, quando perdeu o cargo na
direção do PT e ganhou a alcunha de Silvinho Land Rover, marca do veículo
presenteado por um fornecedor da Petrobras ao figurão que lhe abrira as portas
do Planalto.
Submerso há mais de três anos, ele pode ser ruidosamente devolvido à ribalta
pelo julgamento de que escapou. Depende do resultado. Se o STF sucumbir ao show
de cinismo ensaiado por Lula e seus devotos, ignorar a montanha de provas
contundentes e absolver os pecadores que continuam no banco dos réus, ficará
estabelecido que não houve mensalão nem mensaleiros.
Caso seja erguido esse monumento ao absurdo, espera-se que algum ministro
togado tenha a bondade de desvendar o enigma produzido por Silvinho Land Rover:
pela primeira vez na história do Judiciário, um inocente quis ser punido por
crimes que não cometeu.
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