O Estado de São Paulo
![]() |
| Merlino |
O assunto tem sido tratado com destaque por organizações de direitos humanos
e também por grupos de militares reformados que, na internet, defendem o golpe
de 1964 e as ações que desencadeou. Logo após a audiência, no dia 30, será
realizado um ato público em São Paulo para lembrar os 40 anos da morte do
jornalista.
A expectativa é de que a ação leve à primeira condenação de um militar
acusado de tortura. Em 2008, quando Ustra recorreu ao TJ contra a família, teve
seu pedido negado.
Não é a primeira vez que o coronel do Exército, condecorado com as medalhas
do Pacificado e do Mérito Militar, é acusado. Uma outra ação, de caráter
criminal, foi arquivada pela Justiça sob o argumento de que os agentes do Estado
também foram beneficiados pela Lei de Anistia de 1979. Essa interpretação da lei
foi ratificada em 2010 pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma das testemunhas convocadas pela família para depor no dia 27 é o
ex-ministro Paulo Vannuchi, que chefiou durante quase oito anos a pasta de
Direitos Humanos. Ele disse ao Estado que deverá comparecer.
Testemunhas. Merlino era militante do Partido Operário de Esquerda (POC) e,
segundo o livro Direito à Memória e à Verdade, editado pela Comissão Especial
sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, morreu sob tortura, dois dias após sua
prisão, ocorrida no dia 17 de julho de 1971. Outros prisioneiros teriam
presenciaram a violência, nas dependências do Destacamento de Operações e
Informações e Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), então sob o
comando de Ustra.
Na carta que vem divulgando em sua defesa, denominada Bode Expiatório, Ustra
afirma que Merlino morreu atropelado quando tentava fugir.
PARA LEMBRAR
A primeira versão da carta Bode Expiatório, do coronel Carlos Alberto
Brilhante Ustra, foi divulgada em 2009, após reportagem publicada pelo Estado
que relacionava seu nome ao caso de outros três mortos e desaparecidos políticos
na ditadura. Desde então, tem sido atualizada.
No texto, Ustra defende o golpe de 1964 e diz que é vítima de "graúdos
derrotados e ressentidos" que "estão no poder". Também afirma que arriscou a
vida lutando por "liberdade" e "democracia".
Para a família de Merlino, Ustra
foi o responsável pelas torturas a que o jornalista foi submetido por 24 horas,
até morrer.

Nenhum comentário:
Postar um comentário