terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Avião militar chileno desaparece com 38 pessoas a bordo



Um avião Hércules C-1130 da Força Aérea Chilena perdeu contato com radares na noite desta segunda-feira 10. A aeronave partiu da cidade de Punta Arenas rumo à base aérea Presidente Eduardo Frei Montalva, na Antártida, com 38 pessoas a bordo. Cerca de sete horas após o desaparecimento dos radares, a corporação admitiu a queda da aeronave, mas segue desconhecendo a localização onde poderia ter ocorrido suposto acidente. Buscas são conduzidas por sobreviventes.

Segundo a Força Aérea Chilena, o avião decolou às 16h55 (horário local e de Brasília) da Base Aérea Chacabuco, em Punta Arenas, e perdeu contato pouco mais de uma hora depois, às 18h13, quando se dirigia à Base Aérea Antártica Presidente Eduardo Frei Montalva.

De acordo com comunicado do órgão militar, o avião cumpria tarefas de apoio logístico rumo à base aérea Presidente Eduardo Frei Montalva, na Antártica.

O presidente do Chile, Sebastian Piñera, e os ministros de Interior e da Defesa, Gonzalo Blumel e Alberto Espina, respectivamente, embarcaram para Punta Arenas para acompanhar os trabalhos de buscas.

Na Veja.com

Olavismo para crianças


Olavo de Carvalho, o "ícone" condecorado por Bolsonaro, vive nos EUA e ofendeu generais brasileiros em vídeos. É filósofo e adepto fervoroso de armas

Olavo de Carvalho, quem diria, foi parar no horário nobre. O guru do bolsonarismo é a estrela da série “Brasil: A Última Cruzada”, que começou a ser exibida ontem pela TV Escola. Trata-se de uma emissora pública, mantida pelo Ministério da Educação e dirigida à formação de professores e alunos.

A série apresenta uma visão peculiar da História. Em tom épico, exalta a “coragem” dos colonizadores portugueses e o “amor pelo Brasil” de dom Pedro I. O objetivo, segundo o produtor Filipe Valerim, é “combater ideologias perversas” e “despertar a consciência e o patriotismo” dos telespectadores.

Além de Olavo, o programa dá voz a figuras como Luiz Philippe Orleans e Bragança, deputado do PSL, e Rafael Nogueira, novo presidente da Biblioteca Nacional. Depois de defenderem a ditadura militar, os bolsonaristas agora querem reabilitar a monarquia.

“Isso é negacionismo puro”, diz o historiador Thiago Krause, da UniRio. “A série ouve gente desqualificada e defende teses que não são aceitas por ninguém na academia. Estão usando uma emissora pública para fazer propaganda e fortalecer a visão ideológica do grupo do presidente”, critica.

Não é uma iniciativa isolada. Na semana que vem, a TV Escola começará a exibir a série “Meia Volta, Vou Ler”. A promessa é mostrar “a qualidade das escolas cívico-militares”. Coincidentemente, a maior vitrine da política educacional de Bolsonaro.

A guinada da emissora é conduzida pelo diretor Francisco Câmpera. Ele assumiu o cargo depois de assinar artigos elogiosos ao presidente. Procurado pela coluna, disse que não poderia dar entrevista.

A invasão dos olavistas é vista com perplexidade por funcionários que trabalharam na TV Escola sob diferentes governos. “Estão desmontando tudo o que não vem deste pseudofilósofo”, diz a ex-diretora Regina de Assis. Ela foi demitida em setembro, depois de reclamar do aparelhamento da emissora.

“O que está acontecendo é um retrocesso grave, combinado com o mau uso de recursos do MEC. Isso deveria ser analisado pelo Ministério Público ”, afirma.

Por Bernardo Mello Franco

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Ancine proíbe servidores de exibirem filme brasileiro inscrito no Oscar



A Secretaria de Gestão Interna da Ancine vetou a exibição do filme ‘A Vida Invisível’, do diretor Karim Aïnouz, para servidores da agência. O evento serviria para a capacitação dos funcionários que trabalham no órgão responsável por pensar políticas públicas e por fiscalizar a indústria cinematográfica nacional.

‘A Vida Invisível’ foi o filme brasileiro inscrito para a disputa do Oscar em 2020. Para concorrer à estatueta, a película terá de ser aprovada para uma das cinco vagas ao prêmio de melhor filme estrangeiro. Foram inscritas 93 produções nesta fase preliminar.

Servidores da Ancine, em condição de anonimato, disseram que a mostra estava prevista para esta quinta-feira, 12. Os funcionários organizam mensalmente a exibição de um filme nacional e realizam um debate com a presença de produtores. O evento faz parte de um processo de capacitação anual ao qual os servidores são submetidos para progressão de cargo.

A Secretaria de Gestão Interna, chefiada por Cesar Brasil Gomes Dias, informou internamente que o evento não poderia ser realizado porque o projetor da sala de exibição estava quebrado. Procurado por servidores, o funcionário responsável pela manutenção do local disse que não havia nenhum problema técnico com o aparelho.

Entre as atrizes que atuam em ‘A Vida Invisível’ está Fernanda Montenegro, que foi xingada de “podre” e “mentirosa” pelo atual secretário de Cultura, Roberto Alvim. Ele hostilizou a atriz em setembro, quando exercia o cargo de diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte. Alvim havia se irritado com uma capa da revista ‘Quatro Cinco Um’, na qual Fernanda Montenegro aparecia vestida de bruxa e em cima de uma fogueira de livros.

No dia 29 de novembro, mais de 100 quadros com pôsteres de filmes nacionais foram retirados de prédios da Ancine e levados para um depósito no centro do Rio de Janeiro. As molduras estavam desde 2002 nas áreas comuns da agência. Também foram apagados do site da Ancine todos os pôsteres de lançamentos brasileiros. O órgão negou que a medida foi tomada para retaliar filmes que expressam posições políticas contrárias ao governo de Jair Bolsonaro.

Rússia é banida da Olimpíada de 2020 e da Copa de 2022 por doping


O estandarte olímpico ao lado da bandeira da Rússia

A Rússia foi banida das competições esportivas mundiais – incluindo a Olimpíada de 2020, em Tóquio, a Olimpíada de Inverno de 2022, em Pequim, e a Copa do Mundo de futebol de 2022, no Catar – por quatro anos em punição pelo escândalo de doping no país. A suspensão foi imposta pela Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) e anunciada nesta segunda-feira, 9. A Rússia tem três semanas para recorrer contra a decisão à Corte Arbitral do Esporte (CAS).

Caso o banimento seja mantido, a Rússia não poderá ter sua bandeira erguida ou seu hino tocado nos torneios. Atletas que não estejam envolvidos nos casos de doping ainda poderão competir, mas sob uma bandeira neutra, como já ocorreu nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2018, em Pyeongchang, na Coréia do Sul, e com a equipe russa de atletismo na Rio-2016. 

Na última segunda-feira, o Comitê de Compliance da Wada, um dos principais painéis da entidade, sugeriu medidas drásticas contra o esporte russo, o que foi aprovado com unanimidade nesta segunda pelo Comitê Executivo, após uma reunião em Lausanne, na Suíça.

“A lista completa de recomendações (de sanções por parte do Comitê de Revisão de Conformidade) foi aprovada por unanimidade dos 12 membros do Comitê Executivo”, declarou o porta-voz James Fitzgerald aos jornalistas presentes na sede da Wada.

A decisão da Wada poderá trazer fortes consequências para a Uefa e para a Fifa. A tendência é que ela não afete os jogos da Eurocopa de futebol do próximo ano, a ser realizada em diversas cidades espalhadas pelo continente, incluindo São Petersburgo. A mesma cidade russa já foi escolhida pela Uefa para receber a final da Liga dos Campeões em 2021. A Wada deve explicar essa situação em breve.

Denúncias – Um relatório produzido por Richard McLaren, um professor e advogado canadense comissionado pela Wada e pelo Tribunal Arbitral do Esporte (TAS) expôs em 2016 o esquema de doping envolvendo dirigentes do esporte e do governo russo. O documento estabelece que o Ministério do Esporte, a agência antidopagem e o serviço federal de segurança do país estavam “envolvidos em um elaborado esquema de trapaça que se estendeu além dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi de 2014.”

“A surpresa no resultado da investigação de Sochi foi a revelação da extensão da supervisão e controle diretivo do laboratório de Moscou no processo e acobertamento das amostras de urina dos atletas russos de todos os esportes antes e depois dos Jogos de Sochi”, escreveu McLaren. O documento afirmou ainda que exames de vários atletas do Mundial de Atletismo de Moscou-2013 foram substituídas antes do envio a outro laboratório da Federação Internacional de Atletismo (IAAF).

O investigação da Wada confirmou as declarações do médico Grigory Rodchenkov, que, em maio, revelou que o serviço secreto russo “violou as garrafas” onde estavam armazenadas a urina de atletas dopados, incluindo 15 medalhistas olímpicos, e que o governo russo desejava “vencer a qualquer custo”. Exilado nos Estados Unidos, Rodchenkov alega ainda que dopou atletas para as Olimpíadas de Londres-2012, entre outros torneios de atletismo.

Em janeiro de 206, uma comissão independente da Wada já havia apontado participação do presidente russo Vladimir Putin no escândalo de doping no atletismo do país. Escrito por Dick Pound, o chefe da comissão, o documento denunciou a “corrupção enraizada na IAAF” e destacou que os casos não foram apenas isolados e que Putin sabia de tudo. No informe, os investigadores revelam uma relação bem próxima entre o ex-presidente da entidade, o senegalês Lamine Diack, e Putin.

Putin sempre negou participação nos escândalos e pediu que as punições fossem individualizadas. “Se alguém está violando as regras em vigor, a responsabilidade tem que ser individual. Os atletas que nunca foram dopados não devem pagar o preço pelos outros”, disse. Historicamente, a Rússia é acusada de acobertar casos de doping desde os tempos da União Soviética.

Na Veja (com Estadão Conteúdo)

Quase 80% dos brasileiros rejeitam o retorno de um regime autoritário



A democracia no Brasil é uma criança que teima em crescer em um terreno acidentado, daqueles que dificultam uma caminhada sem tropeços. 

Desde a independência, em 1822, a nação passou mais da metade do tempo sob regimes totalitários, considerando-se a monarquia e as ditaduras do Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945) e militar (1964-1985), em que a tônica foi a repressão, a perseguição política, a censura, o esfacelamento das instituições, os assassinatos e as torturas. 

Os anos de chumbo pareciam enterrados com a chamada “Constituição cidadã”, de 1988, e o retorno das eleições diretas, em 1989. Pouco mais de três décadas depois, no entanto, o país se vê às voltas com esse fantasma, na forma de discursos que louvam figuras indesejáveis do passado, citações ameaçadoras de instrumentos totalitários como o abominável Ato Institucional Nº 5, o AI-5 — ferramenta responsável pelo endurecimento da repressão nos anos 60 —, gestos de aparelhamento que eliminam de órgãos públicos pessoas não alinhadas com o pensamento dos poderosos de plantão, combate furioso à imprensa e desprezo a instituições como o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. 

Boa parte da onda é comandada pelo próprio Jair Bolsonaro, que não faz questão nenhuma de esconder seu apreço a tudo isso, com o apoio de gente do seu entorno, como o filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o deputado mais votado do país em 2018, de alguns ministros e de seguidores radicais do governo. O coro é engrossado por uma parcela da população que inunda as redes sociais com palavras de ódio e, nas ruas, protagoniza gestos como atirar tomates em cartazes com fotos de ministros do STF. 

Ironicamente, é a democracia que garante ao presidente e a todas essas pessoas o direito de se expressar sem amarras, mesmo que seja para louvar os tempos em que não havia essa mesma liberdade.

O consolo diante desse panorama vem de uma constatação: a grande maioria do país não compactua com essa recaída autoritária, como demonstra a pesquisa exclusiva VEJA/FSB, que ouviu por telefone 2 000 eleitores de 26 estados e do Distrito Federal entre 29 de novembro e 2 de dezembro. Quase 80% dos entrevistados acreditam que a democracia é sempre, ou na maior parte das vezes, o melhor sistema de governo. Apenas 10% apontaram a ditadura como uma alternativa ideal.
(...)

Leia íntegra na Veja.com

domingo, 8 de dezembro de 2019

Comporte-se melhor, Bolsonaro!


Bolsonaro ri de piada com Dilma Rousseff em live - 05/12/2019 (Twitter/Reprodução)

A nova pesquisa Datafolha de avaliação do governo Bolsonaro, publicada, hoje, pela Folha de S. Paulo, traz duas boas notícias para o presidente e uma penca de outras que deveriam preocupá-lo.

As boas: o percentual dos que aprovam a condução da política econômica subiu cinco pontos nos últimos três meses. Caiu quatro o dos que dizem que Bolsonaro nunca age como um presidente.

As ruins: caiu cinco pontos o percentual dos que aprovam o desempenho do governo no combate à corrupção. A reprovação aumentou seis pontos.

Bolsonaro deve agradecer ao ministro Paulo Guedes, da Economia. E advertir o ministro Sérgio Moro, da Justiça e da Segurança Pública, embora a popularidade de Moro continue alta.

Piorou em três pontos percentuais a aprovação do governo na área da Cultura, mas Bolsonaro não pode jogar a culpa em ninguém. É dele mesmo que não tem o menor interesse pelo assunto.

Como dele também é a culpa pelo fato de 43% da população dizer que nunca confia no que o presidente fala enquanto só 19% dizem confiar sempre. 37% acham que ele só merece crédito às vezes.

Bolsonaro deve corrigir-se em outro ponto – o do temperamento. A maior parte da população acha que ele não corresponde às exigências do cargo de presidente da República.

Por Ricardo Noblat

Bolsonaro consolida imagem de fake presidente



Há dois capitães Bolsonaro na praça. O presidente acha que é uma coisa. Mas sua reputação indica que já virou outra coisa. O primeiro Bolsonaro personifica a nova política, combate as notícias falsas e cultua um versículo do Evangelho de João: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará". O outro Bolsonaro, retratado em pesquisa do Datafolha divulgada neste sábado (7/12), é muito parecido com o primeiro, só que mente um pouco.

A grossa maioria do eleitorado (80%) ouve Bolsonaro com a pulga atrás da orelha— 43% nunca confiam naquilo que o presidente da República declara, 37% confiam só de vez em quando. Apenas uma minoria (19%) confia 100% no que escorre dos lábios do inquilino do Planalto.

A pesquisa traz uma péssima notícia: Jair Bolsonaro chega ao final do seu primeiro ano de mandato como um governante inconfiável aos olhos da maioria dos governados. A sondagem traz também uma extraordinária novidade: o brasileiro já não se deixa enganar tão facilmente.

A plateia percebeu que Bolsonaro opera num mundo com duas verdades: a dele e a verdadeira. Ele chama a imprensa de mentirosa e, simultaneamente, acusa Leonardo DiCaprio de financiar incêndios na Amazônia. Autoriza o desmonte do aparato de fiscalização ambiental enquanto se confraterniza com grileiros e desmatadores. Renega dados científicos sobre queimadas e, na sequência, acusa ONGs de riscar o fósforo.

Bolsonaro declara que o envolvimento com candidaturas laranja deixou o dono do PSL, Luciano Bivar, "queimado pra caramba". Mas não se constrange de manter no comando do Ministério do Turismo o deputado licenciado Marcelo Álvaro Antônio, indiciado pela Polícia Federal e denunciado pelo Ministério Público por plantar um laranjal na escrituração eleitoral do PSL de Minas Gerais.

Nesse confronto entre as duas verdades —a de Bolsonaro versus a verdadeira— produziu-se uma distorção insuportável. Todas as manhãs, ao escovar os dentes, Bolsonaro enxerga no reflexo do espelho um político antissistema, avesso à corrupção e adepto da transparência. O desapreço pelos fatos e suas relações com Fabrício Queiroz, o faz-tudo que enfiou dentro da biografia do primogênito Flávio, grudam na face de Bolsonaro a imagem do atraso.

Bolsonaro revelou-se um presidente sui generis. Fala dez vezes antes de pensar. Pronuncia o que imagina ser conveniente, sem esboçar preocupação com o desmentido dos fatos. Em plena era da fake news, o capitão vai se consolidando como uma espécie de fake presidente, eis a verdade que salta dos dados colecionados pelo Datafolha.

Por Josias de Souza

sábado, 7 de dezembro de 2019

Minha Casa Minha Vida: suspeita de irregularidade no valor de R$ 1,4 bi



Desde que foi lançado, há dez anos, o programa Minha Casa Minha Vida transformou em realidade o desejo de mais de 4 milhões de brasileiros, injetou 100 bilhões de reais na economia, rendeu votos a muitos políticos e, para não fugir à regra, também deixou muitos esqueletos no armário de malfeitos. Em novembro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, enviou um relatório ao presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, com o resultado de um levantamento produzido pela Controladoria-­Geral da União (CGU) que identificou contratos para construir mais de 17 000 unidades habitacionais sem que houvesse previsão orçamentária, o que é irregular. A operação foi realizada ao apagar das luzes do governo Temer, precisamente na véspera do Natal do ano passado, e autorizada pelo então ministro das Cidades, Alexandre Baldy, atual secretário do governador de São Paulo, João Dória. Valor do contrato: 1,4 bilhão de reais.

Os auditores concluíram que a operação expôs o patrimônio da Caixa a riscos — isso considerando apenas a mais ingênua das hipóteses levantadas para explicar o caso. O banco informou que, na época, avisou o ministro Baldy sobre a impossibilidade de contratar novas obras por falta de recursos. Apesar do alerta, o Ministério das Cidades determinou que o processo seguisse em frente. Em sua defesa, Baldy diz que não houve nenhuma irregularidade, já que os pagamentos não seriam desembolsados de uma só vez, e sim a partir de um cronograma previsto ao longo das obras. Além disso, segundo ele, as contratações foram efetivadas na gestão do presidente Jair Bolsonaro, o que atestaria a lisura do procedimento. “Todos os processos foram legais”, garantiu o ex-ministro. Não é o que diz a Caixa. “Esclarecemos que a atual gestão não compactua com o ocorrido”, avisou o banco em nota, informando que já suspendeu metade dos acordos.

Existem outros problemas graves no Minha Casa Minha Vida. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Regional, há 44 626 residências inacabadas espalhadas por 1 895 pequenos municípios em todo o país. Um documento interno ao qual VEJA teve acesso ressalta que, por causa disso, muitas famílias “tiveram suas antigas moradias demolidas e hoje se encontram em casas de parentes, alojadas de forma provisória no próprio terreno em que estão sendo construídas as unidades habitacionais ou temporariamente em programas de aluguel social”. Há vários exemplos de má gestão do programa. Em Sapeaçu, a 135 quilômetros de Salvador, na Bahia, um conjunto habitacional cujas obras já se arrastavam por seis anos foi invadido. Em Zé Doca, município localizado a 312 quilômetros de São Luís, no Maranhão, unidades já construídas estão abandonadas em meio a um matagal. Faltam água, luz e rede de esgoto. Em certos casos, as residências foram erguidas em áreas tão íngremes que ninguém se interessou por elas.

O Ministério do Desenvolvimento Regional anunciou que pretende editar uma medida provisória para determinar que todas as obras atrasadas sejam concluídas em até trinta meses. Caso contrário, as construtoras responsáveis pelos empreendimentos terão de devolver os recursos recebidos. Para finalizar os projetos em andamento, a Caixa ainda vai desembolsar mais 130 milhões de reais. Depois dessa etapa, o governo diz que pretende reformular totalmente o programa, que deve, inclusive, mudar de nome. Uma das iniciativas em estudo é criar uma espécie de “vale-habitação” para a população de baixa renda em municípios de até 50  000 habitantes. Como não há recursos para atender todos, a ideia é fazer um cadastro dos interessados e sortear cartas de crédito que poderiam ser usadas para comprar um imóvel, construir ou simplesmente reformar. “A gente identificou que hoje o Minha Casa Minha Vida não está atendendo quem mais precisa nem onde é mais necessário”, disse a VEJA o ministro Gustavo Canuto. E conclui: “Na nossa visão, o programa foi feito para resolver o problema das pessoas que estão em situação de moradia indigna, e não para atender construtoras e incorporadoras”. Que se mude então o programa e os culpados ou incompetentes sejam punidos.

Na revista Veja edição 2664

Dieta Alternativa!


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

CAÇAPAVA VIVE A TEORIA DA CASSAÇÃO DO PREFEITO




Para que um governante seja “impichado”, deve estar sob uma tempestade perfeita, que normalmente é concebida pelo próprio governante. 

São três os elementos, que se existentes ao mesmo tempo, proporcionam o ambiente para que a Câmara simplesmente assopre o prefeito para fora do cargo.

Dito dessa maneira, parece algo simples, mas não é. Constitui-se em evento raríssimo que somente ameaça políticos muito inábeis. Em Caçapava, por exemplo, nunca aconteceu. 

O primeiro dos elementos é a economia em frangalhos. A grosso modo, ela dita o humor das ruas. É impossível afastar um prefeito no comando de uma cidade em crescimento acelerado, gerando empregos e criando oportunidades de prosperidade aos seus cidadãos. Some-se a esse fator, a alta impopularidade. Se a economia estiver mal e o prefeito se mantiver razoavelmente popular, também é difícil emplacar qualquer ação de afastamento. 

Em Caçapava, a draga econômica está puxando o prefeito para altos índices de reprovação, e pior, somando isso ao segundo elemento, e este fato está posto, que é a inabilidade administrativa, frouxidão e marasmo nas ações públicas, além de piorar a situação, poderia também acelerar o processo de cassação do prefeito. 

Bem, como dito acima, são três os elementos e para que prevaleçam, eles precisam existir ao mesmo tempo. O terceiro elemento é a habilidade do prefeito em tratar com aqueles que decidirão sobre sua permanência ou não à frente do Governo Municipal. 

É aqui que começa aparecer a podridão que impera e corrói a política brasileira, e em Caçapava não poderia ser diferente, vejamos: 

Todos nós sabemos que um cidadão entrou com um processo de cassação do prefeito de Caçapava por desvio de recurso do Fundo de Custeio do SUS, conforme vídeo de 04 e 12/04/2019, respectivamente, de reunião da CEI (Comissão Especial de Inquérito) Ato 03/2019, do arquivo da Câmara Municipal. 

Em depoimento na CEI o cidadão Carlos Augusto, ex-radialista da Rádio Capital, acusa a vereadora Preta da Rádio, hoje presidente da Câmara, de ter mandado para o arquivo de forma irregular uma denúncia, feita por ele, de Infração Política Administrativa contra o atual prefeito. Neste vídeo e ainda tratando da denúncia o ex-radialista chama Cesar Nascimento da Rádio de chefe de quadrilha e a vereadora Preta da Rádio de mentirosa e covarde, dado a forma como ela decidiu mandar a denúncia para o arquivo. Disse mais: Que a vereadora deveria ser investigada pelo crime de falta de decoro. Assim como disse que ouviu de Cesar Nascimento na rádio que 4 vereadores receberam R$ 50.000,00 e 15 cargos na Prefeitura cada um, para votar contra a denúncia. 

Na primeira denúncia feita por Carlos Augusto ele tinha o apoio tanto da vereadora Preta como de Cesar Nascimento, então presidente do PSC, partido também de Carlos Augusto. Até então inimigos do prefeito. Hoje, Cesar Nascimento e a vereadora Preta são protetores e amigos de fé do prefeito. Por isso o arquivamento da denúncia. Por que digo isso? Para que todos possam entender o funcionamento do uso da máquina pública para abafar e proteger o prefeito de uma cassação. 

O prefeito Fernando Diniz, parece possuir a seu desfavor o primeiro e o segundo elemento, ou seja, Caçapava vive com a economia em frangalhos e o povo não está satisfeito com o desempenho do prefeito no quesito infraestrutura. E no segundo elemento o prefeito demonstra fraqueza absoluta e forte incapacidade em enfrentar os problemas políticos se unindo a quem tem o hábito de destruir pontes, ao invés de construí-las, ou seja, o que há de pior na política local. 

O terceiro elemento, esse sim parece funcionar, a base de dinheiro público o que tornam as coisas mais fáceis, não requer destreza nem habilidade é só usar a máquina de gastar dinheiro alheio com aqueles que têm o poder de decidir sobre sua permanência à frente do Governo. 

Tudo indica que o prefeito conseguirá se arrastar até o fim do mandato!