quinta-feira, 9 de maio de 2024
quarta-feira, 8 de maio de 2024
Embraer revela primeiras imagens de protótipo do 'carro voador' produzido em escala real
A Eve Air Mobility, empresa de mobilidade aérea urbana da Embraer, divulgou na manhã desta quarta-feira (8) as primeiras imagens oficiais em escala real do protótipo do 'carro voador' que está sendo fabricado pela empresa no Brasil - assista acima.
De acordo com a Eve Air Mobility, a expectativa é que os eVTOLs (sigla em inglês para 'veículo elétrico de pouso de decolagem vertical') entrem em operação até o fim de 2026.
As imagens divulgadas pela empresa são do primeiro protótipo do carro voador no país. Elas não revelam muitos detalhes, mas mostram um modelo preto com alguns detalhes em verde.
O modelo está em produção na fábrica da empresa em Taubaté, no interior de São Paulo.
A Eve informou que os carros voadores farão voos verticais e conta com propulsores elétricos que vão garantir alto desempenho e segurança nas viagens.
Ainda segundo a empresa, o modelo tem vantagens como eficiência, baixo custo operacional, baixo ruído e menos peças, estruturas e sistemas otimizados.
"Estamos avançando significativamente na montagem do nosso primeiro protótipo do eVTOL, com previsão para finalizar a produção e iniciar os voos", explicou em comunicado o CEO da Eve Air Mobility, Johann Bordais.
O primeiro protótipo relevado nas imagens dará sequência à campanha de testes da empresa, que continua com a produção das aeronaves na fábrica que fica em Taubaté.
São quase 3 mil encomendas de carros voadores para operadores de helicópteros, companhias aéreas, empresas de leasing e plataformas de voos compartilhados em todo o mundo - saiba como as empresas planejam usar os eVTOLs no Brasil.
Modelo de carro voador da Embraer tem quase três mil encomendas — Foto: Divulgação/Anac
Brasil, onde tudo melhora e ninguém parece feliz
O Brasil, gigante da América do Sul, vive um estranho paradoxo: desde que Lula chegou ao poder, todos os índices melhoraram, do econômico até o reconhecimento do peso do país no exterior. No entanto, todos parecem insatisfeitos ou desconfortáveis: ricos e pobres, trabalhadores e intelectuais, direita e esquerda. E Lula perde popularidade.
Há quem diga ironicamente que o país precisaria passar por um período de psicanálise para compreender o paradoxo que o angustia. E o primeiro que estranha, sem ocultar, é o próprio Lula, que chegou pela terceira vez ao poder, e esta com a árdua missão de libertar o país do peso de uma extrema-direita bolsonarista que o estava enterrando até levá-lo para um novo golpe de Estado.
O governo é inundado de razões que poderiam explicar essa agitação social quando deveria estar a celebrar uma espécie de ressurreição nacional. E Lula é o primeiro, e com razão, a se sentir desconcertado. Ele não entende que, apesar de desta vez ter criado um governo de centro-esquerda e ter se acertado no Congresso até com partidos de Bolsonaro para a aprovação de alguns de seus projetos, ele está de mãos atadas e em conflito com duas categorias que no passado foram seu campo de glória: a classe trabalhadora e a chegada à universidade do grande mundo dos pobres com a criação de bolsas de estudo.
Quanto aos professores das universidades federais que estiveram nos governos de esquerda anteriores, Lula, incrédulo, encontra hoje manchetes em jornais nacionais como: A greve dos professores já atinge 38 universidades. Todo mundo pede aumento salarial. O descontentamento geral está a alastrar-se, o que continua a preocupar o governo.
E não há menos descontentamento na classe do trabalho manual, a das fábricas, onde Lula cresceu ainda jovem e se tornou líder indiscutível dos movimentos sindicais que acabaram sendo uma categoria privilegiada. Hoje, o mítico sindicalista sem instrução que criou talvez o maior movimento sindical do mundo ocidental, parece desorientado quando percebe que aqueles milhões de trabalhadores que depositaram todas as suas esperanças nele já não parecem apoiar as suas antigas estratégias.
O último exemplo foi o 1º de maio passado, data mítica em que a esquerda, em bloco, reunia todos os anos em torno de Lula uma gigantesca manifestação de trabalhadores. Este ano, o primeiro surpreendido com a baixa participação dos trabalhadores em São Paulo foi Lula, que atribuiu isso ao fato de o evento “ter sido mal organizado”.
A extrema direita aproveitou-se imediatamente do fato de Bolsonaro, apesar de estar fora do jogo político e proibido de participar de eleições por oito anos, ter acabado de reunir uma multidão inesperada em São Paulo. As redes sociais de Bolsonaro foram atrivadas para anunciar que “um boneco de Bolsonaro leva mais gente às ruas do que Lula”.
Levará mais tempo para compreender esta antinomia do Brasil que, por um lado, melhora em todos os índices de desenvolvimento e prestígio internacional, e permanece preso no descontentamento e no desânimo que vai das fábricas às universidades. No momento, as primeiras explicações oferecidas por analistas políticos e os gurus da psicologia social dizem que a esquerda tradicional, que fundamentalmente apoia Lula no seu terceiro mandato, ainda não assimilou as novas tecnologias que estão revolucionando o mundo do trabalho.
Se ontem ter contrato permanente numa fábrica, com todos os direitos sociais e sindicais, era um privilégio, hoje isso está a mudar. Hoje, os jovens do trabalho manual e os próprios intelectuais nas universidades procuram outros caminhos. Estão menos interessados em empregos permanentes que consideram um espartilho, e procuram formas mais flexíveis, mais alinhadas com as possibilidades oferecidas pelas novas tecnologias. Eles não querem mais ser empregados, embora privilegiados, mas sim protagonistas do seu próprio trabalho.
Um dos exemplos mais marcantes que surpreendem Lula neste campo de trabalho é que as novas categorias de empregos, dos milhões de trabalhadores de entregas ao domicílio, resistem a entrar nos caminhos das antigas empresas sindicalizadas. Querem novos tipos de organização, novos métodos de segurança social, numa palavra: preferem ser livres embora inseguros e sentem-se donos de novos tipos de organização do trabalho.
Não é fácil para Lula, líder indiscutível das grandes greves metalúrgicas do passado, compreender esta mudança copernicana que atravessa o mundo do trabalho na era das novas tecnologias. Para Lula, a quem nunca faltou sentido político e triunfou nos dois governos anteriores, alguém terá que lhe explicar que o mundo mudou em pouco tempo, que o Brasil está ligado, para o bem e para o mal, ao mundo da novas tecnologias, e que isto, seguramente, não tem caminho de volta.
Hoje um presidente não pode orgulhar-se de não ter celular e ter que usar o da mulher, nem continuar a acreditar que as redes podem continuar a atrair, como no passado, para as suas inflamadas manifestações, os mais pobres ou os operários. Tudo isto ignora o facto de que neste mundo digital, por vezes uma simples ironia, seja ela inteligente ou grosseira, como a ideia de que um boneco de Bolsonaro leva mais gente às ruas do que o mítico ex-líder sindical, poder ser triste e até embaraçosa.
Em tempos de inteligência artificial intrigante, o perigo de ficar preso aos velhos clichês políticos e sociais, que outrora foram uma vitória para a classe trabalhadora, é real e provavelmente imparável. O que resta ao Brasil e àqueles que não desistem de querer entender que o mundo está em trabalho de parto, ainda sem conseguir digerir que o ontem já se foi, é apostar sem medo na novidade. Não esqueçamos que, graças a estes novos horizontes que começam a ser vislumbrados, os jovens desiludidos pelos velhos políticos poderão produzir novas colheitas de esperança.
Por Juan Arias (El País)
Fake news sobre enchente dá ao país uma aparência de ratocracia
Eles se definem como homens de bem. Mas, nas horas vagas, exibem nas redes sociais um comportamento canalha. Pioram o flagelo das enchentes no Rio Grande do Sul com uma inundação de mentiras nas redes sociais.
Filho de um ex-presidente que passeava de jet ski na praia enquanto temporais castigavam a Bahia, o deputado Eduardo Bolsonaro postou que o governo Lula retardou o socorro ao Rio Grande do Sul.
O senador Cleitinho e o influenciador Pablo Marçal, ambos bolsonaristas de mostruário, publicaram que o governo gaúcho estaria barrando caminhões de donativos por falta de nota fiscal.
A onda de fake news chegou ao gabinete de crise que monitora em Brasília o socorro federal aos gaúchos. Ganhou o noticiário trecho de um áudio da reunião de terça-feira. A certa altura, o ministro Rui Costa (Casa Civil) diz ter pedido a Ricardo Lewandowski para acionar a Polícia Federal.
Na sequência, ouve-se o ministro Paulo Pimenta (Secom) dizer o seguinte: "Tem que botar para foder com os caras". Uma voz não identiticada responsabiliza os "bolsonaristas" pela difusão de mentiras. Diz que seria preciso mandar prender. Pimenta concorda: "Manter presos".
Ainda não havia redes sociais quando Nelson Rodrigues disse que "o homem de bem é um cadáver mal informado. Não sabe que já morreu". Hoje, o homem de bem bolsonarista percorre a internet como um zumbi da desinformação. Com as fake news sobre a enchente gaúcha dão ao país uma incômoda aparência de ratocracia.
terça-feira, 7 de maio de 2024
Motorista do Porsche ofende o morto e a inteligência alheia
| Fernando Sastre de Andrade Filho, que conduzia o Porsche que colidiu contra o carro da vítima em São Paulo, em entrevista ao Fantástico (TV Globo) |
Na entrevista que concedeu ao Fantástico, na noite de domingo, Fernando Sastre de Andrade Filho revelou-se intelectualmente lento e moralmente ligeiro. As duas velocidades são insultuosas. O herdeiro do Porsche ofendeu a inteligência alheia e a memória do motorista de aplicativo Ornaldo Viana, morto ao ser abalroado por ele.
Liberado da cena do crime sem a realização de um teste de bafômetro, Fernando disse que não recebeu "tratamento privilegiado." Para ele, "foi tudo normal". Faltou definir normalidade.
Imagens captadas pelo vídeo acoplado ao uniforme policial exibem um Fernando com voz pastosa. Mas ele assegura que, na noite da batida, bebeu apenas água num restaurante e numa casa de jogos. Um amigo diz o contrário.
Perícia indicou que o Porsche estava a 114,8 km/h no momento da batida. Antes do choque, acelerou a 156,4 km/h. Fernando declarou que não se deu conta de que exorbitava. "Inclusive, eu acho que seria válido uma segunda perícia, uma segunda análise, para ter certeza dessa aferição", declarou.
Fernando Sastre encontra-se num local muito parecido com um buraco. É réu por homicídio doloso qualificado e lesão corporal gravíssima. Se for condenado, pode amargar sentença de mais de 20 anos de cadeia.
A vida ensina que a primeira regra dos buracos é singela: quando o sujeito cai dentro de um, precisa parar de cavar. Com sua entrevista, o motorista do Porsche afundou-se um pouco mais.
Qual era a real aparência de Jesus, segundo historiadores
Um homem branco, barbudo, de longos cabelos castanhos claros e olhos azuis. Essa é a imagem mais conhecida de Jesus Cristo, adotada o longo de séculos e séculos de eurocentrismo — tanto na arte quanto na religião.
Apesar de ser um retrato já conhecido pela maior parte dos cerca de 2 bilhões de cristãos no mundo, essa é uma construção que pouco deve ter tido a ver com a realidade.
O Jesus histórico, apontam especialistas, muito provavelmente era moreno, baixinho e mantinha os cabelos aparados, como os outros judeus de sua época.
A dificuldade para saber como era a aparência de Jesus vem da própria base do cristianismo: a Bíblia, conjunto de livros sagrados cujo Novo Testamento narra a vida de Jesus — e os primeiros desdobramentos de sua doutrina — não faz qualquer menção que indique como ele era fisicamente.
"Nos evangelhos ele não é descrito fisicamente. Nem se era alto ou baixo, bem-apessoado ou forte. A única coisa que se diz é sua idade aproximada, cerca de 30 anos", comenta a historiadora neozelandesa Joan E. Taylor, autora do livro What Did Jesus Look Like? (Qual era a aparência de Jesus, em tradução livre) e professora do Departamento de Teologia e Estudos Religiosos do King's College de Londres.
"Essa ausência de dados é muito significativa. Parece indicar que os primeiros seguidores de Jesus não se preocupavam com tal informação. Que para eles era mais importante registrar as ideias e os papos desse cara do que dizer como ele era fisicamente", afirma o historiador André Leonardo Chevitarese, professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor do livro Jesus Histórico - Uma Brevíssima Introdução.
Em 2001, para um documentário produzido pela BBC, o especialista forense em reconstruções faciais britânico Richard Neave utilizou conhecimentos científicos para chegar a uma imagem que pode ser considerada próxima da realidade.
A partir de três crânios do século 1, de antigos habitantes da mesma região onde Jesus teria vivido, ele e sua equipe recriaram, utilizando modelagem 3D, como seria um rosto típico que pode muito bem ter sido o de Jesus.
Esqueletos de judeus dessa época mostram que a altura média era de 1,60 m e que a grande maioria deles pesava pouco mais de 50 quilos. A cor da pele é uma estimativa.
Taylor chegou a conclusões semelhantes sobre a fisionomia de Jesus.
"Os judeus da época eram biologicamente semelhantes aos judeus iraquianos de hoje em dia. Assim, acredito que ele tinha cabelos de castanho-escuros a pretos, olhos castanhos, pele morena. Um homem típico do Oriente Médio", afirma.
"Certamente ele era moreno, considerando a tez de pessoas daquela região e, principalmente, analisando a fisionomia de homens do deserto, gente que vive sob o sol intenso", comenta o designer gráfico brasileiro Cícero Moraes, especialista em reconstituição facial forense com trabalhos realizados para universidades estrangeiras.
Moraes já fez reconstituição facial de 11 santos católicos - e criou uma imagem científica de Jesus Cristo a pedido da reportagem.
"O melhor caminho para imaginar a face de Jesus seria olhar para algum beduíno daquelas terras desérticas, andarilho nômade daquelas terras castigadas pelo sol inclemente", diz o teólogo Pedro Lima Vasconcellos, professor da Universidade Federal de Alagoas e autor do livro O Código da Vinci e o Cristianismo dos Primeiros Séculos.
Outra questão interessante é a cabeleira. Na Epístola aos Coríntios, Paulo escreve que "é uma desonra para o homem ter cabelo comprido".
O que indica que o próprio Jesus não tivesse tido madeixas longas, como costuma ser retratado.
"Para o mundo romano, a aparência aceitável para um homem eram barbas feitas e cabelos curtos. Um filósofo da antiguidade provavelmente tinha cabelo curto e, talvez, deixasse a barba por fazer", afirma a historiadora Joan E. Taylor.
Chevitarese diz que as primeiras iconografias conhecidas de Jesus, que datam do século 3, traziam-no como um jovem imberbe e de cabelos curtos.
"Era muito mais a representação de um jovem filósofo, um professor, do que um deus barbudo", pontua ele.
"No centro da iconografia paleocristã, Cristo aparece sob diversas angulações: com o rosto barbado, como um filósofo ou mestre; ou imberbe, com o rosto apolíneo; com o pálio ou a túnica; com o semblante do deus Sol ou de humilde pastor", contextualiza a pesquisadora Wilma Steagall De Tommaso, professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e do Museu de Arte Sacra de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Teologia e Ciências da Religião.
Joan acredita que as imagens que se consolidaram ao longo dos séculos sempre procuraram retratar o Cristo, ou seja, a figura divina, de filho de Deus — e não o Jesus humano.
"E esse é um assunto que sempre me fascinou. Eu queria ver Jesus claramente", diz.
A representação de Jesus barbudo e cabeludo surgiu na Idade Média, durante o auge do Império Bizantino. O professor Chevitarese diz que nesse período começaram a retratar a figura de Cristo como um ser invencível, semelhante fisicamente aos reis e imperadores da época.
"Ao longo da história, as representações artísticas de Jesus e de sua face raras vezes se preocuparam em apresentar o ser humano concreto que habitou a Palestina no início da era cristã", diz o sociólogo Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do Núcleo Fé e Cultura da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
"Nas Igrejas Católicas do Oriente, o ícone de Cristo deve seguir uma série de regras para que a imagem transmita essa outra percepção da realidade de Cristo. Por exemplo, a testa é alta, com rugas que normalmente se agrupam entre os olhos, sugerindo a sabedoria e a capacidade de ver além do mundo material, nas cenas com várias pessoas ele é sempre representado maior, indicando sua ascendência sobre o ser humano normal, e na cruz é representado vivo e na glória, indicando, desde aí, a sua ressurreição."
Como a Igreja ocidental não criou tais normas, os artistas que representaram Cristo ao longo dos séculos o criaram ao seu modo.
"Pode ser uma figura doce ou até fofa em muitas imagens barrocas ou um Cristo sofrido e martirizado como nas obras de Caravaggio ou Goya", pontua Ribeiro Neto.
"O problema da representação fiel ao personagem histórico é uma questão do nosso tempo, quando a reflexão crítica mostrou as formas de dominação cultural associadas às representações artísticas", prossegue o sociólogo.
"Nesse sentido, o problema não é termos um Cristo loiro de olhos azuis. É termos fiéis negros ou mulatos, com feições caboclas, imaginando que a divindade deve se apresentar com feições europeias porque essas representam aqueles que estão 'por cima' na escala social."
Essa distância entre o Jesus "europeu" e os novos fiéis de países distantes foi reduzida na busca por uma representação bem mais aproximada, um "Jesus étnico", segundo o historiador Chevitarese.
"Retratos de Jesus em Macau, antiga colônia portuguesa na China, mostram-no de olhos puxados, com a forma de se vestir própria de um chinês. Na Etiópia, há registros de um Jesus com feições negras."
No Brasil, o Jesus "europeu" convive hoje com imagens de um Cristo mais próximo dos fiéis, como nas obras de Cláudio Pastro (1948-2016), considerado o artista sacro mais importante do país desde Aleijadinho. Responsável por painéis, vitrais e pinturas do interior do Santuário Nacional de Aparecida, Pastro sempre pintou Cristo com rostos populares brasileiros.
O teólogo Francisco Catão, autor do livro Catecismo e Catequese, entre outros, defende que as feições de Jesus pouco importam para os religiosos.
"Nunca me ocupei diretamente da aparência física de Jesus. Na verdade, a fisionomia física de Jesus não tem tanta importância quanto o ar que transfigurava de seu olhar e gestos, irradiando a misericórdia de Deus, face humana do Espírito que o habitava em plenitude. Fisionomia bem conhecida do coração dos que nele creem", diz.
sexta-feira, 3 de maio de 2024
Embraer estuda opções de desenvolver modelo para desafiar 737 da Boeing e A320 da Airbus
Com a Boeing em meio à sua mais recente crise, um de seus concorrentes menores, a Embraer, está estudando opções de desenvolver um novo modelo para desafiar o duopólio na área de grandes jatos que domina a indústria há quase três décadas.
Avaliações internas realizadas pela Embraer (BOV:EMBR3) determinaram que a empresa brasileira possui o know-how tecnológico e capacidade de manufatura para desenvolver uma aeronave de fuselagem estreita de próxima geração, sua primeira nesse segmento de mercado, segundo fontes com conhecimento da estratégia e planejamento da empresa. A Embraer tem valor de mercado em torno de US$ 5 bilhões e é especializada em jatos regionais e executivos.
O avião competiria com os sucessores do 737 MAX da Boeing e do A320 da Airbus, em uma categoria que é fundamental para ambos os fabricantes. Aprovar o projeto também representaria uma aposta potencialmente decisiva: novos programas de aeronaves normalmente custam dezenas de bilhões de dólares para serem desenvolvidos, podem levar mais de uma década da concepção até entrar em operação e, com frequência, nem chegam ao mercado.
Embora os planos sejam preliminares e uma decisão final ainda não tenha sido tomada, a empresa está dando os primeiros passos, incluindo uma avaliação sobre carga útil potencial e exigências de alcance. A Embraer também sondou possíveis parceiros financeiros e industriais, relataram as fontes, incluindo o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita e empresas manufatureiras na Turquia, Índia e Coreia do Sul.
Um porta-voz disse que embora a Embraer “certamente tenha capacidade de desenvolver uma nova aeronave de fuselagem estreita”, a empresa não tem planos para um novo grande projeto neste momento e está focada na venda dos modelos existentes.
Fonte: Dow Jones Newswires.
quarta-feira, 1 de maio de 2024
Por que o 1º de maio é feriado do dia do trabalho no mundo todo, menos nos EUA?
Ainda na época do rápido processo de crescimento industrial - entre o fim do século XIX e o início do século XX -, a falta de regulação trabalhista, a falta de definições de horas de trabalho entre indústrias e a dificuldade de diálogo entre os funcionários e os patrões fizeram com que os trabalhadores se organizassem em prol de melhores condições.
O Dia do Trabalho começou a ser comemorado no mês de setembro de 1882 nos Estados Unidos. Foi quase no fim do verão no Hemisfério Norte, no dia 5 daquele mês, que os trabalhadores de Nova York se reuniram em uma parada, com direito a desfile portando estandartes e instrumentos musicais. O objetivo era demonstrar a força e prosperidade da classe.
Só que a expansão da celebração pelo mundo teve como origem os protestos na cidade americana de Chicago. Em 1º de maio de 1886, os trabalhadores tomaram as ruas, junto da Federação Americana do Trabalho - a maior central operária dos Estados Unidos - e iniciaram um protesto que levaria dias.
Os trabalhadores, que tinham uma jornada de até 13 horas diárias por seis dias na semana, reivindicavam uma redução para oito horas de trabalho diárias, além de melhores condições nas indústrias.
O protesto tomou forma. Foi alguns dias depois, na noite do dia 4, que as tensões aumentaram. Um confronto com a polícia começou, causando a morte de 11 pessoas e dezenas de feridos.
A notícia da manifestação chegou em todo o mundo. Em 1889, a Segunda Internacional definiu na França o dia do início do protesto - 1º de maio - como o Dia do Trabalho.
– Os franceses pensam em criar a data no 14 de julho, mas o dia simbolizava a burguesia para eles. Naquele momento, isso não satisfazia os trabalhadores. A data do primeiro de maio é pensada por conta de Chicago. E, na França, começa a ser celebrado em 1890, com “feriados forçados” e paralisações – diz Renata Moraes, professora de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
A celebração começou a se repetir nos anos seguintes com a reunião de trabalhadores em paradas comemorativas, mas também manifestações por melhores condições laborais. Em 1920, foi a vez da Rússia aderir à celebração.
Data ganha força com Getúlio
Além do Brasil, cerca de 80 países consideram feriado o Dia Internacional do Trabalho, como Itália, Alemanha, Japão e Portugal.
Por aqui, a comemoração do dia foi sancionada pelo presidente Artur Bernardes em setembro de 1924, começando a valer no ano seguinte. O governo do presidente mineiro teve pequenos avanços na legislação, como assistência médica e definição de aposentadoria para alguns setores.
A decretação desses pontos foi uma consequência da grande greve geral de 1917, que começou em São Paulo. Trabalhadores paralisaram suas atividades nas fábricas reivindicando direitos trabalhistas.
Mas foi com Getúlio Vargas que o 1º de maio ganhou força.
Em 1931, a comemoração da abolição da escravidão, em 13 de maio, deixa de ser feriado, passando a folga para o Dia do Trabalho.
A partir de 1938, o Estado Novo começa a valorizar a ideia de trabalho, fazendo grandes passeatas pelo Rio de Janeiro.
– A festa passa a ter um tom pedagógico, passando um recado de exceção, valorizando quem trabalha. Vargas se utiliza dos grandes discursos, reforçando sua ideia de proximidade com o povo – diz a historiadora.
Foi em 1940 que o então presidente sancionou, naquele dia, a lei do salário mínimo. A partir dali, em todo dia 1º de maio era anunciado o reajuste do piso salarial.
Disputa pelo criador nos EUA
Nos Estados Unidos, alguns municípios reconheciam a data como Dia do Trabalho a partir de 1885. Os estados do país só começaram a reconhecer a data a partir de 1887. A aprovação da comemoração em todo país pelo Congresso Nacional aconteceu apenas em 1894.
Segundo o Departamento do Trabalho dos EUA, não se sabe ao certo quem reivindicou a fundação do Dia do Trabalho, mas dois são os prováveis autores. Ambos propuseram a comemoração no mesmo ano: 1882.
Peter McGuire foi cofundador da Federação Americana do Trabalho e sugeriu reservar um dia para criar um feriado a fim de “homenagear aqueles que esculpiram a riqueza que contemplamos”. O maquinista Matthew Maguire, que também foi secretário de um sindicato em Nova York, também fez proposta parecida.
Tempos modernos
Para a historiadora, a data centenária segue possuindo apelo para requisição de melhorias:
– Hoje, em 2024, com tantas crises no mundo do trabalho, na própria ideia de trabalho em si, como o sucateamento, ainda são positivas as manifestações do trabalhador na data.
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