
quinta-feira, 12 de dezembro de 2019
2ª instância faz do capitão desaparecido político

O debate sobre a volta da prisão de condenados na segunda instância transformou Jair Bolsonaro no segundo desaparecido político do regime bolsonarista. O primeiro a desaparecer foi o policial militar Fabrício Queiroz, o "faz-tudo" da família Bolsonaro. Quando Fernando Bezerra, líder do governo no Senado, articula a coleta de assinaturas para retardar a votação do projeto sobre prisão, a plateia fica autorizada a suspeitar que há um sósia de Bolsonaro no Palácio do Planalto.
O silêncio de Bolsonaro é estridente. O Bolsonaro legítimo, todos sabem, elegeu-se enrolado na bandeira da moralidade. Eleito, esse Bolsonaro inflexível com os maus costumes, nomeou para o posto de ministro da Justiça Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato, um personagem que o presidente enxergava como símbolo nacional do combate à corrupção. De repente, o sósia do Planalto suja com o seu silêncio a imagem daquele Bolsonaro da campanha eleitoral.
Alguém se fazendo passar por Bolsonaro decerto nomeou Fernando Bezerra para o posto de líder. Trata-se, como se sabe, de um ex-apoiador de Lula, ex-ministro de Dilma Rousseff, cliente de caderneta da Lava Jato. Agora, Bezerra se associa ao PT na articulação para retardar a volta da prisão na segunda instância. Com o nó no pescoço, o líder do governo tenta afrouxar a corda.
O pior é que Bezerra não é o único a fugir do nó. Há na Esplanada ministros investigados e denunciados. Há até um ministro condenado por improbidade. Há na casa de Bolsonaro um filho, Flávio, sob suspeita de peculato e lavagem de dinheiro. O Bolsonaro legítimo jamais silenciaria diante de um quadro assim. Alguém precisa organizar uma incursão nos porões do Alvorada. O Bolsonaro genuíno, o autêntico, deve estar aprisionado em algum recanto sombrio do palácio residencial.
Por Josias de Souza
MORO PEDIU ABSOLVIÇÃO DE SELMA ARRUDA A MINISTROS DO TSE

Conhecida como “Moro de saias”, a ex-juíza Selma Arruda perdeu o mandato de senadora na última terça-feira por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – mas tem vaga cativa no coração de seu amigo de calças. Antes do julgamento, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, visitou integrantes da Corte para tentar convencê-los de que Selma Arruda era pessoa séria e honesta.
Segundo Moro, os indícios contra ela não passavam de equívocos e, portanto, ela não merecia perder o mandato. O chefe da pasta da Justiça chegou a argumentar que, diante do perfil reprovável de boa parte dos parlamentares, a ex-magistrada era um alento no Congresso Nacional.
Mesmo diante do apelo incisivo, o TSE cassou por seis votos a um o mandato da senadora do Podemos de Mato Grosso, bem como o de seus suplentes.
A acusação era de abuso de poder econômico e prática de caixa dois nas eleições de 2018. A Corte também determinou que ela fique inelegível por oito anos.
Segundo o processo, a senadora recebeu R$ 1,2 milhão em transferências bancárias de um de seus suplentes, Gilberto Possamai, em abril e julho de 2018. Ela não teria declarado o dinheiro à Justiça Eleitoral.
Com isso, na prática, ela gastou mais do que seus concorrentes na campanha. Para a maioria dos ministros do TSE, a irregularidade contábil caracterizou caixa dois.
No julgamento, o ministro Luís Roberto Barroso chegou a demonstrar apreço pela ex-juíza. Mas, por fim, somou-se ao time favorável à cassação.
“Eu recebi diversas manifestações que exaltavam as virtudes pessoais da senadora Selma Arruda, com ênfase na sua integridade pessoal, na sua coragem e na sua trajetória como magistrada. Na verdade, no entanto, não está aqui em discussão nem seu currículo, nem sua atuação pretérita como juíza. Aqui se discute pura e simplesmente uma questão eleitoral”, explicou.
Barroso também ponderou que Selma Arruda pode ter sido alvo de um complô. Mas, ainda assim, estava convicto de que houve crime: “Eu não duvido que muitos interesses contrariados tenham se articulado para engendrar a perda do mandato da senadora conquistado nas urnas”, afirmou, concluindo: “Me parece impossível negar que esses fatos contrariam a legislação e contrariam a jurisprudência deste tribunal, caracterizando abuso de poder econômico”.
Justiça Federal manda polícia voltar a usar radares móveis em rodovias

A Justiça Federal em Brasília decidiu nesta quarta-feira, 11, revogar a determinação de que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) suspenda a utilização de radares móveis nas rodovias do país. O uso de medidores de velocidade móveis e portáteis está suspenso desde agosto por determinação do presidente Jair Bolsonaro.
Na decisão, o juiz Marcelo Gentil Monteiro, da 1ª Vara Federal Cível, atendeu a um pedido de liminar (decisão provisória) feito pelo Ministério Público Federal (MPF) e entendeu que a falta dos radares pode causar danos à sociedade.
“A urgência é patente, ante o risco de aumento do número de acidentes e mortes no trânsito em decorrência da deliberada não utilização de instrumentos escolhidos, pelos órgãos técnicos envolvidos e de acordo com as regras do Sistema Nacional de Trânsito, como necessários à fiscalização viária”, decidiu o juiz.
Em agosto, a determinação foi cumprida pela PRF após a publicação de um despacho do presidente Bolsonaro. Na ocasião, foram revogados atos administrativos sobre a atividade de fiscalização eletrônica de velocidade em rodovias e estradas federais.
Cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), sediado em Brasília.
Na Veja.com
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
Greta Thunberg é escolhida pela revista Time como ‘Pessoa do ano’ de 2019
A jovem ativista ambiental Greta Thunberg, de 16 anos, foi escolhida pela revista Time como “Pessoa do ano” de 2019. A sueca de 16 anos inspirou movimentos estudantis na luta contra o aquecimento global e na defesa da natureza.
Thunberg, como descreve a revista, não é bilionária, política ou presidente de um grupo ambiental. Seu protesto começou silencioso, apenas uma garotinha faltando a aula às sextas-feiras para se manifestar em frente ao Parlamento sueco em agosto de 2018.
Pouco mais de um ano depois, em 20 de setembro de 2019, inspirados pelo ativismo da jovem, milhões de jovens foram às ruas ao redor do mundo protestar contra os políticos que nada faziam para combater a mudança climática.
Thunberg ganhou notoriedade internacional. Discursou em fóruns internacionais, como o Fórum Econômico Mundial em Davos e na Organização das Nações Unidas, e por esta presença em lugares aglomerados de líderes mundiais, a jovem ativista começou também a atrair críticas e, por vezes, insultos.
A jovem ativista possui a síndrome de Asperger, um estado do espectro autista. A síndrome faz com que seu portador queira saber tudo sobre um determinado assunto, ao mesmo tempo em que diminui suas habilidade sociais. A revista Time descreve esse aspecto de Greta como um fator para popularidade.
“Ela não gosta de multidões; ignora papo-furado e fala sentenças descomplicadas e diretas. Ela não se impressiona com o status de pessoas célebres, tampouco demonstra interesse em sua própria fama”, diz a revista.
Por sua personalidade, Thunberg bateu de frente com os principais líderes do mundo em 2019. Sua foto encarando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sem piscar, viralizou pelo mundo inteiro. Além de Trump, fiel negacionista da mudança climática, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, teceu comentários contra a jovem ativista.
Mais recentemente, Thunberg se viu envolta em mais um ataque. Desta partindo do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que inconformado com a cobertura da imprensa quanto a uma fala da ativista sobre os indígenas mortos no Maranhão, disse estar impressionado com o espaço dado “para uma pirralha”.
Na Veja.com
Por que caso Lulinha-Oi-Vivo está com a Lava Jato? Por manipulação política

Vivemos na era do surrealismo jurídico. A 69ª fase da Lava Jato, denominada Mapa da Mina, deflagrada desta terça-feira, tem o objetivo declarado de investigar se houve repasses ilegais de recursos da Oi e da Vivo para arcar com despesas de familiares do ex-presidente Lula. Para tanto, teriam sido usadas empresas que pertencem a Jonas Suassuna e a Fábio Luiz da Silva, um de seus sócios e filho de Lula.
Vamos lá.
Qual é a função da força-tarefa, também conhecida como Lava Jato? Investigar desvios de recursos ocorridos na Petrobras.
Quando é que a 13ª Vara Federal de Curitiba é o foro para a tomada de decisões judiciais? Quando estas dizem respeito à investigação de ilegalidades ocorridas na estatal.
O que têm a ver com a dita-cuja os alvos dessa nova fase da Lava Jato? A resposta inescapável, irremediável, incontestável é esta: ABSOLUTAMENTE NADA!
Suassuna é um dos donos do famosíssimo sítio de Atibaia, que fez com que Lula fosse condenado pela segunda vez em segunda instância, acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
As empreiteiras Odebrecht, OAS e Schahin fizeram melhorias no sítio, que era usado pelo ex-presidente e seus familiares. As benfeitorias aconteceram? Sim! Ao todo, ficaram pouco acima de R$ 1 milhão. A Polícia Federal e o Ministério Público conseguiram vincular esse desembolso aos contratos que as empresas mantinham com a Petrobras? Não.
Mesmo assim, a 13ª Vara Federal de Curitiba condenou Lula a 12 anos e 11 meses de prisão, pena majorada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região para 17 anos, um mês e dez dias. Insista-se: não há uma só prova que ligue as benfeitorias à Petrobras. Portanto, a exemplo do apartamento de Guarujá, também o caso do sítio não deveria estar a cargo da força-tarefa de Curitiba. Nem era a 13ª Vara Federal seu foro natural.
O que já era, portanto, uma espetacular forçada de barra para manter Lula na berlinda se transforma agora em verdadeiro deboche.
E se desfechou, sob o silêncio cúmplice da quase totalidade da imprensa — quando não com o aplauso —, esta 69ª fase da Operação que Nunca Vai Terminar.
Se vocês lerem as reportagens a respeito, verão que se investigam pagamentos de duas empresas de telefonia — a Oi e a Vivo — à Gamecorp e à Goal Discos. A primeira é uma sociedade entre Lulinha e Suassuna; a outra pertence apenas ao segundo.
O Ministério Público Federal sustenta que não há serviços prestados às telefônicas que justifiquem os desembolsos e investiga se estes não estão ligados a decisões tomadas por Lula quando presidente da República.
Muito bem! Estou eu aqui a descartar que tenha havido alguma irregularidade? A resposta, obviamente, é "não". Mas sou jornalista, não porta-voz da PF e do MPF. É de causar espécie, claro!, que uma operação que tem como alvo um dos filhos de Lula seja desfechada apenas agora, logo depois de ele deixar a cadeia.
Sim, é verdade: a PF havia pedido mandados de busca e apreensão e a preventiva de Lulinha em junho de 2018 — dois meses depois da prisão de seu pai. O MPF solicitou, então, mais prazo. A autorização só foi dada pela juíza Gabriela Hardt, da 13ª Vara Federal, em setembro deste ano. Os procuradores não viram a necessidade de prender o filho do ex-presidente, com o que concordou a juíza. Alguns problemas operacionais fizeram com que a coisa fosse para a rua só agora.
Voltemos ao centro da questão. Por que diabos esse caso está com a Lava Jato e por que seu foro é a 13ª Vara Federal de Curitiba? Resposta: POR CAUSA DO SÍTIO DE ATIBAIA. Parece uma brincadeira meio sinistra, mas é assim.
Então notem: a causa original que diz respeito ao imóvel e que levou Lula à segunda condenação já não tem vínculo nenhum com a Petrobras. A ação penal ficou com a turma porque as empreiteiras que reformaram o sítio, afinal, tinham contratos com a estatal. A justificativa é, por si, absurda.
E por que os pagamentos das telefônicas às empresas de Lulinha e Suassuna também estão sendo investigados pela turma? Porque parte do dinheiro recebido teria sido usada por Suassuna e por Kalil Bittar, seu sócio, para comprar o sítio. Ainda que assim fosse e que houvesse uma grana carimbada das empresas de telefonia para comprar o imóvel de Atibaia, pergunta-se: O QUE ISSO TEM A VER COM A PETROBRAS?
Resposta: nada! Logo, ainda que haja o que investigar, não é uma atribuição da força-tarefa, e o foro, por óbvio, não é a 13ª Vara Federal de Curitiba.
Caso se comprovem as safadezas, que cada um arque com o peso daquilo que fez. O que não é aceitável é que MPF e Justiça manipulem escancaradamente uma investigação para manter Lula refém da Lava Jato e da 13ª Vara. Não é decente fraudar a Justiça sob o pretexto de fazer justiça.
Por Reinaldo Azevedo
Por 6 votos a 1, TSE cassa o mandato da senadora Selma Arruda

Por 6 votos a 1, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, nesta terça-feira 10, cassar o mandato da senadora Selma Arruda (Podemos-MT), conhecida como “Moro de saias” por abuso de poder econômico e caixa dois nas eleições do ano passado. Conhecida como Juíza Selma, a parlamentar aposentou-se da magistratura e concorreu ao cargo pelo PSL.
Com a decisão, novas eleições para o cargo deverão ser convocadas pela Justiça Eleitoral de Mato Grosso, cuja data ainda será definida. A cassação também atinge o primeiro e o segundo suplentes, Gilberto Possamai e Clerie Fabiana. A parlamentar pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender a cassação.
Em abril, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Mato Grosso cassou o mandato da senadora pela suposta omissão de 1,2 milhão de reais na prestação de contas da campanha do ano passado. Porém, Selma Arruda e seus suplentes recorreram ao TSE.
Na terça-feira 3, ao iniciar o julgamento do recurso da parlamentar, o relator, ministro Og Fernandes, votou pela cassação da chapa por entender que houve diversas irregularidades na campanha, como recebimentos e despesas “por dentro e por fora” que não constaram na contabilidade, além de propaganda e gastos fora do período eleitoral.
Na sessão de hoje, o ministro Luís Felipe Salomão acompanhou o relator e disse que as provas que constam no processo mostram que mais de 70% dos recursos da campanha não tiveram escrituração contábil, obrigatória por lei. Para o ministro, a irregularidade, desequilibrou a disputa com os concorrentes. “São fatos gravosos, entre tantos que foram anexados aos autos”, disse o ministro.
Em seguida, os ministros Tarcísio Vieira, Sergio Banhos, Luís Roberto Barroso, e a presidente, Rosa Weber, também votaram pela cassação.
Em seu voto, Barroso disse que há “muitos interesses” na perda do mandato da ex-juíza, mas não são esses interesses que estão sendo julgados pelo TSE. “É impossível negar que esses fatos [irregularidades] contrariam a legislação e contrariam a jurisprudência, caracterizando abuso de poder econômico”, disse.
Edson Fachin divergiu da maioria e entendeu que as irregularidades não são suficientes para autorizar a cassação.
No primeiro dia de julgamento, o advogado Gustavo Bonini Guedes, representante da senadora, afirmou que a parlamentar não praticou caixa dois e abuso de poder econômico.
“A senadora Selma Arruda foi eleita com base nas plataformas de combate à corrupção, que sempre defendeu como juíza no Mato Grosso, determinado a prisão de presidente da Assembleia Legislativa e ex-governador”, disse a defesa.
Na Veja.com (Com Agência Brasil)
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
Bolsonaro chama Greta Thunberg de ‘pirralha’ e Greta adota o apelido em provocação

O presidente Jair Bolsonaro criticou o espaço dado pela imprensa à ativista ambiental sueca Greta Thunberg, de 16 anos, que criticou o assassinato de dois índios guajajaras no Maranhão no sábado 7, e a chamou de “pirralha”. “A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço para uma pirralha”, afirmou a jornalistas na saída no Palácio da Alvorada na manhã desta terça-feira, 10.
Greta afirmou, no domingo 8 que os povos indígenas estão sendo assassinados por tentar proteger as florestas. “É vergonhoso que o mundo permaneça calado sobre isso”, escreveu a ambientalista, compartilhando uma notícia sobre as mortes dos índios.
Bolsonaro foi questionado por jornalistas se estava preocupado com os assassinatos dos indígenas. Ao responder, ele pediu ajuda para lembrar o nome da jovem ativista, para citar a declaração feita por ela sobre as mortes. Em seguida, o presidente respondeu que “qualquer morte preocupa” e que seu governo deseja “cumprir a lei”.
Logo após a declaração de Bolsonaro, Greta alterou sua conta no Twitter em uma possível provocação ao presidente (veja abaixo).

A ativista sueca Greta Thunberg: ‘pirralha’ em sua bio no Twitter Twitter/Reprodução
Os indígenas da etnia Guajajara foram assassinados no município de Jenipapo dos Vieiras, que fica a 506 km ao sul de São Luís, no Maranhão. O local fica próximo à rodovia BR-226, entre as aldeias Boa Vista e El Betel. Firmino Guajajara e Raimundo Belnício Guajajara foram mortos por tiros disparados de um carro, segundo testemunhas.
Na Veja.com
Lava Jato apura se repasses da Oi a Lulinha compraram sítio de Atibaia

Em coletiva de imprensa sobre a 69ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira, 10, procuradores do Ministério Público Federal (MPF) afirmaram que parte dos 132 milhões de reais pagos pela Oi/Telemar ao grupo Gamecorp/Gol entre 2004 e 2016 pode ter sido usada na compra do sítio de Atibaia, imóvel que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma condenação de 17 anos de prisão na Lava Jato. A Gamecorp tem entre os sócios Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do petista.
“A investigação demonstrou que recursos de má origem eram destinados ao grupo Gamecorp pelo Grupo Oi, parte desses recursos canalizados à aquisição do sítio de Atibaia. A Oi Telemar foi beneficiada no governo federal com diversas decisões administrativas, inclusive nomeações de conselheiros da Anatel, a seu favor”, disse o procurador Athayde Ribeiro Costa.
A propriedade no interior de São Paulo está no nome dos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna, sócios de Lulinha na Gamecorp e donos de empresas do Grupo Gol. A principal pista da força-tarefa na investigação sobre a relação entre o dinheiro da Oi e a aquisição do sítio são contratos entre empresas de Bittar e Suassuna com o grupo.
A PJA Empreendimentos e a Gol Discos, ambas de Jonas Suassuna, foram citadas pelos procuradores como exemplos: as empresas teriam recebido aportes da Oi em 2009 e repassado valores à conta de Suassuna, que em seguida pagou 1 milhão de reais por uma parte do sítio. Ao menos quatro empresas de Bittar que receberam da telefônica fizeram repasses à conta dele antes da compra da propriedade, ainda de acordo com os investigadores.
A Polícia Federal pediu à Justiça as prisões de Lulinha, Fernando Bittar, Jonas Suassuna e mais cinco investigados, mas as medidas não foram autorizadas.
Frequentado pela família Lula da Silva antes de ser revelado por reportagem de VEJA em abril de 2015, o sítio Santa Bárbara, em Atibaia, recebeu reformas de 1 milhão de reais feitas por Odebrecht e OAS, empreiteiras integrantes do cartel da Petrobras. As obras na propriedade levaram à abertura de uma ação penal que levou à condenação de Lula em duas instâncias. Há duas semanas, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) elevou de 12 anos e 11 meses para 17 anos a pena do ex-presidente, considerado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
A operação deflagrada nesta terça, batizada de Mapa da Mina, foi autorizada pela 13ª Vara Federal de Curitiba e apura crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa, tráfico de influência internacional e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações da polícia, o esquema era feito por meio de contratos de operadoras de telefonia, internet e TV por assinatura atuantes no Brasil e no exterior.
Segundo o MPF, as apurações indicam os pagamentos da Oi/Telemar foram realizados sem justificativa econômica “plausível”, ao tempo em que o grupo teria sido beneficiado pelo governo federal em decisões no setor de telecomunicações, como um decreto assinado por Lula que autorizou a compra da Brasil Telecom pelo Oi/Telemar — medida que já foi investigada em um inquérito arquivado.
Os procuradores da Lava Jato afirmaram que só a Gamecorp recebeu 82 milhões de reais do Grupo Oi/Telemar e citaram avaliação da Receita Federal segundo a qual a empresa não possuía mão de obra e ativos para prestar os serviços pelos quais fora contratada.
“Por que a Oi repassou 27 milhões de reais à Gol Discos por um produto que não lhe gerava resultado nenhum? O interesse era mesmo na prestação de serviços ou era outro? Não há lanche grátis. Se milhões foram pagos e se constata que estes serviços não foram prestados, o que se tem é serviços prestados que não constaram no contrato, muitas vezes de origem ilícita. Paralelamente aos repasses de milhões ao Gamecorp/Gol, o Grupo Oi/Telemar foi beneficiado com uma série de decisões político administrativas”, afirmou o procurador Roberson Pozzobon.
Na Veja.com
Bolsonaro empata com Lula no 1° turno; Moro supera com folga o petista

Enquanto Bolsonaro e seu círculo mais próximo lembram fantasmas autoritários enxergando no horizonte a possibilidade de protestos radicais como os que ocorreram nas últimas semanas no Chile (a repetição disso por aqui representa uma miragem, diga-se), Lula saiu da cadeia justamente convocando a população a ir reclamar nas ruas contra o governo. Assim, os dois extremos vão se retroalimentando, tática que parece funcionar entre boa parte dos eleitores, conforme mostra a nova rodada de pesquisa eleitoral VEJA/FSB. Ambos representam as principais forças do momento, à direita e à esquerda. O primeiro levantamento com o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de ele ter deixado a prisão em Curitiba mostra o petista empatado tecnicamente com o candidato da situação no primeiro turno, seja ele o presidente Jair Bolsonaro, seja ele o ministro Sergio Moro (Justiça). Nos dois cenários, Lula tem 29% das intenções de voto, contra 32% dos dois adversários — a margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.

A pesquisa anterior, feita em outubro, com a inclusão de Lula, ainda preso, apenas em cenário de segundo turno, mostrava que o petista já era a maior ameaça ao bolsonarismo: ele possuía 38%, enquanto Bolsonaro tinha 46%. Na mesma simulação da nova pesquisa, ambos oscilam dentro da margem de erro: 40% para Lula e 45% para Bolsonaro. A polarização espreme os candidatos de centro, que ostentam porcentuais longe de levá-los ao segundo turno — Ciro Gomes (PDT), Luciano Huck (sem partido), João Amoêdo (Novo) e João Doria (PSDB) chegam a perder para “nenhuma das alternativas” (veja o quadro ao lado). “Essa polarização interessa a Lula e a Bolsonaro, mas não à maior parte da sociedade”, afirma o cientista político Rui Tavares Maluf, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, que alerta sobre o risco de uma nova onda de abstenções e votos nulos e brancos caso o cenário persista, a exemplo do que ocorreu em 2018. “Há as polarizações boas, que contribuem para a democracia, que precisa viver um pouco do conflito. Só que existe a polarização de baixa qualidade, e é isso que estamos vivendo”, diz. Para os especialistas, será difícil alterar o quadro, uma vez que o PT lidera a oposição às agendas econômica e política do governo, enquanto o bolsonarismo se fortalece com o enfrentamento com o petismo. “A política é dual, você é contra ou a favor de um projeto. No mundo político, é muito difícil mesmo circular fora de alguma dualidade”, avalia Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria Integrada.
A possibilidade de Fernando Haddad ser de novo o candidato petista, uma vez que Lula continua inelegível em razão da Lei da Ficha Limpa, é uma esperança para outras candidaturas, já que o ex-prefeito tem a maior rejeição: 60% não votariam nele de jeito nenhum — Lula tem 56%. Moro é o que melhor aparece nesse quesito, com 35%, condição que ajuda o ministro a conseguir o feito de empatar numericamente com Bolsonaro no segundo turno e derrotar Lula com vantagem maior que a de seu chefe. Já o presidente é rejeitado por 48% do eleitorado, o que pode não ser empecilho à reeleição, como lembra Marcelo Tokarski, diretor do Instituto FSB Pesquisa. “Sempre afirmaram que um candidato com rejeição superior a 40% era inviável. Mas na última eleição Bolsonaro desconstruiu essa tese. Às vésperas do primeiro turno, ele possuía uma rejeição de quase 50%. Um ano depois, o patamar permanece igual, e ele se mantém competitivo”, afirma. Muita água ainda vai rolar até 2022, mas o bolsonarismo e o petismo vão continuar insistindo no mesmo jogo da radicalização, que rende frutos até o momento.
Na Revista Veja desta semana
Assinar:
Postagens (Atom)