sexta-feira, 5 de abril de 2013

O Gato de cada um


Esta semana me aconteceu um caso e me suscitou escrever este texto, com o titulo que à primeira vista pode ser incompreensível, mas ao final se entenderá o porquê. 

Vivemos na vida diária uma correria infinda, e pela manhã abrimos a agenda e vemos inúmeras tarefas para cumprir e ao fim do dia que cumprimos um pequeno percentual delas e, o que é pior, que amanhã já temos outras que remontarão às não feitas hoje. 

Esta situação nos aflige, além de outras como o estresse, as questiúnculas familiares, no trabalho, na escola, nas relações pessoais que nos cutucam no dia a dia, especialmente aquelas que não conseguimos nos livrar em razão de simplesmente não querermos. 

Aprendo com meu Pai, também Brasilino, que na vida deparamos com muitos problemas e têm os que não conseguimos nos desvencilhar então devemos enfrentá-los, mas dos que podemos fugir, fujamos. 

Porém, tristemente a realidade não é assim, pois cultivamos uma série de problemas que são solúveis e podem ser descartados e, no entanto, não fazemos isto e ficamos remoendo, nos afligindo, cutucando, nos causam males, mas mesmo assim insistimos em mantê-los em nossos corações e mentes. 

Aqui entra a história que me dá o título. 

Em algumas noites da semana passada surgiu em casa um gato que perturbava o sono de toda família, pois miava insistentemente na madrugada. Uma, duas noites foram assim, então me preparei com um chocalho para afugentá-lo, para que ele fosse miar em outra vizinhança, como se diz no popular. 

Porém, durante o dia deixei um quartinho que tenho numa edícula, onde teimo em fazer meus trabalhos manuais, com as portas abertas e não percebi que o danado do gatinho tinha ali se aninhado e quando sai fechei a porta e o (chato) mas coitado ficou lá dentro. 

Chegou a madrugada da terceira noite e não deu outra, foram miados e mais miados do lado dele e eu de outro lado balangando o chocalho e nada do gato parar e nem sair espantado pelo barulho que eu fazia. Desisti e fiquei horas deitado escutando seu miado. Fui vencido pelo cansaço. 

Na noite seguinte mesma ladainha, o gato miando de um lado e eu com o chocalho de outro, Fui novamente vencido. Não preciso dizer que nestas noites o chamei diversas vezes de “santo”. 

Porém, do dia seguinte logo cedo ouvi um miado e ao me aproximar da porta do “quartinho da bagunça” percebi que o gato estava lá dentro e, portanto, não podia mesmo sair, por estarem a portas e os vitrôs fechados e, por certo, nas noites seguintes continuaria a miar, a perturbar o sono e sossego de todos da casa, mas foi só eu abrir a porta e ele zupt, saiu numa carreira só e pude então, com minha família e por certo vizinhos, dormir sem perturbação. Não voltou mais. 

Assim, esta história, que é real, serve também para a nossa vida, pois como disse, em não raras vezes levamos dentro de nós uma série de problemas que nos afligem, agridem, e que poderíamos deles ficar livres com um simples “querer se livrar”, e no entanto, ficamos os remoendo, por longos períodos sofrendo por aquilo que não deveríamos sofrer. 

É como se diz: manter o ódio, a raiva no coração em razão daquilo que nos fazem é como nós tomarmos veneno para que aquele que nos fez mal sucumba. 

Manter esta situação de remoer aquilo que nos agride, nos faz mal, é fazer o que fiz com o gato, o prendi do quarto, onde ele continuaria a miar e eu de outro, irritado, balangando o chocalho para que ele fosse embora, mas ele não podia ir, pois não tinha a menor possibilidade de sair dali. 

Assim é em nossa vida, abramos a porta do “quarto da bagunça” de nossos corações e mentes, como eu abri para que o gatinho saísse num vapt, deixando que estas coisas que nos fazem mal desapareçam de nossas vidas e guardemos neles somente aquilo que nos faz bem, nos alegre, nos dê paz, harmonia e nos façam felizes. 

Mandemos o gatinho que está miando dentro de nós para bem longe de nossas vidas. 

Por Brasilino Neto

3 comentários:

Paulo Roberto disse...

Grande Brasa. Parabéns por esta crônica.

Guasca Magdolem disse...

Isto me faz lembrar uma história bem engraçada ocorrida no passado. Certa vez ao chegar nesta mesma casa a que você se refere, um segurança que você havia contratado, estava meio manguaçado e bravo com um cachorrinho que você tinha arrumado na rua, e o segurança estava esbravejando com o cachorrinho,e se não me falha a memória ele falava mais ou menos assim " o mardito cachorrinho, o mardito cachorrinho, até que você chegou bem de mansinho sem ele perceber e perguntou e ai meu chapa parece que você está meio bravo com o meu cachorrinho? e ele meio sem graça respondeu da seguinte maneira: o mardito cachorrinho bão que o senhor arrumou pra olhar a casa. Rs Rs Rs

Brasilino Neto disse...

Guasca, que bela recordação. abraços.