As ameaças de morte à juíza Patrícia Acioli não eram um segredo. Dois dias
antes do assassinato da magistrada - que aconteceu na última quinta-feira,
quando ela chegava em sua casa, em Piratininga, na região oceânica de Niterói -,
um policial civil da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) esteve na Polícia
Federal para informar que havia um plano para executar a juíza, considerada
linha-dura nos julgamentos contra PMs da banda podre de São Gonçalo.
A própria Patrícia esteve, na semana anterior ao crime, na sede da
Corregedoria da Polícia Militar, onde teria contado que estava sendo ameaçada
por policiais do 7º BPM (São Gonçalo) e do 12º BPM (Niterói).
O Disque-Denúncia recebeu, em 2009, duas informações de que ela corria risco.
Na época, as denúncias foram repassadas para a Delegacia de Repressão ao Crime
Organizado (Draco). Patrícia foi morta na noite da última quinta-feira, na porta
de sua casa, em Niterói, com 21 tiros.
(...) Um manifesto silencioso reuniu na segunda-feira cerca de 50 pessoas
usando mordaças pretas em frente ao Fórum de São Gonçalo, onde trabalhava a
juíza. O ato foi promovido pela ONG Rio de Paz, que estendeu cartazes com a
pergunta: "Quem silenciou a Justiça?"
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