Guilherme Fiuza
A faxina chegou ao ponto que os corruptos ansiosamente aguardavam: foi criada
uma Frente
de Combate à Corrupção, liderada pelo senador Pedro Simon.
É uma frente suprapartidária, com apoio da OAB, ABI e Cia. Simon disse que o
movimento será liderado pela sociedade civil.
Aos que ainda não entenderam o que isso significa, vai aqui a explicação:
À luz da atual conjuntura, considerando a dinâmica da política nacional e
ressalvadas as disposições em contrário, isso significa, rigorosamente,
nada.
Ou melhor: significa muito para os que querem continuar parasitando o Estado
brasileiro.
O bom parasita sabe que quando surge o “basta”, aquele grito difuso contra
“tudo isso que aí está”, as coisas se acalmam para o lado dele.
O “basta” enche de orgulho os indignados de plantão, espalha adjetivos
justiceiros, entope as seções de cartas com manifestos envaidecidos.
E o parasita respira aliviado: sabe que enquanto o pessoal estiver ocupado
com “tudo isso que aí está”, suas negociatas estarão a salvo.
“Tudo isso” e “nada disso” é a mesma coisa. Pedro Simon e os gladiadores do
bem tiveram a chance de lutar pela CPI do Dnit. Trocaram-na por uma “frente
contra a corrupção”.
Basta de tanta bondade.
A imprensa tirou leite de pedra. Mostrou a farra orçamentária do Dnit, a
pirataria do Turismo regida pelos afilhados de Sarney, os negócios privados no
Ministério da Agricultura – tudo muito bem embrulhado pelo projeto político que
elegeu e sustenta Dilma Rousseff.
Para que? Para tudo se acabar na quarta-feira – ou numa “frente
anticorrupção” em apoio à “faxina da Dilma”.
No Brasil, até a indignação virou caso de polícia.
E o que será que farão Pedro Simon, OAB, ABI e simpatizantes “liderados pela
sociedade civil”?
Vai aqui uma sugestão: peçam a Dilma para aumentar a mesada da UNE. Quem sabe
os estudantes de aluguel não aderem ao movimento contra tudo isso que aí
está?
Enquanto segue a pantomima ética para felicidade dos corruptos, a faxineira
torra o dinheiro do contribuinte com a companheirada e joga gasolina na
inflação.
Eis o paradoxo brasileiro: pelo visto, só o estouro da crise econômica para
quebrar o conto de fadas populista. Aí o país entenderá o quanto custa uma
faxina de verdade.
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