Josias de Souza
O ministro Wagner Rossi (foto), representante do PMDB na pasta da Agricultura, grudou-se nas manchetes como ímã em chapa de aço.
Se depender do servidor público Israel Leonardo Batista, ex-chefe da comissão de licitações da Agricultura, Rossi não descerá do topo das páginas.
Israel é o personagem que trouxe à luz a revelação de que o lobista Júlio Fróes dispunha de sala no prédio do ministério e distribuía dinheiro a servidores.
Em entrevista aos repórteres José Ernesto Credencio e Andreza Matais, Israel pronunciou frases inquietantes.
Disse que Rossi “desarranjou” o setor de licitações do ministério. Afastou servidores do quadro efetivo e nomeou terceirizados que "vão assinar o que não devem".
Contou que o lobista Fróes, chamado na pasta de “Doutor Júlio”, foi levado à sua presença pelo então número dois do ministério, Milton Ortolan.
Apeado da secretaria-geral da pasta após a denúncia, Ortolan estava acompanhado, segundo Israel, de sua chefe de gabinete, Karla Renata França Carvalho.
Pediram-lhe que providenciasse computador e mesa de trabalho para o lobista. “Entendi que fosse um assessor”, diz Israel.
"Doutor Fróes" redigiu o documento que levou Rossi a autorizar a contratação da fundação mantenedora da PUC-SP, sem licitação. Negócio de R$ 9 milhões.
Depois, reafirma Israel, o lobista distribuiu dinheiro a servidores. Rossi afastou Ortolan, amigo de 25 anos, e declarou que não conhecia Júlio Fróes.
Israel declara que uma singela análise do circuito interno de câmeras do ministério pode demonstrar que Rossi “mente.”
“É fácil o ministro […] chegar lá e dizer: ‘Realmente, não aconteceu nada’. É fácil. Mas realmente aconteceu. Se pegar as filmagens, vão ver tudo que estou falando”.
Israel declara que ele próprio estava entre os servidores aos quais o “doutor Júlio” entregou envelopes com dinheiro.
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