sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Jobim dizia cobras, lagartos e lobisomens da ex-chefe


Josias de Souza


Nelson Jobim dispunha, no Ministério da Defesa, de uma espécie de casamata particular.

Uma saleta contígua ao gabinete, com jogo de sofás e banheiro privativo.

Enfurnava-se nesse ambiente sempre que desejava degustar charutos e boas conversas.

No início do ano, após ser reempossado no cargo por Dilma Rousseff, Jobim conduziu um amigo ao refúgio ministerial.

Cubano entre os dedos, o legado de Lula discorreu sobre seu futuro na gestão Dilma. Jobim soprava fumaça e dúvidas.

Disse que se autoconcederia um prazo de seis meses. Nesse período, veria se seria possível estreitar a inimizade com Dilma.

Nas últimas semanas, à medida que o calendário achegava-se à data-limite, Jobim foi se tornando um subordinado de linguajar insubordinado.

Reaproximou-se da caciquia do PMDB, da qual se distanciara na Era Lula. Voltou a frequentar as reuniões de seu partido.

Nas conversas, dizia cobras e lagartos de Dilma.

Num dos encontros, ocorrido no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice Michel Temer, Jobim chamou a pseudochefe de “presidente-lobisomem”.

De vez em quando, disse Jobim, ela se transforma. Aparece para quem quer e quando quer. Espanta até gente do seu próprio partido, o PT.

Jobim contou ter testemunhado algumas aparições. Relatou, por exemplo, reunião em que se discutia a tramitação legislativa do projeto que cria a “Comissão da Verdade”.

Presente, a ministra petista Maria do Rosário (Direitos Humanos) teria manifestado dúvidas quanto à contribuição dela no processo.

Segundo o relato de Jobim, a presidente-lobisomem teria dito à companheira: ”Você fica calada, que é pra não atrapalhar.”

Tomado pelo que dizia de Dilma longe dos refletores, Jobim tornara-se uma demissão esperando para acontecer.

Súbito, a língua de Jobim, antes viperina apenas longe dos refletores, pôs-se a destilar veneno também em público.

O desfecho demorou mais do que o previsto. Em vez dos seis meses que mencionara no alvorecer do novo governo, Jobim durou sete meses e quatro dias.

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