segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Grupo articula candidatura de Jarbas na Câmara



Surgiu no Parlamento um movimento que tenta colocar em pé a candidatura de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) à presidência da Câmara. Ainda senador, Jarbas acaba de ser eleito deputado. Em fevereiro, ele se transferirá para a Casa legislativa ao lado. O assédio lhe chega com três meses de antecedência.

Há quatro dias, Jarbas recebeu um telefonema do deputado Silvio Costa (PSC-PE). Foi informado de que há na Câmara um grupo interessado em empinar sua candidatura à sucessão interna. Mencionaram-se na conversa vários potenciais apoiadores. Entre eles, por exemplo, Miro Teixeira (PROS-RJ).

O nome de Jarbas é mencionado como opção também nas conversas de integrantes do grupo dos partidos de oposição. PSDB, DEM, PPS, PSB e Solidariedade buscam uma espécie de terceira via. Algo que torne menos previsível a disputa, virtualmente polarizada entre o líder do PMDB Eduardo Cunha (RJ) e o candidato a ser lançado pelo PT.

No bloco oposicionista, quem sugeriu o nome de Jabas foi o deputado Marcus Pestana, vice-líder da bancada tucana e presidente do PSDB de Minas Gerais. O grupo ainda não tomou uma posição. Fará nova reunião nesta terça-feira (4).

E quanto a Jarbas, como se posicionará? Na conversa telefônica com Silvio Costa, ele soou cauteloso. Disse que, como está chegando agora à Câmara, precisa tomar pé da situação. Revelou-se disposto a conversar. Mas não assumiu nenhum tipo de compromisso.

Há cinco dias, Jarbas participou de sua primeira reunião com a bancada do PMDB na Câmara. Testemunhou a recondução de Eduardo Cunha à liderança, em decisão unânime. Diferentemente do que sucede no Senado, onde atua à margem de uma bancada majoritariamente controlada por seus desafetos Renan Calheiros e José Sarney, Jarbas sentiu-se acolhido pelos novos pares.

Em privado, o quase ex-senador comentou que se identificou com tom oposicionista dos discursos proferidos na reunião do PMDB da Câmara. Gostou inclusive da manifestação do líder Eduardo Cunha, que se distancia do Planalto e declara que é preciso barrar a ascensão do PT ao comando à da Câmara para evitar que a legenda da presidente da República se torne uma força política “hegemônica''.

Ou seja: tomado pelas palavras, Jarbas não parece enxergar numa eventual presidência de Eduardo Cunha o fim do mundo.

domingo, 2 de novembro de 2014

PROTESTO CONTRA DILMA FECHA PARTE DA AV. PAULISTA


Manifestantes fazem protesto pelo impeachment da Presidenta Dilma na tarde deste sábado (1) em São Paulo.

Cerca de 2,5 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, participam de um protesto na tarde deste sábado, 01, na Avenida Paulista, em São Paulo, que pede o impeachment da presidente Dilma Rousseff e a intervenção militar no País. Gritos como “Viva a PM” são entoados pelos manifestantes.

Há, entretanto, faixas e cartazes com as mais variadas mensagens, que vão de “Intervenção militar já” a “PT é o câncer do Brasil”. O protesto, que teve início no vão livre do Masp, segue no sentido Paraíso, e fecha parte da avenida.

O ato é escoltado pela PM, que organizou uma operação para eventuais confrontos. Dois pelotões da Tropa do Braço ficaram posicionados nas ruas laterais ao Masp. O protesto foi organizado pela internet e teve a confirmação de 100 mil pessoas.

“Se você acha que democracia é isso que temos aqui, então sou a favor da volta do militarismo”, disse o investigador de polícia, Sergio Salgi, de 46 anos. Ele foi ao protesto carregando uma faixa com os dizeres “SOS Forças Armadas”.

Para o investigador, a melhor chance de tirar Dilma no poder seria lançar a candidatura do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) à Presidência, nome apoiado por ele. “A melhor chance é só com o Bolsonaro. Mas não teve como”, disse Salgi. Em entrevistas, Bolsonaro já antecipou sua intenção de ser candidato à Presidência em 2018.

O filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro (PSC), que se elegeu deputado federal por São Paulo, participou da manifestação. O deputado discursou sobre o único carro de som do ato. “Ele (Jair Bolsonaro) teria fuzilado Dilma Rousseff se fosse candidato este ano. Ele tem vontade de ser candidato mesmo que tenha de mudar de partido”, afirmou Eduardo, ao prever que o pai terá dificuldades em lançar seu nome à Presidência pelo PP. (Yahoo)

sábado, 1 de novembro de 2014

Prostituição política (Chacoalhando o Bambuzal)


Uma republicação em homenagem aos vergonhosos “paus-mandados” travestidos de assessores.

“A política e a prostituição são os únicos empregos que não exigem experiência anterior” 

Os dicionários conceituam a prostituição como entregar-se à devassidão por dinheiro; corromper; desmoralizar, degradar, aviltar, desonrar. A prostituição pode ser definida como a troca consciente de favores, interesses não sentimentais, afetivos ou prazer. Apesar de comumente a prostituição consistir numa relação de troca entre sexo e dinheiro, esta não é uma regra.

É possível, em apertada síntese, contextualizá-la à realidade política, senão vejamos:

Etimologicamente, o termo política é oriundo da Grécia Antiga. Denomina arte ou ciência da organização, direção e administração de Nações ou Estados. Ocorre que na prática estamos longe desse ideal. É lamentável ver a degradação em escala nacional da política. As “prostitutas” da política são aqueles indivíduos que não possuem ideologias, ou qualquer respeito para com o cidadão contribuinte. São aqueles que estão sempre disponíveis para o que der e vier, desde que tenham algum ganho com isso, claro.

Decididamente, a política está transformada em autêntico “prostibulo”, onde o interesse pessoal, a ambição desmedida e a sede de poder se sobrepõem aos princípios, à integridade e ao respeito que os cidadãos merecem. Esta espiral de oportunismo, calculismo e prostituição política chegam a funcionar como uma espécie de empresa de trabalho temporário que se entrega a quem pague mais.

O dinheiro público é à base deste colóquio político. CEIs se transformam em pizza, graças a vendilhões que eleitos para representarem os cidadãos se entregam ao poder da cafetinagem. Creches são esquecidas e largadas à deterioração, água podre e suja é servida as crianças, porções da merenda são reduzidas e mal alimentam famintos alunos que tanto necessitam dela. Estranhos devassos, viciados em malfeitos, pagam, com dinheiro público, advogados para perseguirem seus críticos e usarem o judiciário para fins políticos.

Assim atuam essas “meretrizes” políticas, mesmo que temporariamente, vão sugando o bem público, ocupando cargos que jamais conseguiriam por mérito, se vendendo ao poder e ao dinheiro fácil, preocupados apenas com suas imagens, sem se importarem com o bem estar de quem realmente paga a conta.

Por fim, político sério tem que ter posição, transparência de seus atos, não vive sob o silêncio, como se não tivesse o dever de prestar esclarecimento ao povo, dará respostas sábias e convincentes até mesmo aos seus adversários.

O ATO E O FATO


Jogo jogado

Brasilino Neto
Do jogo bem jogado não se altera o resultado, é desta frase que me valho para a análise semanal, referindo-me aos resultados das recentes eleições presidenciais.

Muitas têm sido as manifestações, algumas até contundentes, desordenadas, e que sob minha ótica sequer deveriam ter sido escritas, especialmente quando vejo a afirmação de que o resultado favorável à presidente Dilma, dependeu da região Nordeste e que eles são “responsáveis” pelo que possa ocorrer com o futuro do país, entendendo que sua reeleição tenha sido um desastre.

Tenho como descabida esta afirmação, pois o jogo tinha regras claras e conhecidas, que a meu ver foram cumpridas, com as instituições funcionando normalmente, tanto que não houve qualquer impugnação, de necessidade de observadores internacionais para as eleições, e o próprio Aécio algumas horas depois da proclamação do resultado, reconheceu serenamente a derrota e saudou a presidente eleita.

O que foi feito está feito e o jogo foi bem jogado, não se podendo, desta forma concordar com os insólitos e correntes de pedido de intervenção das Forças Armadas, apresentações de listas e mais listas a serem assinadas para a promoção de impeachment da presidente eleita, e quanto menos, no momento do calor dos debates e da derrota, se falar em seccionar o pais, por ser o Nordeste “culpado”, no ponto de vistas dos que assim se manifestaram, pela eleição de Dilma.

Não podemos desconhecer ou fazer de conta que não sabemos, para assim continuarmos a poder achincalhar, como vimos fazendo, que em São Paulo a presidente eleita teve 8.488.383 votos, e na soma das regiões Sul e Sudeste teve 26.627.802, e na Nordeste 20.176.579, não se podendo assim massacrar estes Estados ou querê-los fora da República Federativa do Brasil, como “culpado” pela eleição de Dilma.

Assim não se pode dizer que foi o Nordeste quem elegeu Dilma, mas sim votos oriundos de todos os estados brasileiros, diante da disputa acirrada, posto que nas regiões Sul e Sudeste o número de votos que lhe foram dados superaram os da região Nordeste.

O jogo foi bem jogado, com as regras pré-estabelecidas e o que foi feito está feito e fim de conversa fiada.

Ademais, cabe perguntar por que tantas foram as radicais afirmações de que o Nordeste é “culpado” pela eleição de Dilma? Mas culpado do que? A regra democrática não é a de que quem tiver um voto a mais do que o concorrente é o eleito? Como podemos nos arvorar em juízes, com poderes em entender que o voto que não se alinhou com o dado a Aécio está errado? Que quem votou em Aécio está certo e quem votou em Dilma está errado?

Culpado, a meu ver, pela derrota de Aécio, é a luta intestina, visceral, a briga de ego, de vaidades que há no seio do PSDB, bastando para isto estabelecer relação entre o empenho que o ex-presidente Lula fez em favor da então candidata Dilma por todo Brasil, com o que fizeram (ou deixaram de fazer, o que é mais correto), o ex-presidente Fernando Henrique, José Serra e Geraldo Alckmin e José Anibal, políticos de peso nacional, em favor de Aécio.

O momento, sem dúvida, requer reflexão, e muita, e esperar e crer que a presidente eleita possa fazer bom governo, e caso não faça e viole os princípios constitucionais, já longe do calor da emoção e do clamor dos fatos, que sejam usados os meios legais para coibir qualquer abuso, crendo que o “Poder emana do povo e em seu nome será exercido”.

Entendo que neste momento o que precisamos ter é serenidade.

O Separatismo PeTista



Mapa das Eleições 2014Após o segundo turno das eleições, proliferou nas redes sociais uma quantidade incontável de mensagens daqueles que foram voto vencido – entre os quais me incluo – sobre a necessidade de separar o Brasil.

Sempre que ocorre uma situação como esta, em que os votos dos nordestinos e nortistas são considerados os responsáveis pela decisão, os fiéis da balança, essa possibilidade volta a ser levantada.

Entretanto, desta vez eles não foram, sozinhos, os responsáveis. O candidato Aécio Neves perdeu em estados importantes em quantidade de eleitores, como em seu próprio estado, Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

Porém, o que causou a irritação dos eleitores de Aécio, foi que a soma dos votos da região Norte e Nordeste – onde Dilma ganhou com uma média de 70% dos votos -, é de 35% dos eleitores brasileiros, muito superior à soma dos eleitores das regiões Sul e Centro Oeste que é de 21% e onde Aécio venceu, mas com uma média de 57% dos votos e, todos sabem, o Norte e o Nordeste são as regiões onde mais cidadãos são beneficiados com os programas assistenciais do Governo Federal.

Durante sua campanha irresponsável, Dilma Rousseff espalhou pelo Brasil a notícia de que se eleito fosse, Aécio acabaria com os programas sociais “Bolsa Família” e “Minha Casa, Minha Vida”e que os “sulistas” estavam chamando os nortistas e nordestinos de dependentes das “esmolas” do governo e que eram “burros” por terem votado nela no primeiro turno. Ludibriados pelas mentiras da campanha petista – e amedrontados por serem muito dependentes desses programas -, eles votaram ainda mais em Dilma no segundo turno.

Mas de um partido em que a maioria de suas lideranças foi julgada e condenada por “corrupção” e“formação de quadrilha”, não podíamos esperar nada melhor que isso e agora, seus principais líderes, que sempre dizem “nada saber” sobre o ocorrido em seus próprios governos, incitam o ódio entre brasileiros, arriscando provocar uma situação que levará décadas para ser corrigida, esquecida.

Entretanto, pior seria que nós, das outras regiões do país, entrássemos também no jogo sujo e irresponsável desses “bandidos” que, para vencer uma eleição arriscam, inclusive, promover uma cisão entre o povo brasileiro.

Na realidade, a irresponsabilidade deste partido é tão grande que, mesmo após 12 anos no poder e tanta roubalheira já comprovada, não permitiu que nossos irmãos nortistas e nordestinos tivessem acesso à educação, à informação, à saúde e ao emprego. Ao invés disso, preferiram dar-lhes“Bolsas” e “Vales”, submetendo-os às “esmolas” do Estado.

É contra isso que precisamos lutar, pois enquanto nossos irmãos forem dependentes, e sem acesso à informação, continuarão votando em seus “líderes” José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor, Severino Cavalcanti, Jader Barbalho, Edson Lobão e todos os outros “coronéis”nortistas e nordestinos que nunca lutarão por eles, mas sim por interesses próprios.

Ao invés de dividir o país, devemos uni-lo em torno de uma única causa: Fazer com que os hoje dependentes dos projetos sociais, troquem essa dependência por bons empregos, escolas e atendimento médico decente.

Os patriotas jamais pensarão em dividir o país, mas sim em exigir igualdade de oportunidades.

Multas sobre principal motivo de mortes nas estradas sobem até 900%


As punições para motoristas que fazem ultrapassagens perigosas e rachas passam a ser mais severas neste sábado (1º) em todo o Brasil. Em alguns casos, as multas ficaram 900% mais pesadas e se equiparam com a de dirigir embriagado, chegando a R$ 1.915 – o valor mais alto para uma infração de trânsito no país (veja a tabela abaixo).


Multas mais pesadas 2 (Foto: Arte/G1)É o caso, por exemplo, de ultrapassagens forçadas quando outro veículo vem em sentido oposto da via (artigo 191 do Código de Trânsito Brasileiro), que passam de R$ 191,54 para o valor máximo, além de suspensão da carteira de habilitação (CNH). Ultrapassagens ilegais ou perigosas são responsáveis pelo tipo de acidente que mais mata nas estradas federais: as colisões frontais.

De janeiro a setembro de 2014, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 5.042 acidentes deste tipo. Isso equivale a 3,99% do total de acidentes no período, mas esse é o tipo mais letal.

Segundo levantamento da polícia, as colisões frontais deixaram 2.067 vítimas fatais nos 9 primeiros meses do ano, ou 33,5% do total de mortes nas estradas. O número de mortos em batidas de frente no período subiu 5,5% em relação ao ano passado.

Colisões traseiras lideram em número de acidentes entre janeiro e setembro (37 mil), mas o as mortes causadas por elas equivalem a um quarto do número dos que morreram por causa de colisões frontais.

A segunda principal causa de mortes nas estradas é o atropelamento, que vitimou 940 pessoas até setembro.

De acordo com a PRF, as punições mais severas para determinados tipos de infração fazem parte de um pacote para reduzir as mortes no trânsito em 50% até 2020.

No total, são 11 artigos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) alterados, entre eles ultrapassar em faixa contínua (artigo 203) ou pelo acostamento (artigo 202). Neste último caso, a infração foi de grave para gravíssima - as demais já eram consideradas de maior gravidade.

Além disso, se o motorista repetir a infração em menos de 12 meses, o valor da multa dobra na segunda autuação, para até R$ 3.830,80. A mudança na legislação foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em maio deste ano, com validade após 6 meses.

Rachas
Ações de direção agressiva, como disputar corrida (artigo 173), promover competição ou participar de exibições de manobras (artigo 174), manobra perigosa, mediante arrancada brusca, derrapagem ou frenagem (artigo 175), agora são consideradas todas tão graves quanto dirigir alcoolizado, com multa de R$ 1.915.

Se for pego nestes casos, o motorista poderá ficar mais tempo na prisão, de acordo com a nova lei. A pena para participar de “racha” agora varia de 6 meses a 3 anos de reclusão – antes o limite era de 2 anos. Caso alguém fique ferido, o período passa para 3 a 6 anos. Já em caso de morte, a legislação prevê agora de 5 a 10 anos na cadeia.



DEPUTADOS QUEREM MELHORAR CHANCE DE ABSOLVIÇÃO


Henrique Alves

A iminência de serem revelados parlamentares que se beneficiaram do roubo da Petrobras, no escândalo do Petrolão, fez a Câmara dos Deputados se mexer. Seu presidente, Henrique Alves, iniciou cruzada para que deputados federais sejam julgados no plenário do Supremo Tribunal Federal e não em turmas de ministros. Acredita-se que, no plenário, deputados acusados ganham mais chances de absolvição.

Estão enrolados no Petrolão 28 deputados e 11 senadores cujos nomes ainda não foram reveladas, e todos poderão ser cassados.

A expectativa é que a revelação dos políticos e membros do governo enrolados no Petrolão fará o Mensalão parecer história de ninar.

Dilma tornou-se a herança maldita de si mesma



Ninguém deve se meter na formação do novo ministério. Escolha de ministro é atribuição exclusiva da presidente. Mas já que Dilma Rousseff hesita em optar por um dos nomes que Lula indicou para a pasta da Fazenda, por que não sugerir alguém sem vínculos com o petismo para ocupar a poltrona de Guido Mantega, com grande chance de encantar o empresariado e o mercado financeiro? Eis o nome: Armínio Fraga.

Pegou mal. Não foi ninguém da oposição ou da mídia golpista. Foi o próprio governo quem revelou que a futura presidente herdará da antecessora uma enrascada econômica. Que se agravou porque a atual presidente preocupou-se mais com a própria reeleição do que em fazer o que precisava ser feito. Acabou produzindo uma situação surreal.

No Brasil, a administração que começa sempre culpa a administração anterior pelas suas dificuldades. Nos últimos 12 anos, o culpado foi sempre Fernando Henrique Cardoso. Em janeiro de 2015, toma posse Dilma 2. Se ela não der certo, ficará em apuros. Continuar chutando FHC não faria nexo. Espancar Lula pareceria ingratidão.

Dilma poderia dizer que, no seu primeiro mandato, criou uma situação insanável, na qual nem ela mesma daria jeito. Mas isso não soaria bem. Nomeando Armínio Fraga, ela daria uma prova de sua disposição para o diálogo com a oposição. E, no futuro, poderia culpar pelo fracasso o ministro da Fazenda de Aécio Neves.

Três dias depois da abertura das urnas, o Banco Central informou que aquela inflação sob controle do horário eleitoral de fato não existia. Para tentar deter a carestia, elevou de 11% para 11,25% a taxa de juros. A diretoria do BC foi mais realista do que o Armínio.

Decorridos cinco dias da vitória de Dilma, a Fazenda exibiu uma cratera que não aparecia no Brasil da propaganda eleitoral. Sem marketing, o Tesouro fechará a conta de 2014 com um rombo orçado, por ora, em R$ 15,7 bilhões. Na surdina, auxiliares de Dilma já esboçam um ajuste fiscal à Armínio. Combina cortes profundos nos gastos e elevação das receitas, via aumentos de tributos como IPI e Cide.

Hoje, o maior receio de Dilma é o de que as agências de classificação de risco de crédito dêem uma nota vermelha para o Brasil, impondo ao país a perda do chamado grau de investimento, obtido em 2008, sob Lula. Se isso acontecer, os investidores, já um tanto amedrontados, vão se trancar no cofre.

Supremo paradoxo: para atenuar a ruína que produziu, Dilma terá de adotar as medidas impopulares que, ao longo de toda a campanha, acusou Aécio de tramar. Considerando-se os últimos indicadores divulgados pelo governo, o brasileiro tem todo o direito de supor que Armínio Fraga merece um voto de confiança. Afinal, escondida atrás de Mantega, Dilma já teve seus quatro anos como ministra da Fazenda.


Que CPI que nada! Os ianques é que vão botar na cadeia os petistas corruptos pegos no propinoduto da Petrobras



Por incrível que pareça, é a internacionalização da Petrobras que vai fazer com que a corrupção implantada pelo PT na estatal seja apurada até o fim. Sim, porque o PT é o culpado. Foi o PT que loteou a Petrobras com os demais partidos corruptos. Mas o ponto é que a Petrobras anunciou ter contratado dois escritórios de advocacia, o americano Gibson, Dunn & Crutcher e o brasileiro Trench, Rossi e Watanabe para auxiliá-la nas investigações. Ambos se apresentam como especializados em FCPA (Foreign Corrupt Practice Act), lei americana que prevê pesadas penas e multas a empresas estrangeiras com ações em bolsas americanas que sejam flagradas em corrupção. A Petrobras tem ADRs (títulos lastrados em ações) negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE). A contratação ocorreu dias depois de a Petrobras ter sido pressionada a aprofundar a apuração pela PwC (PricewaterhouseCoopers), empresa que audita seus balanços, sob ameaça de não avaliar as contas do terceiro trimestre e, em caso extremo de omissão, relatar o episódio à SEC (Securities Exchange Commission, o órgão que regula o mercado de capitais americano). Vejam só: os "malditos imperialistas" é que vão nos ajudar a botar estes socialistas corruptos na cadeia, porque lá a investigação vai fundo, não é engavetada como aqui no Brasil.

Lula, Dilma e a turma do PT querem derrubar o juiz do Petrolão


Juiz Sérgio Mouro

A história recente do Brasil tem algumas lições para o juiz federal Sérgio Fernando Moro. Relator do processo do mensalão, o ex-ministro Joaquim Barbosa recebeu do PT a alcunha de traidor e foi atacado, de forma impiedosa, antes mesmo de decretar a prisão da cúpula do partido. Autor do pedido de condenação no caso, o então procurador-geral Roberto Gurgel foi transformado por petistas e asseclas em personagem de uma CPI, sendo ameaçado, inclusive, com um processo de impeachment. Os dois resistiram, e o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os mensaleiros. Descrita como “ponto fora da curva”, a decisão, em vez de atenuar, agravou uma lógica perversa -- quanto maior o esquema de corrupção, maior o peso de certas forças para engavetá-lo. Moro agora é quem carrega as responsablidades que foram de Barbosa e Gurgel. Ele está na mira dos interesses contrariados. 

Nascido em Maringá, no norte do Paraná, Moro é um dos maiores especialistas do país na área de lavagem de dinheiro. Obstinado pelo trabalho e discreto a ponto de a maioria de seus colegas desconhecerem detalhes de sua vida pessoal, como a profissão da esposa (advogada) e a quantidade de filhos (dois). Aos 43 anos de idade e dezoito de profissão, Moro é um daqueles juízes intocáveis, incorruptíveis, com uma carreira cujos feitos passados explicam seu comportamento no presente e prenunciam um futuro brilhante. 

Moro conduziu o caso Banestado, que resultou na condenação de 97 pessoas de diversas maneiras responsáveis pelo sumiço de 28 bilhões de reais. Na Operação Farol da Colina, decretou a prisão temporária de 103 suspeitos de evasão de divisas, sonegação, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro - entre eles, um certo Alberto Youssef. No ano passado, um processo sob a responsabilidade de Moro resultou no maior leilão de bens de um traficante já realizado no Brasil. Foram arrecadados 13,7 milhões de reais em imóveis que pertenciam ao mexicano Lucio Rueda Bustos, preso em 2006.

Com sólida formação acadêmica, coroada por um período de dois anos de estudos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Moro também atuou como auxiliar da ministra do STF Rosa Weber no processo do mensalão. Com frequência, suas teses eram citadas por colegas dela nos debates em plenário.

Um roteirista de filme diria que o destino preparou o juiz Sérgio Moro para seu atual desafio - a Operação Lava Jato, que começou localmente em Curitiba, avançou por quase duas dezenas de estados e foi subindo, subindo na hierarquia política do Brasl até chegar a inimaginável situação de ter um ex-presidente e a atual ocupante do cargo citadas por um peixe grande caído na rede. Moro começou investigando uma rede de doleiros acusados de lavagem de dinheiro, mas enredou em um esquema de corrupção na Petrobras armado durante os governos do PT com o objetivo financiar campanhas políticas e, de quebra, enriquecer bandidos do colarinho branco. Lula teve o Mensalão. Dilma agora tem o Petrolão. (VEJA)