sábado, 8 de junho de 2013

Vaivém conduz Afif da política para a politicagem



Trinta dias depois de tomar posse como 39º ministro da República, Guilherme Afif Domingos (PSD) encenou o primeiro ato de um teatro anunciado. Simulou um pedido de demissão. Em despacho veiculado numa edição extra do Diário Oficial, Dilma Rousseff exonerou-o de mentirinha.

Por alguns dias, Afif deixará a Esplanada petista para sentar-se na cadeira do governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, que viaja a Paris neste domingo e só volta na quinta. Depois, Dilma renomeará Afif, ele voltará a ser o microministro das pequenas empresas e todo mundo fingirá que nada sucedeu.

O Brasil vive uma época de faltas: falta de saúde, falta de segurança, falta de educação, falta de estabilidade financeira, falta de recato. Vive-se, em contrapartida, uma fase de excessos: excesso de descaso, excesso de ruídos, excesso de violência, excesso de desfaçatez, excesso de incoerência.

O tédio talvez leve alguns poucos a imaginarem que muitos tomam o anormal por normal. Imagina-se que, em meio à rotina dos escrotínios (sic) periódicos, a plateia já nem percebe que, sem má consciência, certos personagens, por incertos, dizem hoje uma coisa e amanhã outra, sem que lhes chegue a cobrança.

No geral, é isso mesmo o que ocorre. O inaceitável por vezes é ratificado pela urna. Mas, atenção: para tudo há um limite. Mesmo as pessoas que não entendem patavina de política sabem reconhecer a politicagem quando ela aparece.

Um comentário:

Brasilino Neto disse...

Afif deixe se der um desavergonhago, assuma seu papel de homem, de cidadão, de escrúpulo e quando o Alckmin retornar de sua viagem lhe entregue o cargo e a carta pedindo sua saida da vice-governança, e depois vá a Brasilia e faça o mesmo com a Dilma, pedindo sua exoneração da Secretaria. Eu bem sei que estou aqui fazendo papel de bobo ao lhe fazer este pedido, pois desqualificado como é, isto jamais se dará, mas entendo que esta seria aomente uma forma de se redimir de tão execrável atitude que você está tomando em aceitar exercer os cargos simultanemante.