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O estudante de direito Jorge Luís do Carmo, de 28 anos, está em greve de fome para pedir que Renan Calheiros (PMDB-AL) deixe a presidência do Senado. Ele enfrentou dezessete horas de viagem de Varginha (MG) a Brasília, onde se instalou no gramado em frente ao Congresso Nacional. Desde a tarde de segunda-feira, quando chegou à capital federal, o mineiro ingeriu apenas água e uma cápsula de vitamina C.
Jorge, que também trabalha em um escritório de advocacia, tem enfrentado imprevistos – além do sol forte do Planalto Central e da água da chuva que, por vezes, invade a barraca onde ele dorme. A visibilidade não foi a esperada: nenhum parlamentar deu atenção ao protesto do estudante. Na quarta-feira, durante uma marcha das centrais sindicais que reuniu milhares de pessoas na Esplanada dos Ministérios, sumiram os 60 reais guardados pelo mineiro e a passagem de volta, marcada para quinta-feira da semana que vem – quando Jorge precisará voltar ao trabalho e à faculdade. “Tirei foto com alguns turistas e, quando voltei para a barraca, ela estava aberta”, contou. “Fui procurar o pacote com o dinheiro e ele não estava. Mandei e-mail para um parlamentar pedindo ajuda, mas até agora não tive resposta”.
Para piorar, o estudante foi despejado nesta sexta-feira: a Polícia Militar exigiu que ele desmontasse a barraca. Mesmo sem dinheiro e lugar para dormir, Jorge ainda não desistiu do protesto: promete ficar (pelo menos até quinta) no gramado em frente ao Congresso exibindo sua faixa contra Renan. Se não conseguir um lugar melhor para se instalar, ele pretende dormir sob a marquise do Ministério da Saúde: “Não é a falta de uma barraca que vai me fazer desistir desse ideal, que é – de alguma maneira – tirar Renan Calheiros da presidência do Senado”.
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