Guapimirim é um pequeno município de 51 mil habitantes, a 60 quilômetros do Rio, no sopé da Serra de Teresópolis. Desde a manhã desta quarta-feira, é também o cenário de uma vergonha nacional. Uma operação policial prendeu, de uma vez só, o prefeito, uma ex-secretária licenciada e candidata a sucessão na prefeitura, o secretário de Governo e o chefe do setor de licitações da Prefeitura. O presidente da Câmara de vereadores e dois ‘laranjas’ estão foragidos, todos acusados de participar de um esquema de desvio de verbas públicas estimado em 48 milhões de reais, ao longo dos quatro anos de mandato do prefeito Júnior do Posto, do PMDB. O partido informou, no fim da tarde, que pretende expulsar todos os envolvidos na quadrilha, entre eles Ismeralda Rangel Garcia, candidata à prefeitura. O partido não terá mais candidato majoritário no município.
A manutenção do esquema era garantida pela blindagem criada na Câmara Municipal, com o pagamento de um “mensalão” (termo usado pelos promotores de Justiça, na denúncia) a um grupo de vereadores. De acordo com o Ministério Público, vereadores recebiam entre 10 mil e 70 mil mensais para não fiscalizar contas da prefeitura. Segundo as investigações, pelo menos três vereadores – Iram Moreno de Oliveira (Iram da Serrana), Marcel Rangel Garcia (Marcel do Açougue), ambos do PMDB, e Alexandre Duarte de Carvalho, do PSC – fechavam os olhos para o roubo de dinheiro público. Em troca, recebiam parte dele. Os três vereadores estão entre os 16 denunciados por formação de quadrilha armada, fraude em licitação, corrupção ativa, coação no curso do processo e peculato.
Segundo os promotores, a quadrilha chefiada pelo prefeito da cidade, Renato Costa Mello Júnior (o “Júnior do Posto”), era integrada pela subsecretária de Governo licenciada e candidata à prefeitura de Guapimirim, Ismeralda Rangel Garcia, o presidente da Câmara dos Vereadores, Marcelo Prado Emerick (“Marcelo do Queijo”) e o atual secretário de Governo, Isaías da Silva Braga (“Zico”). O grupo desviava dinheiro dos cofres da prefeitura por meio de diversas ações criminosas. Veículos particulares em nome dos acusados eram alugados para a prefeitura a preços superfaturados, como no caso de um Kadett, ano 1993, que custava R$ 7 mil por mês aos cofres municipais.
Ismeralda seria, para os promotores, a responsável por dar continuidade ao sistema corrupto comandado por Júnior do Posto. Ela era, até esta quarta-feira, a candidata do PMDB à prefeitura de Guapimirim, com o slogan “Guapimirim Unindo Forças”. Durante a operação policial, o grupo político do atual prefeito chegou a avisar aos agentes que, a partir de 2013, a propina seria de 20 mil reais mensais, Ismeralda fosse eleita no primeiro turno. A prisão da acusada serve, agora, de munição aos adversários do partido. O ex-governador Anthony Garotinho, do PR, publicou em seu blog reproduções de material de campanha de Ismeralda com o governador Sérgio Cabral.
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