Os números não mentem: Maceió, Recife, João Pessoa, Vitória e Salvador são as
capitais mais violentas do Brasil, com os maiores índices de homicídios por 100
mil habitantes. Enquanto isso, Rio de Janeiro e São Paulo, que há dez anos
ocupavam os primeiros lugares do ranking da violência urbana, foram para as
últimas posições da lista macabra.
A velha demagogia simplista que atribui à pobreza e à desigualdade a origem
da criminalidade e da violência, ofendendo a maioria absoluta de pobres honestos
e pacíficos, sucumbe aos números e aos fatos. Como o Nordeste foi a região do
Brasil que teve maior crescimento econômico nos últimos anos, melhorando muito
as condições da população, então o crime deveria ter diminuído. Mas dobrou.
Como explicar o aumento da criminalidade paralelo ao crescimento econômico e
à ampliação das políticas sociais? Ou é a prosperidade que atrai mais crime e
violência? Pode até ser, mas São Paulo, a maior e a mais rica, foi a que mais
reduziu o crime nos últimos anos. Porque sua polícia começou a ser saneada, foi
mais bem equipada e melhor paga, e fez o que tinha que ser feito: prendeu mais
bandidos do que nunca, e a Justiça os manteve presos. Resultado óbvio: a
criminalidade caiu mais de 70% nas ruas.
No Rio de Janeiro, com a Secretaria de Segurança do coronel José Mariano
Beltrame positiva e operante, o Estado retomou territórios dominados pelo
tráfico, começou a resgatar a credibilidade da polícia, prendeu inúmeros
bandidos - e alguns policiais corruptos. O efeito foi a queda dramática da
violência na cidade, hoje muito mais segura do que qualquer capital do
Nordeste.
Seria incompetência, corrupção ou falta de dinheiro? Ou tudo junto? Mas é
suprapartidário: nas capitais campeãs da violência, os governos estaduais são do
PSDB, do PSB, do PT, do PMDB e do PDT, quase todos aliados do governo federal e
de suas verbas. E se alguém disser que no Nordeste sobrevive uma velha cultura
da violência, do machismo, do patrimonialismo e da impunidade, como em quase
todo o Brasil, vai ser acusado de preconceito e racismo - pelos políticos
nordestinos.

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