Augusto Nunes
A afrontosa operação de socorro atesta que os tentáculos estendidos ao
Judiciário pelo chefe da Famiglia já alcançaram o Superior Tribunal de Justiça,
constatou um trecho do texto aqui publicado em 29 de setembro.
Horas antes, três ministros do STJ haviam sepultado ─ vivíssimas ─ as
incontáveis provas colhidas pela Polícia Federal durante a Operação Boi Barrica,
que devassou as delinquências colecionadas por parentes e agregados do
presidente do Senado.
Menos de uma semana depois, a desembargadora federal Assusete Dumont Reis
Magalhães tratou de deixar claro que os chamados juízes do Sarney já se
dispensam de camuflar as relações subalternas com o mandarim do Poder
Legislativo.
Incluída na lista tríplice de candidatos à vaga aberta no STJ, Assusete
solicitou uma audiência a Sarney para pedir-lhe que a apoiasse na luta pelo
empregão. Feito o acerto, Madre Superiora entregou a chefia da campanha a Edison
Lobão, o Magro Velho. Segundo amigos da dupla, o ministro de Minas e Energia
reservará um bom pedaço da agenda “para ajudar a doutora Assusete com alguns
telefonemas”. Por enquanto, só Sarney e Lobão sabem quais serão os alvos das
ligações.
Em tese, cabe exclusivamente à presidente Dilma Rousseff a entrega da vaga a
um dos três concorrentes. Além de Assusete, estão na disputa Néfi Cordeiro e
Suzana de Camargo Gomes, também juízes do Tribunal Regional Federal do Distrito
Federal.
A sorte de Assusete é que foi oficiosamente revogada a exigência de “ilibada
reputação”, outrora um pré-requisito obrigatório para a chegada ao segundo
tribunal mais importante do país. Caso se ajoelhasse diante de Madre Superiora,
até um santo de feriadão cairia fora da lista.
No país dos poderosos cafajestes, o amém de Sarney pode garantir-lhe a
vitória. E, por consequência, perpetuar o controle do STJ por um senhor feudal
cuja impunidade envergonha os brasileiros decentes.
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