O Estado
de S.Paulo

Vilão do poder de compra da população, especialmente dos mais pobres, a
inflação mais alta tem engordado o caixa do governo. A elevação do Índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano tem provocado um aumento relevante
das receitas da União, o que facilita o cumprimento da meta fiscal, definida em
valor nominal fixo (R$ 127,9 bilhões).
Estimativas de economistas ouvidos pelo Estado indicam que a inflação acima
da meta neste ano deve gerar um volume adicional de receitas de R$ 6,5 bilhões a
R$ 10 bilhões.
De janeiro até setembro, a inflação oficial acumulou 4,97%. Ou seja, em nove
meses, o IPCA já ultrapassou o centro da meta para o ano - 4,5%. Em 12 meses, o
indicador apresenta alta de 7,31%. As projeções variam, mas em geral apontam
para fechamento acima de 6%, com a divergência entre os otimistas, que acreditam
que o teto da meta (6,5%) não será superado, e os pessimistas, que trabalham com
o IPCA acima do limite estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Ao encarecer os produtos, a inflação aumenta a base de tributação, ajudando a
arrecadação federal, ao mesmo tempo em que reduz o poder de compra da população.
O impacto também se dá na despesa do governo, mas esse movimento não ocorre na
mesma intensidade e velocidade, deixando no curto prazo um saldo fiscal mais
favorável para as contas públicas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário