O Estado de S. Paulo
O esquema de ataque aos cofres públicos instalados nas instituições públicas
do Amapá desviou pelo menos R$ 1 bilhão nos últimos dez anos e continua
funcionando nos dias de hoje. Os números e as conclusões são do inquérito final
da Operação Mãos Limpas da Polícia Federal, desencadeada em setembro de
2010.
As investigações, os documentos, vídeos, fotos e escutas foram analisados por
policiais e peritos ao longo deste ano e mandados ao Superior Tribunal de
Justiça (STJ).
As mais de 2 toneladas de material apreendidas mostram irregularidades
grosseiras, com indícios de crimes que revelam um ambiente de impunidade, no
qual políticos, autoridades e empresários não pareciam se importar em deixar
rastros. São desde saques milionários e mensais de verba pública tirados na boca
do caixa a superfaturamentos em todos os contratos analisados do governo
estadual e da Prefeitura de Macapá.
Suspeitas do assassinato de um policial federal e de pedofilia também
apareceram na investigação. O Estado teve acesso ao inquérito e percorreu o
Amapá na semana passada para compreender a dimensão e os efeitos dos
desmandos.
De acordo com o inquérito da PF, a inteligência do esquema consistiu
principalmente em envolver integrantes de todas as instituições amapaenses,
distribuindo cargos e dinheiro do Orçamento estadual. A base dos recursos do
Amapá - R$ 7 em cada R$ 10 - vem de repasses federais.
Foram encontrados documentos que apontam envolvimento de integrantes do
Tribunal de Justiça do Amapá, da Procuradoria-Geral do Estado, do Ministério
Público, passando pelos deputados da Assembleia Legislativa, funcionários de
todos os escalões dos Executivos estadual e municipal, incluindo governador e
prefeito, sem falar em uma ampla rede de jornalistas.
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