Combalido com o afastamento de dois assessores de confiança do gabinete,
envolvidos em suspeitas de superfaturamento bilionário em obras e cobrança de
propina no Dnit, o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, está com o
cargo por um fio e, hoje, pode ter seu "dia D" num encontro com a presidente
Dilma Rousseff.
Segundo fontes do Planalto, a presidente decidiu mantê-lo, por ora, porque
nenhuma prova cabal de seu envolvimento no suposto esquema ainda veio à tona. A
demissão poderia aprofundar a crise com outro partido aliado, o PR, ao qual
Nascimento é filiado.
— O que ainda sustenta o Nascimento é o PR . Ele só não caiu junto com os
outros quatro porque não tem uma prova cabal contra ele — disse um ministro que
acompanha o caso.
Nascimento tinha encontro agendado com Dilma amanhã, mas sua situação se
agravou com a publicação de denúncias que a presidente já conhecia, e os dois
devem conversar ainda hoje. No fim de semana, ele foi chamado, às pressas, a
Brasília.
No sábado, conversou com Dilma por telefone, quando ela determinou o
afastamento de seu chefe de gabinete, Mauro Barbosa, o assessor do ministério
Luiz Tito Bonvini, o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, e o presidente
da estatal Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, ligado ao deputado
Valdemar Costa Neto (PR-SP), secretário geral do partido que renunciou ao
mandado para não ser cassado no mensalão.
Um ministro ouvido pelo GLOBO informou que o afastamento é definitivo e que
os quatro não devem retornar aos cargos. Esse interlocutor do Planalto disse que
Dilma tem uma lista detalhada das obras, dos aditivos feitos e dos problemas nos
preços que levaram o ministro a pedir um aditivo de cerca de R$10 bilhões para
as obras do PAC.
A lista foi mostrada por Dilma na reunião que teve com Nascimento. Fontes do
Planalto confirmaram que Dilma se queixou dos preços na reunião, como mostrou a
"Veja".
Além de desagradar ao PR , outra dificuldade de Dilma para demitir Nascimento
é que o senador João Pedro (PT-AM), seu suplente, é amigo do ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva.
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