sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A comida dos lobos

Enquanto a oposição ajeita as suas luvas de pelica e decide se será “construtiva”, “propositiva”, “firme”, “vigorosa”, “vigilante” ou simplesmente boa praça, o governo ensaia seu vigor no ringue terçando luvas com aquela parte incômoda de si mesmo, ou seja, aquela outra metade que não se contenta com as sinecuras que lhe couberam na partilha, e exige outras, mais fartas.

Por enquanto, a batalha entre PT e PMDB pela disputa de cargos é o único transtorno efetivo que embaça a perfeita “pax” em que o governo de Dilma Roussef tem navegado nessa sua etapa inicial.

Ninguém, a não ser as mentes mais transtornadas, quer que a oposição saia atirando pedras, dinamitando pontes, convocando CPIs ou demolindo todas as iniciativas do governo só para delimitar territórios. Mas a tomada clara de posições a respeito de questões vitais para o País é o mínimo que se espera de uma oposição legítima. Ela recebeu 44 milhões de votos exatamente para não deixar que a continuação de um governo montado em índices estratosféricos de popularidade use esse álibi para impor ao País uma agenda que não passe pela vigilância e pela avaliação crítica de uma parte da sociedade que ela foi escolhida para representar.

Se a oposição se esforça nos bons modos para não melindrar o governo (como se nas democracias não fosse exatamente essa a sua função constitucional), os aliados não têm papas na língua e nem estão preocupados com as aparências e a boa educação. No jogo da partilha do butim, não se poupam caneladas. O deputado carioca Eduardo Cunha, que por alguma razão que escapa à compreensão do pobre e desamparado eleitor comum, controla - ou controlava - a sesmaria de Furnas, saiu a trocar tapas com o PT, em defesa de sua reserva de caça, que o aliado fraterno ameaçou tomar de volta.
 
Por Sandro Vaia

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