quarta-feira, 17 de abril de 2019

Caminhoneiros: R$ 500 mi mais R$ 2 bi. E se fala em greve; governo é refém



O presidente Jair Bolsonaro precisa conter a bagunça que vai tomando conta da gestão, com reflexos no Congresso. O governo decidiu abrir uma linha de crédito do BNDES de R$ 500 milhões para caminhoneiros e dotar o Ministério de Infraestrutura de outros R$ 2 bilhões para melhoria das estradas. Como o Orçamento está contingenciado, ninguém sabe de onde vai sair o dinheiro. A prova de que Bolsonaro virou refém da categoria é que nada menos de seis ministros foram mobilizados na segunda para dar uma resposta às reivindicações: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Tarcísio Freitas (Infraestrutura), Paulo Guedes (Economia), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Santos Cruz (Governo) e Floriano Peixoto (Secretaria-Geral). E não pensem que os ânimos serenaram. Como candidato, o presidente se fez porta-voz da greve. No poder, cedeu à pressão de forma estrepitosa. Nos grupos de Whatsapp, caminhoneiros estão chamando as medidas de "cortina de fumaça"; o financiamento seria corda para se enforcar. E se volta a falar, de novo, numa greve para o dia 21 de maio, quando aquela que quebrou as pernas do governo Temer, com apoio de Bolsonaro, completa um ano.

Capitão promete nunca mais se meter com a Petrobras


Logo da Petrobras é visto em tanque da companhia em Brasília (DF) - 30/09/2015

“Eu não quero e nem posso intervir na Petrobras”, disse Jair Bolsonaro, presidente da República, depois de intervir na política de preços da Petrobras.

A empresa, por isso, perdeu R$ 32 billhões em valor de mercado. E os últimos quatro dias de governo foram gastos por ministros e burocratas na tentativa de apagar o incêndio ateado por Bolsonaro.

O capitão borrou-se nas calças ao saber pelo ministro Onyx Lorenzoni, da Casa Civil, que os caminhoneiros estavam dispostos a decretar uma nova greve por conta do aumento do preço do diesel.

Telefonou para o presidente da Petrobras e mandou suspender o aumento. O que se viu de lá para cá foi uma correria para convencê-lo do contrário e construir uma narrativa que justificasse o recuo.

Fica combinado então que Bolsonaro não mandou suspender o aumento do diesel. Foi o presidente da Petrobras que, depois de concordar com o aumento proposto por técnicos, discordou.

Fica combinado também que o telefonema dado por Bolsonaro para o presidente da Petrobras foi só para dizer ao seu modo franco e transparente: “Você jogou diesel no meu chope”.

Tradução: sem nem de longe querer sugerir coisa alguma, Bolsonaro apenas queixou-se de o aumento do diesel ter sido anunciado na data em que celebrou seus primeiros 100 dias de governo.

Fica ainda combinado que o pacote de medidas para beneficiar os caminhoneiros já vinha sendo preparado há muito tempo. Foi só coincidência ele ter sido desembrulhado justamente agora.

Quanto ao aumento do diesel: embora ainda suspenso, voltará a valer a qualquer momento. Os caminhoneiros voltaram a dizer que nesse caso entrarão em greve.

Justiça proíbe prefeitura de submeter guardas a treino abusivo em Caçapava, SP


Decisão é do TRT-15 em Campinas — Foto: Denis Simas / TRT 15

O Tribunal Regional do Trabalho (TRT-15) manteve a decisão que impõe que a Prefeitura de Caçapava (SP) reformule os treinamentos aplicados aos guardas municipais. A decisão é do último dia 2 e apontou que os agentes foram submetidos, entre 2008 e 2013, à práticas abusivas, de risco, constrangedoras e que beiram tortura. A prefeitura nega as acusações e diz que segue a legislação nos treinamentos. (leia abaixo)

Entre as situações denunciadas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) estão a demonstração de arma de choque nos próprios guardas, exposição a gás lacrimogênio em sala fechada, além de xingamentos. A decisão é em 2ª instância e cabe recurso. A pena é de R$ 20 mil em caso de descumprimento.

A prefeitura foi alvo do MPT, por meio de ação civil pública, depois que um guarda municipal recorreu à Justiça individualmente contra as práticas nos treinamento.

A decisão prevê que não haja mais prejuízo à integridade física e psíquica dos treinandos, assim como as atividades sejam precedidas de orientações de segurança.

De acordo com a denúncia, durante os treinamentos e reciclagens, os guardas eram colocados em situações consideradas de risco. Em uma das sessões, segundo a denúncia, os agentes foram obrigados a ficar em uma sala fechada com gás lacrimogêneo enquanto cantavam o hino nacional - eles não podiam abandonar os postos.

Em outra, o treinador pedia que guardas se voluntariassem para o teste com arma de choque, em que o equipamento era usado contra os próprios profissionais. O MPT ainda apontou que eles eram submetidos a sessões de xingamentos, zombarias, escárnios e à prática de 'pagar flexão'.

O despacho do TRT considerou que a primeira decisão sobre o tema, de 2016, estava correta após questionamento da prefeitura em recurso. Em sua defesa no processo, a administração argumentou que "os treinamentos tiveram por objetivo familiarizar os guardas com situações que poderiam ser enfrentadas no desempenho de suas funções".

Sobre o uso do gás lacrimogênio, por exemplo, alegou que durante uma abordagem real "existe a possibilidade de, havendo vento em sentido contrário, aquele que o utiliza receber contra si os efeitos de tal produto", sendo necessário que a pessoa saiba como proceder de forma rápida e segura para, até mesmo, evadir-se em caso de eminente risco a sua integridade".

Na decisão do colegiado, que manteve a condenação, foi apontado que o que ocorreu "não foi preparo e treinamento, mas sim, colocação gratuita dos treinandos em contato com práticas de risco por meios invasivos e sem qualidade, que beiram à tortura, falta de profissionalismo dos responsáveis pelo curso e ausência de gestão dos superiores”.

Outro lado

A Prefeitura de Caçapava informou em nota que o curso de formação dos guardas, entre 2008 e 2010 foi feito por empresa especializada. Desde então, o município afirmou que só ocorrem aperfeiçoamentos periódicos, com foco mais teórico que prático.

Sobre a decisão, o jurídico da prefeitura afirmou que vai analisar e adotará medidas cabíveis - não foi informado se um recurso será impetrado.

Sobre as acusações de abusos, a prefeitura justificou que segue um manual da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) que trata sobre formação e aperfeiçoamento de Guardas Civis Municipais. "O município de Caçapava sempre de baseou nestas orientações. [...] para ministrar o curso, seguiu todas as diretrizes preconizadas na legislação vigente", disse na nota.

Caçapava tem atualmente 15 guardas civis, sendo sete homens e oito mulheres. Eles fazem patrulhamento preventivo em espaços públicos, posicionamentos nos horários de entradas e saídas de escolas municipais, apoio a outros órgãos públicos.

Por G1 Vale do Paraíba e Região

Inquérito e interdição a textos - O fantasma da censura



Inquérito e interdição a textos são próximos, porém distintos

Embora os casos estejam imbricados, são distintos. E conviria desfazer a confusão. A ordem expedida pelo ministro Alexandre de Moraes para que o site "O Antagonista" e a revista digital "Crusoé" retirassem do ar textos referentes a um e-mail vazado para a revista sabe-se lá por quem — ou a origem é o MPF ou é a Polícia Federal — apela a uma ordem de coisas. A investigação sobre ações orquestradas, que têm como alvo o Supremo, apela a outra. Os dois eventos estão metidos no mesmo saco de gatos pardos porque a decisão de Moraes foi tomada justamente no âmbito do inquérito, aberto de ofício, por determinação do presidente do Supremo, Dias Toffoli. Para lembrar: o vazamento se refere a uma declaração, feita pela defesa de Marcelo Odebrecht, com data do dia 3 de abril, respondendo a uma pergunta do MPF sobre quem seria o "amigo do amigo do meu pai", expressão escrita num e-mail, atenção!, de 2007. Era uma referência a Toffoli. O contexto não evidencia, sugere, aponta, acena, indica — escolham o verbo — qualquer ato ilícito. Até porque, convenham, se há coisa que transita faz tempo nos corredores da Lava Jato são as delações de diretores da Odebrecht. Qual o intuito de pinçar, agora, essa frase, encaminhar um pedido de esclarecimento e vazar a resposta contida numa declaração que, segundo a própria Procuradoria Geral da República, não integrava os autos? A resposta parece óbvia. É parte de uma orquestração que busca desmoralizar ministros do Supremo. Não é a única. Ocorre que retirar textos do ar remete sempre ao fantasma da censura.

Moraes deveria levantar interdição para evitar a contaminação

Falemos um pouco a respeito. A Constituição veda a censura prévia. Não foi o caso. Ainda assim, o mau cheiro permanece. Há outros instrumentos menos perigosos e, certamente, mais eficazes para conter e punir abusos. Até porque é de se convir que a decisão de retirar os textos do ar deu uma amplitude a seu conteúdo que antes não tinha. Os que nem haviam tomado conhecimento do caso dele se inteiraram. E com as piores tintas possíveis porque acende na imprensa o farol amarelo do risco de volta da censura, ainda que por outros meios. Desde a minha primeira manifestação a respeito, neste blog, classifiquei a decisão como um erro. Tal erro não pode nos impedir, no entanto, de apontar que o vazamento em questão é mais um de uma indústria que foi montada desde o início da Operação Lava Jato. E, como se sabe, nem Ministério Público Federal nem Polícia Federal se mobilizaram para conter o que é, obviamente, um abuso. Por intermédio desse expediente, elegem-se alvos, interfere-se no resultado de eleições, destroem-se e constroem-se reputações, cria-se, em suma, uma realidade política. Sim, é preciso reconhecer que a parceria entre a Força Tarefa e a imprensa foi e é intensa. Mas se dá de barato que criminoso é o servidor público que vazou o documento sigiloso, não o veículo que publicou seu conteúdo. E concordo com esse ponto de vista. Embora eu não inove no meu próprio pensamento quando afirmo que parcerias dessa natureza devem ser repensadas. A razão é simples: a imprensa séria, que tem compromisso com a verdade e com a ética, não pode se tornar porta-voz de vazadores que têm interesses políticos — entre outros. Até para que não se confunda com iniciativas que até podem ter a aparência de imprensa, mas que, essencialmente, não são. De toda sorte, para que uma coisa não envenene a outra, Alexandre de Moraes deveria levantar a interdição, o que não impedirá que se investigue o vazamento.

Regimento Interno do STF permite, sim, a abertura de inquérito

O Artigo 43 do Regimento Interno do Supremo permite, sim, que seu presidente instaure de ofício um inquérito, inclusive coma designação daquele que dele se encarregará. Lá está escrito: "Art. 43. Ocorrendo infração à lei penal na sede ou dependência do Tribunal, o Presidente instaurará inquérito, se envolver autoridade ou pessoa sujeita à sua jurisdição, ou delegará esta atribuição a outro Ministro." Nessa interpretação, entende-se que os ministros, atacados por uma indústria de difamação mais do que evidente, encarnam o próprio tribunal. E a interpretação é absolutamente procedente. O Regimento Interno nada fala a respeito da atuação do Ministério Público Federal, que continuará titular da ação penal quando e se houver uma, mas não detém, como sabe a procuradora Raquel Dodge, o monopólio da investigação. É por isso que, ainda que compreensível em razão das pressões que sofre, é um despropósito que ela dê por encerrada uma investigação que inexiste na PGR. Ao fazê-lo, comportou-se como o Supremo do Supremo. Pior ainda é a declaração de que eventuais provas colhidas no inquérito são nulas. Alexandre de Moraes ignorou a manifestação de Dodge, e o inquérito foi prorrogado por 90 dias. 

Escreveu Dodge: 

"Registro […] que nenhum elemento de convicção ou prova de natureza cautelar produzida [nesse inquérito] será considerada pelo titular da ação penal […]. Também como consequência do arquivamento, todas as decisões proferidas estão automaticamente prejudicadas (…) A situação é de arquivamento deste inquérito. No sistema penal acusatório estabelecido na Constituição de 1988, o Ministério Público é o titular exclusivo da ação penal, exerce funções penais indelegáveis" 

Respondeu Moraes: 

"O pleito da procuradora-geral da República não encontra qualquer respaldo legal, além de ser intempestivo [fora do prazo], e, se baseando em premissas absolutamente equivocadas, pretender, inconstitucional e ilegalmente, interpretar o regimento da corte e anular decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal".

ANPR apela a mandado de segurança e a um estranho HC coletivo

E, como se faltassem coisas inéditas nessa história, a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) entrou no próprio STF com um mandado de segurança, com pedido de liminar, para suspender o inquérito determinado por Dias Toffoli. Em outra recurso, um habeas corpus preventivo e coletivo, também com pedido de liminar, pede que se conceda salvo-conduto a todos os membros do MPF, que estariam, assim, desobrigados de prestar depoimentos. Não deixa de ser curioso: se os procuradores da República nada têm a ver com os vazamentos e se não estão envolvidos com as ações criminosas contra o Supremo, qual a razão de ser de um HC coletivo e preventivo? Nem se trata aqui de exercitar a velha máxima do "quem não deve não teme". Convenhamos: não faz sentido, ou não deveria fazer, que os procuradores se vejam como alvos da investigação. De modo não menos incompreensível, a ANPR pede também que seja devolvido todo o material apreendido pelas buscas e apreensões determinadas por Alexandre de Moraes. Procuradores da República, ainda que por meio de seu sindicato, se comportarem como advogados de privados investigados em inquérito é também um marco novo do torto estado de direito do país. A ANPR espera que, por prevenção, os pedidos fiquem com o ministro Edson Fachin, que não costuma contrariar o MPF. É ele o relator de uma ADPF, movida pela Rede Sustentabilidade, para que se levante a interdição aos textos publicados por site e revista digital. O ministro estabeleceu um prazo de cinco dias para que Moraes e a PGR se manifestem.

Como? Simples investigação viola a intimidade de procuradores?

O habeas corpus preventivo e coletivo de autoria da Associação Nacional dos Procuradores da República recorreu àquela que me parece ser uma das mais estranhas argumentações da história dos HCs. Lê-se no Item 51: "Por fim, é necessário destacar que há violação ao direito dos associados da impetrante à privacidade e intimidade, porquanto não se tem muitas notícias, principalmente em razão do fato de o Inquérito nº 4.781, derivado do ato coator, correr em sigilo, sobre eventual prisão, interceptação telefônica, busca e apreensão ou qualquer outra medida a ser determinada em desfavor dos Procuradores da República." Como? O fato de o inquérito correr em sigilo, por si, violaria a intimidade de todos os procuradores porque estariam, então, sujeitos aos procedimentos de inquérito que os doutores conhecem bem, como interceptação telefônica, busca e apreensão ou até prisão? Pergunte-se de novo: por que uma investigação sigilosa de eventuais atos criminosos cometidos contra o Supremo violaria, por princípio, a intimidade de todos os procuradores associados à ANPR?

Por Reinaldo Azevedo

terça-feira, 16 de abril de 2019

"O governo vai tomar um cacete", diz Major Olímpio sobre o salário mínimo


20.03.2019, Brasilia-DF,O senador Major Olímpio durante o lançamento da Frente Parlamentar da Segurança Pública na Câmara dos Deputados
Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Após analisar a proposta do governo de corrigir o salário mínimo apenas pela inflação em 2020, o líder do partido do presidente Jair Bolsonaro no Senado, Major Olímpio (PSL-SP), disse ter chegado a uma conclusão: "o governo vai tomar um cacete e pedir desculpas, senão trava de vez a Previdência". 

"Politicamente fiquei preocupado", disse Olímpio à Folha, por mensagem, na madrugada desta terça-feira (16). 

"Ao valor do salário mínimo, muitos custos estão atrelados, então, o governo está indo no limite do que entende possível. Mas a questão será muito polêmica, sem a certeza mesmo que hoje o governo consiga maioria", ponderou o correligionário de Bolsonaro. 

"Dentro do novo debate, com a nova política, na prática, se o centrão se juntar à oposição, o governo já toma um tremendo cacete. E ainda neste momento, o governo vai tomar um cacete e pedir desculpas, senão trava de vez a Previdência", disse o líder do PSL no Senado. 

Olímpio disse que Bolsonaro tem a seu favor apenas o PSL, sigla que chamou de Geni, prostituta que protagoniza o clássico "Geni e o Zepelim", de Chico Buarque. 
(…)

Na Folha

Jato E195-E2 da Embraer obtém certificação da Anac


Jato E195-E2 teve cerimônia de certificação nesta segunda (15) em São José dos Campos — Foto: Divulgação/ Embraer
Jato E195-E2 teve cerimônia de certificação nesta segunda (15) em
 São José dos Campos 

O jato comercial E195-E2 da Embraer obteve certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A informação foi dada pela fabricante brasileira nesta segunda-feira (15) e celebrada em evento na sede da companhia, em São José dos Campos (SP).

A certificação foi validada também pelas autoridades de aviação americana, Federal Aviation Administration (FAA), e europeia, European Aviation Safety Agency (Easa). As certificações, incluindo a da Anac, atestam o grau de confiança e o atendimento a requisitos estabelecidos em regulamentos mundiais de aviação.

O modelo é o segundo da nova geração de aviões E-jets , lançada em 2016 a ter a operação autorizada por órgãos regulatórios. O primeiro foi o E190-E2, cujo lançamento das operações foi com a companhia Widerøe em abril do ano passado.

O E195-E2 é a maior aeronave comercial já fabricada pela Embraer evinha passando por testes durante todo o ano passado.

O primeiro cliente do modelo, que vai receber a primeira aeronave no segundo semestre deste ano, é a aérea Azul - que comprou 21 jatos. A carteira de pedidos firmes do E195-E2 conta com 111 aeronaves a entregar.

Sobre o E195-E2

A cabine da aeronave, com um corredor, pode ser configurada com 120 assentos em duas classes ou até 146 em classe única.

O modelo promete economia de até 24% no consumo e de 20% nos custos com manutenção, em relação ao modelo anterior.

Por G1 Vale do Paraíba e região

PF cumpre mandados em inquérito sobre fake news e ameaças contra o STF


Julgamento do habeas corpus de Lula no STF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou buscas em dez endereços de alvos do inquérito que apura supostas “fake news, denunciações caluniosas, ameaças e infrações” contra a Corte. Nesta terça-feira, 16, a Polícia Federal está vasculhando oito locais.

Um dos alvos de buscas é o general da reserva Paulo Chagas. A investigação suspeita que mensagens publicadas pelo militar estariam difundindo crimes contra a honra dos ministros e o fechamento do STF.

Em conversa exclusiva com o Radar, Chagas disse que “já estava esperando” que pudesse vir a ser alvo da investigação. “Levaram um laptop. Foram muito gentis comigo. O delegado me ligou. Não tenho o que esconder. Sem dúvida tem a ver com as minhas postagens”, disse o general, que em 2018 concorreu ao governo do Distrito Federal aliado ao presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A investigação foi aberta em março pelo presidente do Supremo, o ministro Dias Toffoli. O inquérito segue um formato atípico: foi aberto e é conduzido pelo próprio Judiciário, em sigilo. Indicado por Toffoli como relator, Alexandre de Moraes tem poder para determinar os rumos do inquérito, incluir e ouvir testemunhas e decidir quais mandados serão cumpridos contra quais pessoas.

Nesta segunda-feira 15, Moraes, atendendo a um pedido de Toffoli, obrigou dois veículos digitais a retirarem do ar uma reportagem que citava uma possível referência do empresário Marcelo Odebrecht ao presidente do STF em um e-mail interno da empreiteira.

A decisão foi criticada por entidades políticas e de jornalismo, como a Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que identificaram na decisão de Moraes uma censura ao trabalho jornalístico dos veículos Crusoé e O Antagonista.

(Com Estadão Conteúdo)

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Supremo ordena que site e revista digital retirem reportagem do ar. Entenda



O ministro Alexandre de Moraes (foto), do STF, que preside o inquérito aberto pelo Supremo para apurar fake news e a indústria de difamação contra membros do Supremo, determinou que textos publicados pela revista digital "Crusoé" e pelo site "O Antagonista" sejam retirados do ar sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Site e revista eletrônica foram notificados nesta segunda. Dadas as informações que há até agora, parece tratar-se de um erro, que só amplia o mal que tentou conter. Vamos ver.

"Crusoé" e "O Antagonista" publicaram textos segundo os quais a expressão "amigo do amigo de meu pai", empregada pelo empresário Marcelo Odebrecht num e-mail de 2007, refere-se ao agora ministro e presidente do Supremo, Dias Toffoli. A troca de mensagens é de 2007, quando ele era advogado-geral da União. Nada sugere transação ilícita. A informação, no entanto, compõe o fermento dos que defendem a tal CPI intitulada "Lava-Toga". Nas redes sociais, Toffoli passou a ser tratado como membro de um esquema criminoso. Na sexta-feira, a Procuradoria-Geral da República divulgou uma nota em que se lê o seguinte:

"Ao contrário do que afirma o site 'O Antagonista', a Procuradoria-Geral da República (PGR) não recebeu nem da Força-Tarefa Lava Jato no Paraná e nem do delegado que preside o inquérito 1365/2015 qualquer informação que teria sido entregue pelo colaborador Marcelo Odebrecht em que ele afirma que a descrição "amigo do amigo de meu pai" refere-se ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli".

A Constituição proíbe a censura prévia, o que não foi o caso, note-se, mas o próprio Supremo tem estendido esse veto à divulgação de informações em qualquer modalidade. Decisões judiciais que determinam a retirada de circulação de reportagens e comentários têm sido derrubadas pela própria Justiça.

No caso, parece haver o entendimento de que a divulgação faz parte de uma arquitetura que tem a intenção deliberada de atingir a honra do presidente da corte. Sempre reiterando que a decisão é contraproducente e ofende, em princípio, o que o próprio tribunal entende ser um valor constitucional, há, no conjunto da obra, procedimentos que são um tanto heterodoxos.

As informações prestadas por Marcelo Odebrecht sobre quem era o "amigo do amigo do meu pai" estão num esclarecimento enviado à Polícia Federal no dia 3 passado. É, portanto, coisa recente. E, como resta evidenciado, não foi enviado à Procuradoria-Geral da República.

O tal "esclarecimento", no entanto, em que se assenta a reportagem desapareceu dos autos desde o dia 12, como se nota na procura abaixo. E, se não está nos autos, não existe. É o tal "PET 2" que aparece ali.


Então ficamos assim: houve um "esclarecimento" prestado por Marcelo Odebrecht no dia 3 deste mês afirmando ser Toffoli o "amigo do amigo do meu pai" que aparece num e-mail de 2007. Tal afirmação não está associada a nenhuma conduta irregular do agora ministro, mas serviu inequivocamente, pouco importa a intenção de quem divulgou o conteúdo, a ataques em série à honra do ministro. A PGR diz desconhecer o documento, que já esteve nos arquivos da Polícia Federal de Curitiba, mas de lá havia sumido no dia 12. O ministro Alexandre de Moraes entendeu, tudo indica, que isso caracteriza emprego de fake news para atacar o Supremo e determinou que textos a respeito sejam retirados do ar.

Conclusão:

1: se há alguma ação criminosa que envolve a divulgação do documento, que se faça a apuração e que os responsáveis sejam punidos;
2: retirar o texto do ar antes que se conheçam, então, os detalhes de eventuais procedimentos ilegais ou diligentemente difamatórios contradiz decisões anteriores do próprio Supremo.

Por Reinaldo Azevedo

Bolsonaro ganha um apelido no centrão: ‘Dilmo’


Resultado de imagem para Dilmo
Tal qual!!!

O estilo desordenado de Jair Bolsonaro rendeu-lhe um apelido no Congresso. Em privado, parlamentares de legendas do chamado centrão começaram a chamá-lo de "Dilmo". Por trás da comparação burlesca com a ex-presidente petista Dilma Rousseff esconde-se um fenômeno grave: um pedaço do Legislativo perdeu o respeito pelo chefe do Executivo. 

A avaliação de Bolsonaro dividiu o centrão em dois subgrupos. Uma ala considera o capitão igual a Dilma. "Tem o mesmo rei na barriga", afirma um deputado do PR. Outra banda sustenta que ele é pior. "Dilma era uma falsa gerentona, dizia entender de economia. Bolsonaro é o autêntico desgoverno, que admite sua inépcia econômica", declara um deputado do PP. 

Unido, o centrão tem potencial para atrapalhar o governo. Em alianças pontuais com as legendas de oposição, o grupo pode impor derrotas em série ao Planalto. Por isso, as referências ao "Dilmo" são mais frequentes em ambiente privado. Decisiva na aprovação do impeachment de Dilma, a turma do centrão não quer melindrar o PT, que volta a ser um aliado em potencial. 

A animosidade do miolo do Congresso com Bolsonaro transforma o diálogo que o Planalto diz estar travando com os partidos políticos numa nova definição de papo furado. A causa do mal-estar não é a hipotética aversão do governo ao toma-lá-dá-cá. A questão é que a distância entre o que Bolsonaro se dispõe a dar e aquilo que o centrão deseja tomar é grande. E não se chegou a um meio-termo. 

O resultado prático é que o governo não consegue formar algo que se pareça com um bloco de sustentação parlamentar. A consequência é que Bolsonaro sujeita-se a emboscadas que conspiram contra a estabilidade de sua gestão. 

Tramam-se maldades em série contra o capitão: desde o sequestro de parte do Orçamento, por meio de emendas impositivas, até a derrubada de decretos presidenciais, passando pela hipótese de lipoaspiração precoce da reforma da Previdência já na Comissão de Constituição e Justiça.

Normalmente, o colegiado deveria se ater à análise sobre a constitucionalidade da proposta, deixando o debate acerca do mérito para uma comissão especial formada com esse propósito. Mas o centrão opera numa faixa do Legislativo em que o normal é a anormalidade.

Por Josias de Souza

Bolsonaro acaba com política de aumento real do salário mínimo



O governo do presidente Jair Bolsonaro propôs nesta segunda-feira (15) que o salário mínimo seja corrigido apenas pela inflação em 2020. Na prática, a medida, que depende de aval do Congresso, encerra a política que permitia ganhos reais aos trabalhadores, implementada nas gestões do PT e em vigor até este ano. 

A proposta que traça as diretrizes para o Orçamento do ano que vem, enviada nesta segunda ao Legislativo, prevê que o piso de salários no Brasil será de R$ 1.040 a partir de janeiro de 2020, o que representa uma correção de 4,2% referente à estimativa para a variação da inflação. Hoje, o valor está em R$ 998.​ 

No texto do projeto da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2020, o governo ainda ampliou a previsão de rombo fiscal para o ano que vem, dos atuais R$ 110 bilhões de déficit para um resultado negativo de R$ 124,1 bilhões. A política de valorização do salário mínimo foi implementada no governo Lula (PT) e transformada em lei por sua sucessora Dilma Rousseff (PT). A regra, entretanto, teve validade encerrada em janeiro deste ano. 
(…) 

Leia a íntegra de Bernardo Caram na Folha