quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Fachin nega recurso de Lula para manter candidatura


Edson Fachin nega pedido de Lula

O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou na manhã desta quinta-feira 6 um pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que ele mantivesse a sua candidatura a presidente da República.

Fachin entendeu que a liminar do Comitê de Direitos Humanos da ONU incide apenas na esfera eleitoral e não no processo criminal, esfera na qual a defesa do ex-presidente o acionou para analisar o caso.

“O pronunciamento do Comitê dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas não alcançou o sobrestamento do acórdão recorrido, reservando-se à sede própria a temática diretamente afeta à candidatura eleitoral”, afirmou o magistrado, único a votar pelo acolhimento do documento em favor do registro da candidatura, durante o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última sexta-feira.

A defesa deve recorrer da decisão de Fachin, que decidirá se pauta o recurso no Plenário ou na Segunda Turma do Supremo, onde as chances de Lula são consideradas maiores.
Ofensiva jurídica

Esse é um dos três pedidos apresentados em menos de 24 horas pela defesa do ex-presidente. Os outros dois estão relacionados e são questionamentos diretos à decisão do TSE de negar a candidatura.

Um é o recurso extraordinário, que neste momento ainda está com a presidente da Corte, Rosa Weber, para analisar se ele pode ser enviado ao STF. Como a ministra decidiu conceder três dias para que os autores das contestações da candidatura para responderem ao recurso, essa etapa do deve ser superada no final da semana.

Até lá, a defesa apresentou o outro, uma cautelar pedindo para poder retomar as atividades de campanha do ex-presidente enquanto o recurso não é analisado. Esse pedido está sob os cuidados do ministro Celso de Mello, que ainda não deliberou sobre o tema.

Na Veja

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Segundo IBOPE Bolsonaro perde no segundo turno para Ciro Gomes, Geraldo Alckmim e Marina Silva e empata na margem de erro com Haddad


Resultado de imagem para Bolsonaro,Ciro, Marina e Alckmin

A pesquisa Ibope foi encomendada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela TV Globo e ouviu 2.002 eleitores entre os dias 1 e 3 de setembro.

O Ibope divulgou na noite desta quarta-feira, 5, uma nova pesquisa eleitoral com números para a corrida à Presidência da República na eleição de outubro. O levantamento, primeiro a ser divulgado pelo instituto de pesquisas depois do início do horário eleitoral no rádio e na TV e da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de barrar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem como candidato do PT o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e mostra Jair Bolsonaro (PSL) na liderança.

O deputado federal tem 22% das intenções de voto, seguido por Marina Silva(Rede) e Ciro Gomes (PDT), ambos com 12%, Geraldo Alckmin (PSDB), com 9%, e Haddad, com 6%. Na pesquisa anterior do instituto de pesquisas, divulgada em meados de agosto, Bolsonaro tinha 20%; Marina, 12%; Ciro, 9%; Alckmin, 7%; e Haddad, 4%.

Em seguida no levantamento divulgado nesta quarta-feira, aparecem Alvaro Dias (Podemos) e João Amoêdo (Novo), cada um com 3% da preferência, Henrique Meirelles (MDB) com 2%, Guilherme Boulos (PSOL), Vera Lúcia (PSTU) e João Goulart Filho (PPL), cada um com 1%. Cabo Daciolo (Patriota) e José Maria Eymael (DC) não pontuaram.

Brancos e nulos somam 21% e eleitores indecisos ou que não responderam são 7%.

A pesquisa Ibope foi encomendada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pela TV Globo e ouviu 2.002 eleitores entre os dias 1 e 3 de setembro. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR‐05003/2018.

Segundo turno

Nas simulações de segundo turno feitas pelo Ibope, Jair Bolsonaro é derrotado por Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Marina Silva e só vence numericamente, dentro da margem de erro, Fernando Haddad.

Contra Ciro, o candidato do PSL tem 33% das intenções de voto, contra 44% do adversário, com 19% de brancos e nulos e 4% de indecisos e eleitores que não responderam.

Em uma disputa com Alckmin, Bolsonaro tem 32%, ante 41% do tucano, com 23% de brancos e nulos e 4% de indecisos e eleitores que não responderam.

Quando a adversária é Marina, Jair Bolsonaro tem 33% e ela, 43%. Neste cenário, votos brancos e nulos somam 20% e indecisos e eleitores que não responderam são 3%.

Diante de Haddad, Bolsonaro tem 37% e o petista, 36%. Brancos e nulos são 22%, enquanto indecisos e eleitores que não responderam somam 5%.

Rejeição

O desempenho de Jair Bolsonaro no segundo turno, sendo derrotado por quase todos os oponentes, pode ser explicado a partir dos números da rejeição aos candidatos ao Palácio do Planalto. O deputado federal é o mais rejeitado pelo eleitorado, segundo a pesquisa, com 44% respondendo que não votariam nele de jeito nenhum.

Em seguida vêm Marina Silva, com 26%; Fernando Haddad, com 23%; Geraldo Alckmin, com 22%; Ciro Gomes, com 20%; Henrique Meirelles, com 14%; Cabo Daciolo, com 14%; José Maria Eymael, com 14%; Alvaro Dias, com 13%; Guilherme Boulos, com 13%; Vera Lúcia, com 13%; João Amoêdo, com 12%; e João Goulart Filho, com 11%. Conforme o Ibope, 1% respondeu que poderia votar em todos e eleitores que não sabem ou não responderam somam 10%.

No quesito rejeição, a soma dos valores é superior a 100% porque o eleitor pode indicar mais de um candidato em quem não votaria em nenhuma hipótese.

Na Veja.com

Policiais presos e acusados de integrar uma quadrilha voltada à extorsão são próximos de Flávio Bolsonaro; são, segundo ele, “nota mil”


Flávio (à esq.) os policiais “nota mil”, que estão presos, e o Bolsonaro-em-chefe. Proximidade óbvia

Dois policiais militares que participavam de agendas da campanha do deputado estadual Flávio Bolsonaro, candidato ao Senado pelo PSL do Rio nas eleições 2018 e filho do presidenciável Jair Bolsonaro, foram presos na semana passada na Operação Quarto Elemento. A ação, desencadeada pelo Ministério Público Estadual, investiga suposta quadrilha de policiais especializada em extorsões. Os irmãos gêmeos PMs Alan e Alex Rodrigues de Oliveira estavam entre os 46 suspeitos que tiveram prisão decretada pela Justiça.

Nas últimas semanas, eles acompanharam Flávio em agendas na zona oeste da capital fluminense. Segundo integrantes da campanha, os irmãos policiais atuavam dando apoio de segurança nos eventos de campanha do candidato ao Senado.

Alan e Alex se aproximaram do PSL por meio da irmã, Valdenice de Oliveira Meliga. Ela é uma das assessoras do deputado estadual e tesoureira do partido no Rio. A funcionária está nomeada no gabinete de Flávio como cargo de confiança na Liderança do PSL. Em junho, recebeu salário de R$ 6.490.

A prisão dos PMs causou mal-estar na campanha de Flávio. Um dos motes dos Bolsonaro é o enfrentamento dos criminosos. O presidenciável e seus filhos (além de Flávio, o vereador no Rio Carlos Bolsonaro e Eduardo, deputado federal por São Paulo) defendem rigor no combate aos criminosos.

Nesta terça-feira, 4, Flávio negou, pessoalmente e por nota, que os irmãos integrassem a sua campanha. Valdenice, porém, afirmou ao Estado que os dois atuavam como voluntários em agendas do parlamentar. Ela disse que os irmãos são inocentes (mais informações abaixo).

Em foto postada em uma rede social, o deputado estadual e o candidato à Presidência aparecem na festa de aniversário dos policiais, no bairro de Campo Grande. “Essa família é nota mil”, escreveu Flávio em sua página no Instagram, ao comentar a imagem.

Outros três policiais denunciados na Operação Quarto Elemento foram homenageados por Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio. Os PMs Leonardo Ferreira de Andrade e Carlos Menezes de Lima e o policial civil Bruno Duarte Pinho receberam “Moções de Louvor e Congratulações” por “serviços prestados à sociedade”. Ganharam as honrarias por ações policiais bem-sucedidas que empreenderam ou das quais participaram.

Acusações

Segundo denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio, a suposta quadrilha de policiais extorquia dinheiro de pessoas que estavam em situação ilegal. Segundo o MP, os suspeitos “estavam reunidos em torno de um objetivo comum: identificar possíveis infratores da lei, seu potencial econômico e realizar batidas policiais contra eles, sempre com a intenção de flagrá-los cometendo crimes ou irregularidades administrativas”.

“A partir dessa situação, em vez de seguir a lei, os denunciados exigiam uma quantia em dinheiro para que os infratores não fossem presos ou tivessem as mercadorias apreendidas e sofressem os devidos procedimentos legais”, afirma o Ministério Público.

Os crimes investigados na Operação Quarto Elemento são organização criminosa, corrupção, extorsão, concussão e peculato, entre outros. Os gêmeos Alan e Alex, segundo o MP, eram sócios em um loteamento irregular na zona oeste. Eles são suspeitos de constituir, integrar, financiar e promover organização criminosa.

Em janeiro deste ano, Alan já havia sido preso por agentes da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança do Rio por outra acusação. Ele estaria envolvido na extração e venda ilegal de barro em um terreno em Paciência, na zona oeste do Rio, e também em vendas de um loteamento ilegal.

Já os policiais militares Leonardo Ferreira de Andrade e Carlos Menezes de Lima, homenageados por Flávio, segundo o MP, eram “X9” (informantes) do grupo. Também davam, de acordo com os promotores, os chamados “botes” – quando os policiais realizavam as operações de extorsão.

Em uma dessas ações, conforme a investigação, Leandro e outros policiais estiveram em fevereiro do ano passado em um frigorífico em Vista Alegre. No local, constataram a existência de alimentos em condições impróprias para consumo (fora de validade e com padrões de higiene questionáveis). Exigiram R$ 30 mil para que o dono não fosse preso em flagrante.

Meses depois desta ação, em setembro, Leonardo recebeu uma “Moção de Louvor e Congratulações” na Alerj, proposta por Flávio Bolsonaro.

“São incontáveis as páginas de glórias e sacrifícios que atestam o compromisso de seus valorosos integrantes no sentido de estarem sempre prontos, não importando os custos pessoais, a oferecer ao povo do Rio de Janeiro a segurança e a paz social necessárias a seu desenvolvimento e vida harmoniosa”, disse o deputado na ocasião.

Flávio Bolsonaro nega vínculo com policiais
O deputado estadual Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) negou ter ligações com os policiais militares Alex e Alan Rodrigues de Oliveira, que participavam de sua campanha e foram presos na Operação Quarto Elemento. “Eles são irmãos da Valdenice (de Oliveira Meliga), que é um dos pilares do nosso trabalho de política aqui no Rio. Mas os irmãos dela não trabalham comigo. De vez em quando aparecem (nas agendas), mas não tem vínculo nenhum comigo”, disse o deputado, ao ser questionado nesta terça-feira pela reportagem.
(…)

Reitor responsável pelo Museu faz pose de quem nada teve com o incêndio


Gestão do reitor Leher, que exibe boné do MST,
tem média de um incêndio por ano. 

O ativista Roberto Leher, reitor da Universidade Federal do Rio (UFRJ), reapareceu em Brasília, nesta terça (4), fazendo a melhor expressão de quem nada teve com a destruição do Museu Nacional. Só que não. Desde a posse, em julho de 2015, foi o terceiro incêndio sob a atual gestão na UFRJ. E as tragédias não ocorreram por acaso: essa turma tem se mostrado incapaz até de cumprir a recomendação legal de criar e manter um grupo de brigadistas para prevenção e combate ao fogo.

A atual gestão da UFRJ deixará a tristíssima memória dos incêndios na Reitoria, no dormitório dos alunos e no Museu que virou cinzas.

O reitor e seus prepostos foram incapazes até de articular convênio com os Bombeiros, sem custos, para proteger o Museu de incêndios.

De janeiro a julho deste ano, o reitor recebeu R$213 mil em salários, mais que o dobro dos R$98 mil repassados à manutenção do Museu.

Antes que lembrassem sua responsabilidade na tragédia, o reitor partiu para o ataque ainda na noite do incêndio. Atacou até os bombeiros.

 A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

PT entra com representação criminal contra Bolsonaro no STF por crime de ameaça


Candidato disse em campanha que vai 'fuzilar petralhada do Acre'

A coligação liderada pelo PT entrou nesta segunda-feira, 3, com uma representação criminal, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), contra o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) por ameaça, e também com notícia crime por injúria eleitoral e incitação ao crime. O ministro Ricardo Lewandowski será o relator da representação.

A representação do PT contra Bolsonaro se baseia em discurso proferido pelo candidato do PSL à Presidência da República durante comício Acre, na semana passada. Segurando um tripé como se fosse uma arma, Bolsonaro diz: “Vamos fuzilar a petralhada toda aqui do Acre”.
“Vamos botar esses picaretas para correr do Acre. Já que eles gostam tanto da Venezuela, essa turma tem que ir para lá. Só que lá não tem nem mortadela, galera. Vão ter que comer é capim mesmo”, diz o candidato em vídeo.

A coligação pede que Bolsonaro seja processado e condenado pelos crimes de injúria eleitoral e ameaça e que a coligação do candidato seja investigada pelos fatos.

“Isto é, por mera divergência política, entende o candidato ser necessário o fuzilamento de toda uma parcela da população, o que representa, a um só tempo, os cometimentos dos crimes de ameaça e incitação ao crime”, afirmam os advogados da coligação.

Para o PT, a situação é ainda agravada pelo fato de o episódio ter ocorrido na “presença de várias pessoas, o que facilita a divulgação destas ofensas”.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Bolsonaro entra na justiça contra campanha de Alckmin, mas tiro sai pela culatra



O ministro do Tribunal Superior Eleitoral Sérgio Silveira Banhos negou representação do deputado Jair Bolsonaro (PSL), candidato à Presidência, contra propaganda do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao Palácio do Planalto que traz o slogan: ‘Não é na bala que se resolve’.

Na inserção, projéteis atingem objetos que simbolizam o ‘desemprego’, o ‘analfabetismo’, a ‘fome’ e outros. Na último segundo, uma bala segue em direção à cabeça de uma criança. “Não é na bala que se resolve”, diz a legenda – em uma clara alusão ao discurso do candidato Bolsonaro.

A defesa de Bolsonaro alegou à Corte que a introdução ‘visa atacar diretamente’ o deputado ‘no intuito de desequilibrar a disputa eleitoral, ofendendo a lisura e a moralidade do pleito’.

Dessa forma, pediu a ‘concessão de medida liminar para determinar a suspensão imediata da veiculação na televisão e nas páginas oficias do representado no Facebook e no Twitter da inserção impugnada, até o julgamento final da demanda’.

No entanto, para o ministro Sérgio Silveira Banhos, ‘não se verifica irregularidade capaz de denegrir a imagem’ do deputado. (…)

Por Luis Vassalo, no Estadão.

Há cinismo sobre as cinzas do Museu Nacional


Incêndio de grande proporção atingiu Museu Nacional,  na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro

O retrato de uma sociedade é o resultado da análise de tudo o que sobra para ser desenterrado muitos anos depois. No futuro, quando a arqueologia fizer suas escavações à procura de sinais que ajudem a entender a decadência do Brasil, encontrará em meio aos escombros deste domingo, dia 2 de setembro de 2018, evidências de que o cinismo é o máximo de sofisticação filosófica que a civilização foi capaz de alcançar nesta terra de palmeiras. Só o cinismo aproximará o Brasil da verdade.

Numa velocidade de truque cinematográfico, as chamas consumiram a história armazenada durante 200 anos no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, no Rio. Os arqueólogos encontrarão uma camada de oportunismo político sobre as cinzas. Eles se espantarão com os resíduos de uma nota oficial de Michel Temer.

Lerão no documento: ''Incalculável para o Brasil a perda do acervo do Museu Nacional. Hoje é um dia trágico para a museologia de nosso país. Foram perdidos duzentos anos de trabalho, pesquisa e conhecimento. O valor para nossa história não se pode mensurar, pelos danos ao prédio que abrigou a família real durante o Império. É um dia triste para todos brasileiros''.

Os pesquisadores descobrirão que o mesmo Temer dera de ombros para a tentativa do diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, de ser recebido no Planalto. Queria conversar sobre as ruínas da instituição e a necessidade de reformas. Pleiteava a ocupação de um terreno da União. Nele, instalaria a administração do museu, para que o prédio histórico pudesse ser restaurado. Mas Alexander não conseguiu passar “do cara do cafezinho”.

Os arqueólogos gargalharão quando derem de cara com uma manifestação da senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT: “O museu é mais uma vítima do golpe, da turma do austericídio.” Constatarão que o torniquete financeiro que asfixiou o museu foi agravado sob Dilma Rousseff, a quem Gleisi servira como ministra-chefe da poderosa Casa Civil da Presidência.

Desde o ocaso do primeiro mandato de Dilma que o Museu Nacional, subordinado à Universidade Federal dio Rio, não recebia nem mesmo a totalidade dos R$ 520 mil anuais que deveriam custear sua manutenção. A rubrica murchou para R$ 427 mil em 2014. Gleisi não chiou.

A cifra caiu para R$ 257 mil em 2015. Nem um pio de Gleisi. Em 2016, ano do impeachment, liberaram-se R$ 415 mil. Nada de Gleisi. No ano passado, R$ 346 mil. E Gleisi: “zzzzzzzzzzzz”. Até abril de 2018, foram repassados irrisórios R$ 54 mil. Súbito, o incêndio ateou em Gleisi uma indignação cenográfica.

A arqueologia concluirá que a decadência transformou o Brasil numa cleptocracia pós-ideológica. O problema não era de esquerda nem de direita. O problema era a meia dúzia que se revezava por cima, zelando para que as verbas do Tesouro Nacional, extraídas do bolso dos que estavam por baixo, continuassem saindo pelo ladrão.

Quando for estudada no futuro, a realidade brasileira parecerá ainda mais inacreditável. Além do cinismo, os estudiosos ficarão intrigados com o excesso de ironia. Descobrirão que, por uma trapaça do destino, a história guardada no Museu Nacional virou cinzas num instante em que o BNDES liberava R$ 21,7 milhões para reformar o prédio. O fogo chegou antes.

Coube aos bombeiros realizar a descoberta mais constrangedora: a inépcia e a corrupção cresceram tanto que fizeram desaparecer no Brasil até a água dos hidrantes. Uma declaração do ministro da Cultura de Temer revelará que, no dia 2 de setembro de 2018, desapareceu também o senso de ridículo das autoridades:

''Já falei com o presidente Michel Temer e com o ministro da Educação. Vamos começar a fazer o projeto de reconstrução do Museu Nacional, para ver quanto é e como viabilizar.'' Os arqueólogos atestarão que, do ponto de vista político, o homem público brasileiro era apenas um cadáver mal informado. Não sabia que havia morrido.

Josias de Souza

domingo, 2 de setembro de 2018

A 'guerra civil' na Igreja Católica que pode abalar pontificado do papa Francisco


Papa Francisco. (Foto: EPA)

Uma guerra ideológica que há anos divide a Igreja Católica deixou os corredores do Vaticano nesta semana para ser travada em público.

De um lado, estão o papa Francisco e aqueles que apoiam sua visão de uma Igreja mais liberal em relação a temas como divórcio e homossexualidade. De outro, conservadores que criticam essa tentativa de abertura e temem um enfraquecimento da religião.

O embate ganhou manchetes com a divulgação, no domingo passado, de uma carta em que o ex-núncio apostólico na capital americana, Carlo Maria Viganò, acusa Francisco de ter acobertado crimes sexuais cometidos pelo ex-arcebispo de Washington, Theodore McCarrick, e pede a renúncia do papa.

O documento de 11 páginas, publicado por sites religiosos conservadores nos Estados Unidos, não oferece provas, mas chega em um momento em que fiéis do mundo inteiro estão abalados por sucessivas revelações de abusos sexuais contra crianças cometidos durante décadas por membros do clero em vários países.

A carta foi divulgada enquanto o papa visitava a Irlanda, um dos países afetados. Francisco se reuniu com vítimas e pediu perdão por abusos cometidos por membros da Igreja, ritual repetido em outras viagens. Mas muitos católicos lamentam a falta de medidas concretas e de uma resposta rápida aos escândalos, e alguns chegaram a abandonar a Igreja.

"Essas acusações se tornaram parte de um embate ideológico muito maior. Um dos lados vê Francisco como o papa que finalmente abriu a Igreja a um entendimento mais realista sobre sexualidade, casamento, homossexualidade", disse à BBC News Brasil o professor de teologia e estudos religiosos Massimo Faggioli, da Universidade Villanova, na Pensilvânia

"O outro lado acredita que isso significa o fim da Igreja, e está disposto a fazer qualquer coisa para impedir isso. Mesmo que seja o maior tabu, que é pressionar um papa a renunciar, o que não acontece há seis séculos", ressalta, referindo-se à renúncia de Gregório 7º, em 1415.

Oposição

Desde que foi eleito, em março de 2013, o papa é alvo de oposição por parte da ala conservadora da Igreja, tanto dentro do Vaticano quanto entre acadêmicos, que rejeitam o que consideram um afastamento da doutrina e tentam impedir reformas. No ano passado, dezenas de teólogos chegaram a assinar uma carta em que acusam Francisco de divulgar heresias na exortação apostólica sobre a família Amoris Laetitia, de 2016.

O documento, que é uma tentativa de abrir novas portas para católicos divorciados e tornar a Igreja mais tolerante com questões relacionadas à família, representa um sinal claro de dissidência, que reflete o descontentamento dos setores mais conservadores da instituição.

Apesar de não ter adotado mudanças concretas profundas nos ensinamentos da Igreja, o papa defende uma postura menos rígida e em sintonia com atitudes modernas em relação a fiéis que se afastaram da doutrina, demonstrando tolerância a homossexuais e permitindo que católicos divorciados ou casados novamente recebam a comunhão.

Cardeal Theodore McCarrick com Papa Francisco (Foto: Jonathan Newton/The Washington Post via AP)
Cardeal Theodore McCarrick com Papa Francisco 

Francisco também deu destaque a questões sociais, incentivando os fiéis a cuidar dos pobres, acolher imigrantes e refugiados e combater mudanças climáticas, e rejeitou alguns privilégios do cargo, optando, por exemplo, por não morar no Palácio Apostólico.

Em sua carta, Viganò não apenas acusa Francisco de acobertamento, mas tenta conectar as críticas que conservadores fazem ao papa, especialmente à postura de aceitação de gays - em referência a uma entrevista dada após viagem ao Brasil, em 2013, quando o pontífice disse "Se um gay busca Deus, quem sou eu para julgar" -, aos escândalos de abusos sexuais, afirmando que "redes homossexuais" dentro da hierarquia da Igreja são cúmplices na "conspiração de silêncio" que permitiu que os abusos praticados por McCarrick e outros continuassem.

A sugestão de que homossexualidade e abusos estejam relacionados é amplamente rejeitada por especialistas, mas ainda persiste em algumas alas da Igreja. Apesar de muitos dos abusos terem ocorrido há várias décadas, durante os pontificados dos antecessores de Francisco, opositores ligam a crise à incapacidade do papa de manter sob controle a homossexualidade entre o clero.

McCarrick, que liderou a arquidiocese de Washington de 2001 a 2006, durante os pontificados de João Paulo 2º e Bento 16, renunciou ao posto de cardeal em julho, após acusações de que teria assediado seminaristas adultos e abusado de um menino durante anos. Ele diz que é inocente.

McCarrick havia deixado a arquidiocese ao completar 75 anos, idade em que os bispos católicos são obrigados a apresentar sua renúncia - que pode ser aceita pelo papa ou não -, mas permaneceu no Colégio dos Cardeais, que aconselha o pontífice.

Viganò alega que vários membros do Vaticano sabiam da conduta imprópria do cardeal havia anos. Segundo a carta, depois que McCarrick deixou a arquidiocese em Washington, Bento 16 havia proibido que ele, que ainda era cardeal, oficiasse missas e vivesse em um seminário, entre outras restrições. Mas Francisco, apesar de saber das acusações, teria levantado essas restrições e até permitido que o cardeal ajudasse na escolha de bispos americanos.

Os católicos americanos ainda tentam digerir as revelações divulgadas no início de agosto em um relatório da Suprema Corte do Estado na Pensilvânia. O documento acusa pelo menos 300 padres de terem abusado de mais de mil crianças ao longo de 70 anos e líderes da Igreja de terem acobertado os crimes.

Reações

Apoiadores do papa e alguns sobreviventes de abusos questionam a credibilidade das alegações, apresentadas sem evidências, e acusam Viganò de usar o sofrimento das vítimas para avançar sua agenda política e uma vingança pessoal contra Francisco.

Alguns observam que McCarrick apareceu em vários eventos, inclusive ao lado de Bento, no período em que supostamente estaria sob sanções, e lembram que foi Francisco, ao contrário de seus antecessores, que forçou o cardeal a renunciar.

Também ressaltam o fato de os principais nomes criticados na carta serem liberais e aliados do papa, o que levantaria suspeitas de que as acusações têm motivação ideológica.

"Esse documento não tem o objetivo de proteger crianças, e sim atacar o papa e qualquer um associado a ele", disse à BBC News Brasil o pesquisador de estudos católicos Michael Sean Winters, colunista do jornal National Catholic Reporter.

Mas alguns bispos conservadores defenderam o ex-núncio como um homem de princípios. Um deles, Joseph Strickland, de Tyler, no Texas, orientou padres de sua diocese a ler durante a missa do último domingo uma declaração em que afirma acreditar nas alegações.

Um dos principais opositores do papa, o cardeal americano Raymond Burke, ex-arcebispo de St. Louis, disse em entrevista à imprensa italiana que, caso as alegações sejam comprovadas, "sanções apropriadas" devem ser aplicadas.

Histórico de polêmicas

Viganò tem um histórico de polêmicas. O italiano de 77 anos trabalhou em missões do Vaticano no Iraque e no Reino Unido, foi núncio apostólico na Nigéria e ocupou altos cargos na Cúria Romana, mas nunca foi promovido a cardeal.

Ele próprio já foi acusado de tentar acabar com uma investigação sobre a conduta sexual de um ex-arcebispo em 2014, segundo documentos relacionados à arquidiocese de St. Paul-Minneapolis. Também foi personagem no escândalo "Vatileaks", em 2012, em que documentos do Vaticano foram vazados, entre ele cartas em que Viganò sugeria que sua transferência para Washington, em 2011, estaria relacionada aos seus esforços contra a corrupção na Santa Sé.

Em 2015, durante a visita de Francisco aos Estados Unidos, Viganò organizou um encontro surpresa entre o papa e uma funcionária pública que havia se recusado a emitir licenças de casamento para casais do mesmo sexo alegando motivos religiosos. O encontro foi visto como um desafio à mensagem de inclusão do papa e obrigou o Vaticano a divulgar uma declaração se distanciando da funcionária. Pouco tempo depois, Francisco substituiu Viganò.

Em sua temporada em Washington, Viganò cultivou relações com setores católicos conservadores críticos do papa, um grupo que Winters descreve omo "pequeno, mas muito bem organizado e muito bem financiado".

Segundo Faggioli, desde o início do pontificado de Francisco, círculos conservadores do catolicismo americano deixaram claro que não gostavam do papa e de suas tentativas de reforma. Ele observa ainda que poucos bispos nos Estados Unidos defenderam o papa após a publicação da carta. "A maioria dos bispos está esperando (para de posicionar)", acredita.

Mas no avião ao voltar da Irlanda, ao responder a uma pergunta sobre o que pais deveriam dizer a um filho ou filha que revela ser gay, o papa disse: "Não condene. Dialogue, entenda."

Faggioli diz acreditar que a carta de Viganò tem inconsistências e "buracos", mas mesmo assim considera fundamental que o papa e outros líderes católicos respondam a algumas questões, especialmente sobre McCarrick.

"Os católicos americanos, tanto liberais quanto conservadores, querem saber como foi possível que essa pessoa se tornasse um dos mais importantes líderes da Igreja enquanto outros sabiam (dos abusos). Como isso pode acontecer?"

Lula tornou-se candidato ao posto de assombração do próximo presidente



A sociedade brasileira está traumatizada e dividida. A sucessão presidencial seria um remédio para sarar os dois flagelos. Mas é improvável que algo seja remediado. São pequenas, muito pequenas, diminutas as chances de as urnas de 2018 produzirem a superação de traumas e a reunificação do país.

Na origem da turbulência política atual há três encrencas degenerativas:

1) A reeleição de Dilma, seguida de uma ruína —ética e econômica— que inoculou na vitória o veneno do estelionato eleitoral;

2) O impeachment de Dilma, cujas fraturas demoram a calcificar;

3) A ascensão de Temer e seu grupo, tão viciados em verba suja quanto os outros zumbis da dinheirolândia petista.

Há um quê de Lula no DNA da crise. É dele a autoria do mito da gerentona. Foi no governo dele que o PT converteu-se na máquina coletora de fundos que deu em mensalão e petrolão. Foi com o seu beneplácito que Temer tornou-se vice.

Para complicar, a Lava Jato fez de Lula um líder de pesquisas inelegível. E o TSE, ao aplicar o antisséptico da Lei da Ficha Limpa, guindou-o à condição de candidato imbatível ao posto de assombração do próximo presidente da República.

Elegendo-se um poste petista, Lula irá tutelá-lo. Vencendo outro candidato, Lula irá infernizar-lhe a gestão. Em qualquer hipótese, a cizânia nacional sobreviverá à abertura das urnas.

Por Josias de Souza

sábado, 1 de setembro de 2018

TSE confirma a inelegibilidade de Lula



Corte já tem maioria para aceitar contestações com base na Lei da Ficha Limpa e não admitir efeito de liminar do Comitê de Direitos Humanos da ONU

Com resultado parcial de 5 votos a 1 no sentido de rejeitar, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realiza julgamento, no qual analisa o pedido de candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência da República, alvo de dezesseis contestações. Todas elas são baseadas na Lei da Ficha Limpa, acusando o fato de o petista ter sido condenado em segunda instância, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o que tornaria Lula inelegível. Na sessão os sete ministros da Corte Eleitoral aprovaram os registros de José Maria Eymael, da Democracia Cristã, e Geraldo Alckmin, do PSDB, antes de entrarem no caso específico do petista.