sábado, 2 de julho de 2016

TSE rejeita possibilidade de doação eleitoral por 'vaquinhas virtuais'


Ministra Maria Thereza Rocha de Assis Moura
Ministra do TSE Maria Thereza Rocha de Assis Moura(TSE/Divulgação)

Veja.com

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou nesta sexta-feira a possibilidade de doação de pessoas físicas a campanhas eleitorais por meio do sistema de financiamento coletivo da internet, mais conhecido como crowdfunding ou 'vaquinha virtual'. A decisão é uma resposta a uma consulta feita à corte pelos deputados federais Alessandro Molon (Rede-RJ) e Daniel Coelho (PSDB-PE).

A ministra Maria Thereza de Assis Moura, relatora da consulta, afirmou que "essa hipótese não é prevista na legislação de regência da matéria" e concluiu pelo seu "não conhecimento", ou seja, que o caso nem deveria ser analisado pela corte. Os ministros acompanharam por unanimidade o entendimento da relatora, afirmando que o tema deve ser proposto pelo Congresso.

"Esta questão já foi respondida anteriormente em 2014, o relator ministro Henrique Neves, no sentido de que somente podem ser realizadas [doações] por meio de mecanismo disponível em sítio do candidato, partido ou coligação. As questões postas aqui nesta consulta, a nossa assessoria técnica também apontou, não são previstas na legislação de regência da matéria. Então, como a questão já foi aqui debatida, está na lei e não mudou com a legislação do ano passado, eu estou aqui votando no sentido do não conhecimento da consulta", afirmou Maria Thereza, em seu parecer.

Desta forma, seguem proibidas as doações que não forem feitas por meio do canal oficial da campanha dos candidatos. O crowdfunding é um sistema virtual de financiamento que costuma ser usado para patrocinar pequenos negócios, manifestações, trabalhos artísticos, entre outros projetos. As transferências geralmente são feitas para a conta do portal que oferece o serviço e depois são remetidas aos beneficiários.

(Da redação)

Como o médium João de Deus venceu o câncer


Como o médium João de Deus venceu o câncer

Na Veja desta semana

Tem uma coisa beliscando na minha barriga. Talvez seja ruim. Quero aquele negócio que entra pela boca e vai rasgando até lá embaixo pra ver o que é esse trem." Foi assim que João Teixeira de Faria, o João de Deus, de 74 anos, o mais celebrado médium brasileiro, pediu a seu médico de longa data, o cardiologista Roberto Kalil, para ser examinado. Com essas expressões de simplicidade franciscana e simpaticamente caipiras, ele se referia à endoscopia, exame de imagem pelo qual é possível rastrear doenças no aparelho digestivo. A demanda de João de Deus a Kalil foi feita em um momento inusitado: na festa de casamento do cardiologista com a endocrinologista Claudia Cozer Kalil, na hora dos cumprimentos aos noivos. Era 9 de maio de 2015. Poucos dias depois, a endoscopia associada a uma biópsia revelou o diagnóstico dramático da coisa que beliscava na barriga, um câncer agressivo no estômago. Tecnicamente, adenocarcinoma gástrico, de 6 centímetros, localizado no antro, porção logo abaixo da metade do órgão. O tumor maligno foi extraído numa cirurgia de dez horas, em agosto de 2015, pelo cirurgião Raul Cutait, no Hospital Sírio-­Libanês, em São Paulo. Delicada e complexa, a operação extirpou metade do estômago.

Discreto e indiferente à fama, que ganhou uma audiência mundial desde que apareceu em reportagem da apresentadora americana Oprah Winfrey, em 2012, João de Deus só revelou que tinha câncer a familiares e pessoas de extrema confiança. Nas raras vezes em que mencionou a doença nas sessões com os peregrinos que o procuraram em Abadiânia, no interior de Goiás, contornava a gravidade da situação. Uma hérnia no estômago, dizia-se. Seu calvário durou um ano, entre o diagnóstico e a superação do câncer. Eu o conheci numa de suas sessões de quimioterapia. Foi em 6 de dezembro do ano passado. Às 15 horas, entrei no quarto em que ele estava internado, no número 964, no Sírio-Libanês. O médium estava sentado na cama, com um copo de café com leite nas mãos. Ao tomar o primeiro gole, sorriu: "Quero um leite de verdade, como o da minha terra". Atenderam ao seu pedido. Trocaram então o leite em pó pelo de caixinha, mais denso. A certa altura, ele pediu que eu me aproximasse, apertou minha mão fortemente e perguntou: "Você sabe cozinhar, minha irmã?". A negativa não lhe bastou. Disse que era fundamental eu aprender o ofício e lembrou de um de seus pratos prediletos, o galopé, receita caipira à base de pé de porco e galinha. "O segredo é usar galinha velha", recomendou.

A quimioterapia durou cinco meses, sempre em clima de completa discrição. João de Deus usou dois medicamentos. A capecitabina, tomada em pílulas em ciclos de catorze dias, e a cisplatina, administrada em oito sessões com intervalos de 21 dias. A combinação provoca efeitos colaterais severos. O médium teve enjoos, perda de apetite, anemia e cansaço. Em duas sessões de cisplatina, chegou a sofrer queda de plaquetas, como são chamadas as células sanguíneas envolvidas nos processos de coagulação e cicatrização do organismo. Precisou receber transfusão de sangue. Ele, que chegou a pesar 130 quilos, distribuídos em 1,80 metro, perdeu 30 quilos durante o tratamento. Hoje, continua magro, mas já recuperou 5 quilos. Estive em outras duas sessões de quimioterapia. Um pouco mais debilitado, João de Deus mantinha o ânimo de quem sabia ser necessário passar por todo o processo. Quieto, mais quieto que o normal, acatava as orientações médicas com humildade.

Para um médium que atende cerca de 1 000 pessoas diariamente, fragilizadas, em busca de ajuda, de alento espiritual e mesmo cura, é curiosa a decisão de recorrer à medicina convencional. Perguntei-lhe por que se socorreu da ciência em vez de procurar alguém como ele próprio, que incorpore outros médicos. Em resposta, fez uma indagação: "O barbeiro corta o próprio cabelo?". Durante todo o tratamento, João de Deus nunca reclamou nem perdeu as forças. Reagiu sempre de modo positivo e com disposição para se submeter a todas as intervenções médicas. Como paciente, era um paciente comum. Por duas vezes viajou de carro de Goiás a São Paulo. Só voava por insistência dos amigos. Nunca quis dormir no hospital. Teve de abrir uma exceção, por determinação médica, quando sofreu uma perda de plaquetas e precisou receber cuidados extras. Para não deixar de trabalhar um só dia, quis que as sessões fossem feitas sempre aos domingos. Ia e voltava para casa rapidamente, embora passasse algumas noites hospedado em um hotel paulistano.

A última sessão de quimioterapia ocorreu em 28 de fevereiro. Em maio passado, um ano depois do pedido de exame feito na festa de casamento, João de Deus soube que os sinais do câncer em seu organismo haviam desaparecido. Teve alta. "Seu João é um exemplo de como é fundamental um médico ouvir o paciente", diz Roberto Kalil. Há três anos, durante um check-up rotineiro de João de Deus, Kalil identificou uma obstrução nos vasos do coração. O médium, que é hipertenso, recebeu então três stents nas artérias. Já tinha naquela época outros três, colocados em 2000. Como aconteceu com o câncer, João de Deus também não divulgou seu problema cardíaco. A reserva com que trata a própria saúde, a ponto de manter em sigilo um tratamento de meses para debelar um câncer agressivo, não é nenhuma tática marota de parecer infalível aos olhos dos peregrinos que vão a Abadiânia. João de Deus simplesmente quase não fala de si mesmo. E, aos que o procuram em decorrência de problemas de saúde, sistematicamente recomenda que consultem um médico.

JANOT PEDE CONDENAÇÃO URGENTE DE RUSSOMANNO POR PECULATO


PGR PEDIU CONDENAÇÃO POR PECULATO E DEPUTADO PODE FICAR INELEGÍVEL

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, manifestou-se a favor da condenação do deputado Celso Russomanno (PRB-SP) por peculato (desvio de dinheiro público) na ação que corre contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), e pediu que o caso seja colocado de forma urgente na pauta de julgamento na Corte.

Caso o Supremo decida pela condenação, Russomanno será enquadrado na Lei da Ficha Limpa e ficará impedido de concorrer à prefeitura de São Paulo. Pré-candidato pelo PRB, o deputado lidera as pesquisas com 26% das intenção de votos, segundo levantamento feito pelo Ibope na semana retrasada.

Na primeira instância, Russomanno já foi condenado neste caso a dois anos e dois meses de prisão em regime aberto. A pena foi revertida em trabalhos comunitários e multa de 25 cestas básicas, no valor de R$ 200 cada uma.

De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP), Russomanno empregou, entre 1997 e 2001, em sua produtora, em São Paulo, uma funcionária que trabalhava em seu gabinete de deputado. Ainda segundo a denúncia, o salário desta funcionária era pago pela Câmara.

Em abril, o deputado chegou a pedir autorização para restituir o valor dos salários questionados pelo Ministério Público. Na ocasião, a defesa argumentou que, embora convicta da inocência e de uma decisão favorável da Corte, o deputado estaria disposto a pagar para que "não se tenha dúvidas quanto a sua lisura no agir e de sua conduta como homem público".

De acordo com o advogado Marcelo Leal, que defende Russomanno, a intenção de pagar os salários questionados não visava evitar uma eventual condenação, "mas pode atenuar a pena".

A defesa pediu à Câmara um levantamento para calcular o valor que deveria ser pago pelo parlamentar, caso fosse autorizada a restituição. De acordo com advogado Marcelo Leal, que defende Russomanno, a Casa afirmou que não há irregularidade.

Segundo ele, a Câmara ainda apontou casos semelhantes que teriam ocorrido com outros servidores e que serviriam como argumento de que não haveria ilícito no caso. Leal, no entanto, não informou quais seriam esses servidores e deputados aos quais estariam ligados. "Ainda que ela tenha trabalhado na produtora, isso não descaracteriza que tenha trabalhado no escritório do deputado. Ela pode trabalhar no escritório e prestar outras atividades", argumenta.

No Supremo, o caso é relatado pela ministra Carmem Lúcia. A expectativa é que o Supremo dê uma sentença neste caso até 15 de agosto, quando encerra o prazo para inscrição de candidatos. A conclusão deste caso é aguardada no meio político paulistano porque vai redefinir a arrumação de forças em torno dos candidatos à prefeitura. No PRB, a palavra de ordem é que o postulante do partido é Russomanno e não há plano B.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Temer revoga decreto de Dilma e restitui poder às Forças Armadas



O presidente da República em exercício, Michel Temer, assinou nesta sexta-feira um decreto que devolve funções administrativas aos comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica, como transferir para a reserva oficiais, promover agentes a cargos superiores e indicar capelães militares. Conforme havia sido noticiado pelo Radar On-line, a medida revoga o decreto assinado pela presidente afastada Dilma Rousseff, em setembro de 2015, que retirava dos militares a competência para atos relacionados à instituição e os delegava ao então ministro da Defesa, Jacques Wagner.

Na época, Dilma formalizou o decreto sem consultar as três Forças Armadas, que receberam a notícia com reserva e incompreensão, criando desconforto entre o Planalto e os militares. Com a revogação, Temer busca se aproximar de setores que se desentenderam com Dilma.

Em cerimônia fechada com representantes da cúpula militar, o presidente interino aproveitou a ocasião para dizer que é preciso "democratizar o Brasil". "Precisamos democratizar e reconstitucionalizar o país", afirmou. Além dos comandantes das Forças Armadas, os ministros da Defesa, Raul Jungmann, e da Justiça, Alexandre de Moraes, também participaram da cerimônia no gabinete presidencial.

DECISÃO DE TOFFOLI GERA POLÊMICA ENTRE JURISTAS


JURISTAS AFIRMAM QUE DECISÃO DE TOFFOLI "SUPRIMIU INSTÂNCIAS"

Provocou polêmica entre juristas a decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de soltar Paulo Bernardo, ex-ministro dos governos Lula e Dilma acusado de envolvimento na ladroagem investigada na Operação Custo Brasil. Há juristas que consideram que houve “supressão de instâncias”, na medida em que o recurso contra a prisão deveria ser julgado primeiro pelo Tribunal Regional Federal e depois pelo Superior Tribunal de Justiça, antes de chegar ao STF.

Advogado, Eduardo Mendonça achou atípico, mas não ilegal, que Toffoli tenha decidido mesmo reconhecendo ser o caso de 1ª instância.

Outro advogado, Luís Olímpio Ferraz Melo, lembra que, negado pelo TRF, só com nova negativa do STJ é que o recurso iria para o STF.

O ministro Dias Toffoli decidiu pela soltura de Paulo Bernardo por ter sido provocado e reconheceu “flagrante ilegalidade na prisão”.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Venda de lâmpadas incandescentes está proibida a partir desta quinta


Lâmpada apagada
Lâmpada incandescente foi abolida no país como
 forma de economizar energia(Reprodução/VEJA)

A partir desta quinta-feira, está proibida a venda de lâmpadas incandescentes no Brasil. O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) começa a fiscalizar nesta sexta, por meio dos Institutos de Pesos e Medidas (Ipem) estaduais, estabelecimentos comerciais que ainda tenham à disposição lâmpadas incandescentes com potência de 41watts (W) até 60 W. Quem não atender à legislação poderá ser multado entre 100 reais e 1,5 milhão de reais.

A restrição foi estabelecida pela Portaria Interministerial 1.007/2010, com o objetivo de minimizar o desperdício no consumo de energia elétrica. Uma lâmpada fluorescente compacta economiza 75% em comparação a uma lâmpada incandescente de luminosidade equivalente. Se a opção for por uma lâmpada de LED, essa economia sobe para 85%.

A troca das lâmpadas incandescentes no Brasil começou em 2012, com a proibição da venda de lâmpadas com mais de 150W. Em 2013, houve a eliminação das lâmpadas de potência entre 60W e 100W. Em 2014, foi a vez das lâmpadas de 40W a 60W. Neste ano, começou a ser proibida também a produção e importação de lâmpadas incandescentes de 25 W a 40 W, cuja fiscalização ocorrerá em 2017.

Borges informou que, desde o apagão de 2001, o Inmetro desenvolve um programa de educação do consumidor brasileiro, no qual mostra que as lâmpadas incandescentes duram menos e consomem muito mais energia do que, por exemplo, a lâmpada fluorescente compacta. "Ficou claro para o consumidor que a lâmpada fluorescente compacta era muito mais econômica que a incandescente."

Ele citou como exemplo o caso de uma casa com dois quartos que usaria em todos os cômodos lâmpadas incandescentes de 60 W. "Elas gerariam valor em um mês de 20 reais a 25 reais para iluminar a casa. Ao trocar por uma lâmpada equivalente fluorescente compacta, essa conta cairia para 4 reais ou 5 reais em apenas um mês. O consumidor entendeu isso e, ao longo do tempo, já vai deixando de usar esse material."

Números do Inmetro mostram que, em 2010, 70% dos lares brasileiros eram iluminados pelas incandescentes. Agora, somente 30% das residências usam esse tipo de lâmpada, que não podem mais ser comercializadas no Brasil, seguindo recomendação da Agência Internacional de Energia (AIE).

(Com Agência Brasil)

Alvo da Lava Jato e Zelotes, Renan desengaveta projeto que enquadra juízes, delegados e promotores


O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), durante encontro com governadores, juntamente com o presidente da República em exercício, Michel Temer, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) - 20/06/2016
Controverso anteprojeto de lei define crimes de abuso de autoridade

Veja.com

Investigado nas operações Lava Jato e Zelotes e alvo recente de um pedido de prisão, o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) decidiu desengavetar o controverso anteprojeto que define crimes de abuso de autoridade. Nesta quinta-feira, o peemedebista anunciou que pretende reativar uma comissão que discute trechos não regulamentados da Constituição e votar o texto no colegiado até dia 13 de julho.

O projeto que define os crimes de abuso de autoridades estava engavetado desde 2009 e volta a tramitar no momento em que Renan tem em mãos pedidos de impeachment contra o procurador-geral da República Rodrigo Janot e em que o próprio Congresso está nas cordas devido aos sucessivos escândalos de corrupção e de inquéritos relacionados ao petrolão.

O texto que trata de abuso de autoridade enquadra delegados, promotores, membros do Ministério Público, juízes, desembargadores e ministros de tribunais superiores e prevê como pena até quatro anos de prisão e multa, além da perda de função da autoridade em caso de reincidência. O anteprojeto estabelece diversas situações consideradas como abuso de autoridade, como ordenar prisão "fora das hipóteses legais", recolher ilegalmente alguém a carceragem policial, deixar de conceder liberdade provisória quando a lei admitir e prorrogar a execução de prisões temporárias.

Em meio às recorrentes críticas sobre o instituto da delação premiada e à recente divulgação de conversas em que o ex-presidente da Transpetro Sergio Machado gravou políticos contrários à Operação Lava Jato, o anteprojeto de abuso de autoridade também estabelece como crime ofender a intimidade de pessoas indiciadas, constranger alguém sob ameaça de prisão a depor sobre fatos que possam incriminá-lo, submeter o preso a algemas quando desnecessário e interceptar conversas telefônicas ou fazer escuta ambiental sem autorização.

Embora o projeto de abuso de autoridade se amolde perfeitamente ao interesse de investigados, Renan Calheiros negou que a inclusão deste tema entre as prioridades do Senado esteja relacionado com o avalanche de políticos investigados por crimes, como corrupção e lavagem de dinheiro. "Esse projeto estipula regras para todas as instâncias terem punição quando houver abuso de autoridade. Não adianta, ninguém vai interferir no curso da Lava Jato. A esta altura há uma pressão muito grande da sociedade no sentido que essas coisas todas se esclareçam. Só se vai separar o joio do trigo se concluir a investigação", disse.

Carlinhos Cachoeira é preso em Goiânia em operação contra lavagem de dinheiro


Carlinhos Cachoeira é preso em Goiânia em operação contra  lavagem de dinheiro
Ex-diretor da Delta também foi preso. Ex-presidente da
construtora, Fernando Cavendish, e lobista são outros alvos

Veja.com:

O empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso nesta quinta em um condomínio de luxo em Goiânia (GO), na Operação Saqueador, deflagrada pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal. Também são alvos de mandados de prisão o ex-presidente e o ex-diretor da construtora Delta, Fernando Cavendish (já considerado foragido), e Cláudio Abreu, respectivamente; e os empresários Adir Assad e Marcelo José Abudd.

Além dos cinco mandados de prisão, os agentes da PF cumprem vinte de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás.

Nesta quinta-feira, o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra Cachoeira, Cavendish, Adir Assad e outras vinte pessoas por envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro público. Segundo a denúncia, entre 2007 e 2012, a Delta teve quase a totalidade de seu faturamento (cerca de 11 bilhões de reais) oriundo de contratos públicos, em especial do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit). Desse montante, diz a procuradoria, 370 milhões de reais foram "lavados" em repasses a dezoito empresas de fachada, que, por meio de contratos fictícios, dificultavam o rastreamentos do dinheiro. De acordo com as investigações, essas empresas eram criadas e geridas por Cachoeira, Assad e Abbud.

O MPF ainda afirma que as transferências da Delta a essas companhias fantasmas tinham "aumentos significativos" em anos de eleição e que a maior parte desses 370 milhões de reais foi usado para o pagamento de propina a agentes públicos.

As investigações da PF duraram cerca de três anos e começaram a partir de documentos colhidos na CPI do Cachoeira, instaurada em 2012 e que também mirava em supostas irregularidades da Delta. Criada pelo PT para atacar instituições que investigaram o mensalão, a comissão passou a aterrorizar políticos depois de VEJA revelar que a construtora usava uma extensa rede de empresas-fantasma para pagar propina a servidores públicos e financiar ilegalmente campanhas eleitorais. Na ocasião, o esquema acabou derrubando o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que tinha envolvimento com Cachoeira e foi cassado.

Segundo reportagem de VEJA, de dezembro de 2013, Assad, que já foi condenado na Lava Jato por lavagem de dinheiro, viu o seu faturamento crescer 574 vezes em quatro anos oferecendo um serviço valioso: corrupção e financiamento clandestino de candidatos. Entre os seus clientes, além da Delta, estão outras empreiteiras, bancos, consultorias e políticos.

(Da redação)

Com pedágios, viagem ao litoral norte de SP vai custar R$ 9,70 pela Tamoios


Pedágio na rodovia dos Tamoios, na altura do km-16, em Jambeiro. Foto: Cláudio Vieira/O VALE.

G1 Vale

A viagem entre São José dos Campos e Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, pela rodovia dos Tamoios (SP-99) vai custar R$ 9,70 a partir de 0h desta sexta-feira (1º), quando entram em operação duas praças de pedágio no corredor.

Os pedágios ficam no km 15,7 em Jambeiro e em Paraibuna, no km 56,6. A cobrança será nos dois sentidos - portanto, ida e volta ao litoral pelo corredor custará R$ 19,40.

Na primeira praça, em Jambeiro, a tarifa será de R$ 3,50. Em Paraibuna, o valor foi fixado em R$ 6,20. Os valores foram divulgados pela Concessionária Tamoios nesta quarta-feira (29).

Condição
O início da cobrança do pedágio estava condicionado ao prazo mínimo de um ano de concessão do corredor à iniciativa privada, o que ocorreu em abril, e ao cumprimento de pelo menos 6% das obras de duplicação da rodovia, além da execução de melhorias no asfalto, sinalização, segurança e iluminação da via.S

Segundo a concessionária, a arrecadação com o pedágio vai viabilizar a realização da duplicação do trecho de serra da Tamoios. A construção de 21,6 km de novas pistas está orçada em R$ 2,6 bilhões.

Reajuste
Além da Tamoios, que inaugura o pedágio, nesta sexta-feira as tarifas de pedágio das rodovias estaduais paulistas serão reajustadas em 9,32%. O reajuste anual é baseado na inflação medida pelo IPCA acumulada nos últimos 12 meses.

Na região, o reajuste será aplicado nas praças de pedágio da rodovia Carvalho Pinto, em São José dos Campos e Caçapava; e na Dom Pedro 1º, em Igaratá e Atibaia.

Na Carvalho Pinto, em SãoJosé a tariFa vai a R$ 3,20 e em Caçapava a R$ 2,50. Na Dom Pedro, em Igaratá a cobrança sobe para R$ 8,60 e em Atibaia para R$ 6,80.

Fundos dos EUA dizem que fraude na Petrobras é “incontestável”



Na VEJA.com:

Os fundos que processam a Petrobras em Nova York acusaram a empresa de ser responsável por um dos maiores casos de fraude da história do mercado de capitais dos Estados Unidos. Com evidências de um escândalo de corrupção “esmagador e sem precedentes”, os advogados dos investidores entregaram documentos ao Tribunal de Nova York pedindo que o juiz responsável pelo caso, Jed Rakoff, faça o julgamento sumário de algumas acusações contra a empresa brasileira, alegando que o esquema de fraudes é incontestável.

Rakoff recebeu, entre segunda e ontem, cerca de 50 documentos, incluindo o depoimento da ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca. Os documentos foram entregues tanto pelos fundos que processam a Petrobras quanto pelos réus nos processos, que incluem subsidiárias internacionais da empresa, bancos que cuidaram de emissões de papéis e funcionários, como os ex-presidentes Graça Foster e José Sergio Gabrielli.

O juiz marcou uma audiência para 5 de agosto, em Nova York, que vai anteceder o julgamento, previsto para 19 de setembro. Rakoff negou o pedido da Petrobras para adiar a data.

Os fundos, por meio do escritório Pomerantz, afirmam que os depoimentos de ex-funcionários da Petrobras e outras provas, como os balanços da companhia, permitem concluir que as acusações de corrupção não podem mais contestadas.

Os advogados ressaltam que não é preciso apresentar mais provas sobre a culpa da Petrobras ou tomar novos depoimentos. Segundo eles, após as sentenças do juiz Sergio Moro, várias delações premiadas e outras “evidências avassaladoras” de fraude, a companhia não pode mais negar o esquema.

Defesa – Os réus que fazem parte dos processos de fundos movidos contra a Petrobras em Nova York, apresentaram defesa à Justiça americana. O grupo afirmou que a petroleira foi vítima de um cartel formado por construtoras, políticos e alguns funcionários.

Em documentos enviados ao juiz Jed Rakoffm, responsável pelo caso, em Nova York, ex-funcionários afirmam não ter participado do esquema nem ter conhecimento de irregularidades. Em um dos documentos, o ex-diretor financeiro, Almir Barbassa, diz que não há evidências de que ele e outros acusados sabiam das fraudes.

Graça Foster mencionou “nunca ter aceitado propina” ou ter “pessoalmente se beneficiado” da corrupção na empresa. A PwC, que auditou balanços, e bancos que cuidaram da emissão de papéis da estatal, como HSBC, JPMorgan, Citibank e BB Securities, também afirmaram que não tinham conhecimento das irregularidades.