sábado, 27 de fevereiro de 2016

O ATO E FATO


Brasilino Neto
Exemplos de Caçapava para Brasília

Tenho aqui me debatido com os maus exemplos que nos são dados no dia a dia, notadamente quando os recebemos de pessoas que deveriam guardar todo cuidado, discrição e ética em seus comportamentos.

Faço referência a administradores de grandes empresas que se mancomunaram para usurpar direitos dos brasileiros e do Brasil, o que se diga, não é pouco não, pois se tratam de bilhões e bilhões de dólares. Porém, aqui em minha Caçapava vejo dois exemplos que mantêm a chama de minha esperança, ainda que sofregamente, acesa.

O primeiro: tenho um amigo que tem alguns pontos comerciais locados em Caçapava, e que sofreriam reajustes em fevereiro de 10,54%, e que ao avaliar os momentos de dificuldades pelas quais passam o comerciante, simplesmente deixou de aplicar esta majoração, e que manterá o mesmo aluguel vigente há um ano.

O segundo: O pai de um jovem, que fora vitima fatal em um acidente entre sua motocicleta e um carro, me procurou com o seguinte questionamento: Além do seguro obrigatório dos veículos, os seguros facultativos têm alguma outra garantia para terceiro ? Respondi que em alguns casos sim, mas que uma resposta objetiva dependeria de vistas à apólice do veículo envolvido. 

Na continuidade da conversa com esse pai, que vive de coleta de sucatas para a manutenção de seus filhos e netos, com singeleza afirmou: “muitas pessoas têm me dito para eu correr atrás para pedir uma indenização contra a professora envolvida no acidente que levou meu filho, mas já disse que não fiz e nem vou fazer isto, pois eu estou sofrendo pela ocorrência com meu filho, e a professora, coitada, igualmente sofrendo por isto. Foi uma fatalidade para minha família e à dela”.

E completou: “se minha família tiver direito em decorrência do seguro carro dela eu vou correr atrás, mas contra ela não vou fazer nada. E sabe Brasilino, esse é o meu pensamento e o de minha mulher. Eu vivo com muita dificuldade, mas entendo que em nada um dinheiro vindo assim me ajudaria”. Despediu-se com os olhos marejados.

Fiquei depois avaliando que dois belos exemplos estes caçapavenses dão para aqueles usurpadores distantes deste nosso torrão, que vivem numa ilha, localizada ali no planalto central, alheios aos interesses e problemas deste país chamado Brasil.

Que coerência e tomadas de posição e consciência este dois caçapavense nos legam.

Penso que bom seria se este artigo pudesse chegar às mãos dessas pessoas que (mal) decidem os destinos deste país, pois assim poderiam, querendo, entender que dificuldades se resolvem com atitudes sérias e coerentes e não com prosápias.

Estes dois ilustres caçapavenses dão um exemplo, que deveria ser levado ao conhecimento desses vorazes usurpadores, para que entendessem que a riqueza somente tem resultado e dela se pode tirar proveito se os valores que são recebidos venham de fontes éticas, de meios lícitos e ganhos com o trabalho honesto e serviços efetivamente prestados.

Que eles entendessem, querendo, que valores usurpados do laborioso povo brasileiro lhes tiram a tranquilidade física e de consciência, que tiram a paz que se deve ter ao encostar a cabeça no travesseiro para uma noite despreocupada de sono e sonho.

Assim finalizo: a estes ilustres caçapavenses meu carinho e respeito, o que, por certo, deve ser também a manifestação de todo povo brasileiro que vive decentemente, com ética e pelos princípios de que: “quero e preciso ganhar dinheiro, mas ele me venha em decorrência de meu trabalho honesto e dedicado.”

2 comentários:

AHT disse...

Dr. Brasilino,

O Sr. fez muito bem em registrar esses dois exemplos.

Na Terra da Taiada tem Taiadas Bons e Exemplares, também.
Sejam Taiadas de nascimento ou de coração.

No Brasil de hoje, fortes e bons exemplos só estão vindo do povo e de instituições tradicionais, religiosas ou não, sem fins lucrativos e dedicadas em servir, graças aos seus voluntariosos dirigentes e colaboradores.

Brasilino Neto disse...

AHT obrigado pela referência.