G1

De acordo com os dados do processo, Merlino foi preso em 15 de julho de 1971, em Santos, no litoral de São Paulo, quando visitava a sua família. Ele foi morto em 19 de julho daquele ano. A versão oficial dos agentes do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) foi a de que ele se suicidou enquanto era transportado para o Rio Grande do Sul.
As condições do corpo da vítima, no entanto, e relatos de outros presos políticos mostraram que Merlino havia sido espancado e morreu por falta de atendimento médico adequado, segundo dados reunidos no processo.
A sentença da 20ª Vara Cível condena o coronel deverá pagar indenização de R$ 50 mil para cada uma das autoras da ação. O valor deverá ser corrigido até o final do pagamento. O coronel deverá, ainda de acordo com a decisão, arcar com as custas processuais e honorários de advogados no valor de 10% da condenação.
Procurado pelo G1, o advogado de defesa de Ustra, Paulo Alves Esteves afirmou que recorrerá da decisão. "O argumento para tudo isso é que o coronel está coberto pela Lei de Anistia, que abrange inclusive ações desse caráter", diz o advogado.
A decisão da indenização foi definida pela juíza Claudia de Lima Menge. “A morte prematura por motivo político e com requintes de crueldade privou as autoras do convívio com seu companheiro e irmão, respectivamente. Por certo, a indenização almejada não será capaz de sanar a dor suportada pelas autoras, nem suprir-lhes a ausência do ente querido. Destina-se a minorar o intenso sofrimento”, disse a juíza em sua decisão.
Ustra foi o chefe do DOI-Codi, o órgão de repressão política durante o regime militar, de 29 de setembro de 1970 e 23 de janeiro de 1974.
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