domingo, 5 de junho de 2011

Santo Antônio: no Brasil, virou casamenteiro

Santo Antônio: no Brasil, virou casamenteiro

Em todo o mundo católico, Santo Antônio é popularmente reconhecido como o santo que ajuda na recuperação de objetos perdidos. Menos no Brasil. Aqui, esse grande Doutor da Igreja, que nasceu de família nobre em Lisboa, em 1195, fez-se monge franciscano, e morreu em Pádua, na Itália, em 1231, virou santo casamenteiro de poder quase infalível. “Talvez porque encontrar noivo é também um milagre que exige incrível paciência”, brinca o folclorista Câmara Cascudo ao falar dessa atribuição brasileira conferida ao santo.


No seu dia consagrado, 13 de junho, mais de uma moça faz promessa para que Santo Antônio lhe arrume noivo. Muitas não pedem: exigem. E, se o santo demora para atender, submetem a sua imagem a todos os suplícios possíveis, na esperança de uma resposta mais rápida. Algumas moças do interior, segundo Câmara Cascudo, “chegam até mesmo a tirar o Menino Jesus dos braços de Santo Antônio para restituí-lo somente depois de realizado o milagre; viram o santo de cabeça para baixo, tiram-lhe o resplendor e colocam sobre a tonsura uma moeda pregada com cera; e por fim, quando tarda a graça, e cansadas já de tanto esperar, atam o santo com uma corda, e deitam-no dentro de um poço”. O que fez mais de uma estátua desaparecer, pois era de barro e derreteu-se ao contato com a água.


Santo Antônio - que foi chamado de “Santo de todo o mundo” em 1895 pelo Papa Leão 13, por causa da sua sabedoria, bondade e tolerância, parece não se importar com essas afrontas. Se pudesse, pediria talvez a essas moças impacientes um pouco mais de prudência. E as lembraria daquele velho e sábio provérbio: “Cuidado com o que pedes, pois teu desejo pode ser atendido”.


Oração casamenteira a Santo Antônio:


“Meu Santo Antônio querido,
Eu vos peço, por quem sois;
Dai-me o primeiro marido,
Que o segundo arranjo depois.


Meu Santo Antônio querido,
Meu santo de carne e osso,
Se tu não me dás marido
Não tiro você do poço.”

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