quarta-feira, 14 de junho de 2017

JBS patrocinou eventos de faculdade de que Gilmar Mendes é sócio. E daí?



Informa reportagem da Folha publicada nesta quarta:

“O grupo J&F, que controla a JBS, gastou nos últimos dois anos R$ 2,1 milhões em patrocínio de eventos do IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), que tem como sócio o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal)” Nota: IDP diz que R$ 650 mil foram devolvidos.

Na rota da desmoralização de qualquer pessoa que ouse não ser ou um adulador da Lava Jato ou um delator premiado, está a perda do sentido das palavras. As pessoas vão se embrenhando na Babel de versões, acusações lançadas ao léu, informações sem relevância… Quanto mais leem e ouvem, sem se ater a detalhes e nuances, mais desinformadas se tornam. E mais confusas são suas respectivas respostas.

A alguém deve aproveitar a bagunça, não duvidem. Esse negócio de “nem quem ganhar nem perder vai ganhar ou perder; vai todo mundo perder” é só uma maluquice saída da cabeça de Dilma. Fiquem certos: sempre há ao menos um vitorioso, ainda que muitos sejam os derrotados. No Brasil que temos aí, quem se dá bem? Tentem responder.

Não é de hoje que se busca tirar Gilmar Mendes do julgamento do petrolão. Na verdade, o esforço de alguns bacanas, sejamos precisos, é para defenestrá-lo do STF. Até outro dia, eram os petistas que se dedicavam à tarefa de demonizá-lo. Continuam a não gostar dele, mas os detratores mais assanhados, hoje, atendem aos “salves” enviados pela Lava Jato. Tão logo o ministro fez o primeiro reparo às heterodoxias de Rodrigo Janot, transformou-se num alvo. Ora, até eu, que sou apenas um jornalista, sei o preço de não ser um fiel da Igreja dos Santos dos Último Dias de Janot e Dallagnol.

Vamos lá. Um irmão de Mendes, produtor rural, vende bois à JBS. Que criador não faz isso? Nem as safadezas dos Batistas (Joesley e Wesley) e seus executivos eliminam uma evidência: trata-se de uma gigante do ramo. Também se noticiou que um advogado de Joesley e ele próprio estiveram com o ministro. Foram tratar de um contencioso fiscal na área. Voto de Gilmar no caso: contra os interesses da JBS e os de sua própria família.

Agora vem a informação do patrocínio da JBS a eventos do IDP. Não estou censurando a Folha por noticiar a coisa. Estou é encaixando a informação no contexto. Segundo o IDP, R$ 650 mil foram devolvidos no dia 29 de maio, depois da revelação do acordo de delação premiada dos donos e de executivos da J&F. O último evento com patrocínio da JBS se deu em Portugal, em abril. Os executivos do grupo haviam feito a delação um pouco antes. Mas o IDP não tinha como saber. O Instituto afirma que há uma cláusula sobre a idoneidade do patrocinador que lhe permite romper um contrato. Este, com a JBS, foi firmado em 11 de junho de 2015, quando nada havia contra a empresa.

Ora, o grupo não era apenas um financiador de eventos. Também está entre 20 maiores anunciantes do país — longe da liderança, à diferença do que reza a lenda. Em 2016, a marca da JBS que aparece em posição mais alta do ranking é a Seara (16º lugar), com investimentos em publicidade de R$ 316 milhões. Está bem distante do primeiro colocado, o Laboratório Genomma, com R$ R$ 1,310 bilhão. Mas a posição é considerável: à frente da Ultrafarma, do Boticário, da Cervejaria Petrópolis e da Petrobras.

A baixaria nas redes sociais já começou. Tivesse Mendes homologado aquele acordo de delação premiada indecente com Joesley, poderia ser verossímil, ainda que falsa, a desconfiança de que a moleza estaria relacionada ao patrocínio. Tivesse Mendes votado a favor dos interesses da JBS, não contra, talvez sobrasse o incômodo de a família vender gado ao grupo. Tivesse Mendes saído em defesa da forma como se deu a delação, talvez até os decentes se vissem tentados a lhe cobrar uma posição.

Mas não! O ministro é, sabidamente, um crítico das vantagens absurdas oferecidas a Joesley e companhia e defendeu que a homologação seja reexaminada pelo pleno do Supremo.

Entes ligados a Janot e Fachin não tiveram patrocínio da JBS.

Janot e Fachin não pertencem a famílias que vendem gado à JBS.

E, no entanto, foram eles, e não Mendes, a celebrar o acordo de delação mais premiado e indecente da história. O ministro é aquele que quer rever a ignomínia.

Por Reinaldo Azevedo

Um comentário:

AHT disse...

MENTIRAS TRÁGICAS ⬅ ➡ CRISE

Mas, até o Temer mente?
E desmente.
Notório Lula mente?
Também desmente.
Iludem eleitores
Rapinando valores,
Abafando rumores
Segredando fétidos odores.

Tribunos outros, contemporizadores
Rezingando sob refletores
Ácidas farpas e rememores:
Graves rixas anteriores.
Insidiosos, traiçoeiramente
Chancelando acintosamente
As teses criminosamente
Sacrificantes à Nação. Solenemente.
⬇⬆
Crise moral e ética
Refletindo ações e reações
Improbas desde tempos
Sob colonizadores, aventureiros
E até os atuais e insaciáveis corruptos.

AHT
13/06/2017