domingo, 8 de janeiro de 2012

O espetáculo da covardia oportunista


Augusto Nunes


Confrontada com os primeiros estragos decorrentes da estação das chuvas, a oposição oficial poderia ter começado a vocalizar, já no primeiro dia do ano, o que pensa o Brasil que presta de figuras como Dilma Rousseff, Fernando Bezerra Coelho, Sérgio Cabral e outros pais-da-pátria especializados em transformar a mais humilde das garoas num fenômeno climático tão apavorante quanto o pior dos furacões.

Em vez disso, o elenco de poltrões vocacionais mobilizou-se para a imediata reapresentação do espetáculo da covardia oportunista.

Alguns governadores tucanos fazem de conta que a primavera não terminou. Outros seguem adulando os algozes com rapapés de minueto ou declarações de afeto que um Carlos Lupi se recusaria a recitar. Nenhum ousou abrir a boca para murmurar um único e escasso reparo aos campeões da incompetência homicida instalados no coração do poder.

Alguns senadores optaram pelo sumiço pusilânime. Os que não estão foragidos parecem ter esquecido o caminho que leva à tribuna. A imensa maioria dos deputados federais perdeu a voz, que prefeitos e vereadores só utilizam para mendigar restos de verbas que não virão.

Se tivessem coragem, os chefes do PSDB, do DEM e do PPS descobririam em dois minutos que a gestão de Dilma Rousseff é o alvo dos sonhos de qualquer oposicionista que mereça tal nome.

Como lida com gente que faz política de joelhos, o Planalto descobriu há alguns anos que a oposição brasileira é o adversário que todo governo pede a Deus. 

Um comentário:

Brasilino Neto disse...

Falar em oposição no Brasil é o mesmo que achar que um embate com a Mike Tyson em seus aureos tempos me seria favorável. O mais triste é que partidos estruturados, ditos oposição, como o DEM e PSDB, fazem ouvidos moucos às recorrentes tragédias que se repetem ano a ano. Depois reclamamos do PT que em sua época de oposição quando o governo soltava um traque ele repercutia com uma bomba nuclear. Temos que ser, no mínimo, equânimes nos posicionando em ser oposição ou aderimos abertamente ao governo e, ao menos nesta situação, receberemos verbas para minorar os sofrimentos do povo que, pensamos defender (somente pensamos, pois efetivamente não o defendemos)