Augusto Nunes
Confrontada com os primeiros estragos decorrentes da estação das chuvas, a
oposição oficial poderia ter começado a vocalizar, já no primeiro dia do ano, o
que pensa o Brasil que presta de figuras como Dilma Rousseff, Fernando Bezerra
Coelho, Sérgio Cabral e outros pais-da-pátria especializados em transformar a
mais humilde das garoas num fenômeno climático tão apavorante quanto o pior dos
furacões.
Em vez disso, o elenco de poltrões vocacionais mobilizou-se para a imediata
reapresentação do espetáculo da covardia oportunista.
Alguns governadores tucanos fazem de conta que a primavera não terminou.
Outros seguem adulando os algozes com rapapés de minueto ou declarações de afeto
que um Carlos Lupi se recusaria a recitar. Nenhum ousou abrir a boca para
murmurar um único e escasso reparo aos campeões da incompetência homicida
instalados no coração do poder.
Alguns senadores optaram pelo sumiço pusilânime. Os que não estão foragidos
parecem ter esquecido o caminho que leva à tribuna. A imensa maioria dos
deputados federais perdeu a voz, que prefeitos e vereadores só utilizam para
mendigar restos de verbas que não virão.
Se tivessem coragem, os chefes do PSDB, do DEM e do PPS descobririam em dois
minutos que a gestão de Dilma Rousseff é o alvo dos sonhos de qualquer
oposicionista que mereça tal nome.
Como lida com gente que faz política de joelhos, o Planalto descobriu há
alguns anos que a oposição brasileira é o adversário que todo governo pede a
Deus.
Um comentário:
Falar em oposição no Brasil é o mesmo que achar que um embate com a Mike Tyson em seus aureos tempos me seria favorável. O mais triste é que partidos estruturados, ditos oposição, como o DEM e PSDB, fazem ouvidos moucos às recorrentes tragédias que se repetem ano a ano. Depois reclamamos do PT que em sua época de oposição quando o governo soltava um traque ele repercutia com uma bomba nuclear. Temos que ser, no mínimo, equânimes nos posicionando em ser oposição ou aderimos abertamente ao governo e, ao menos nesta situação, receberemos verbas para minorar os sofrimentos do povo que, pensamos defender (somente pensamos, pois efetivamente não o defendemos)
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