segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Cotas raciais: um apartheid contra o branco de baixa renda (Editorial)


O Globo

Universidades públicas paulistas tentam contornar a mais grave das distorções das cotas raciais, que é subordinar à cor da pele a definição do futuro da criança pobre. Se ela nascer “negra, parda ou indígena”, terá facilitado o ingresso no ensino superior público.

Em boa medida, a sua vida dependerá bem menos do esforço próprio do que de contingências de misturas de DNAs. Caso não tenha a sorte de ser “negra, parda ou indígena”, precisará contar com uma improvável fonte de renda para financiar o estudo num estabelecimento escolar privado ou tirar a sorte grande de obter alguma bolsa.

Refratárias, com razão, à aplicação da cota como desejavam os movimentos racialistas, poderosos dentro do governo e no Congresso — mais fortes ainda depois do respaldo recebido no Supremo —, USP, Unicamp e Unesp, entre outras, forçadas por lei, devem começar a adotar cotas este ano, de maneira progressiva.

Porém, de forma a atenuar a desimportância do mérito escolar como critério de seleção de cotistas para o ingresso no ensino superior gratuito.

O método prevê um curso preparatório de dois anos para alunos de escolas públicas selecionados de acordo com as notas do Enem, sobre os quais se aplicam as regras das cotas raciais.

Este curso concederá um diploma de nível universitário, já para facilitar a entrada da pessoa no mercado de trabalho. O diploma também será aceito em concursos públicos. Se o estudante quiser, cursa a universidade — com menos problemas para acompanhar as aulas, espera-se.

Trata-se de uma mistura de “cota racial” e “cota social”, princípio também adotado pela lei federal — provavelmente para desgosto de racialistas mais radicais.

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