A aliança entre Paulo Maluf, do PP, e Fernando Haddad, do PT, na disputa pela prefeitura de São Paulo, ainda poderá render muita dor de cabeça aos petistas. Em meio ao processo eleitoral, que começa oficialmente agora, depois de registradas as chapas, estará sendo julgada uma ação no paraíso fiscal de Jersey. Nela, a prefeitura de São Paulo tenta recuperar US$ 22 milhões que teriam sido desviados por Maluf no último período em que administrou a maior cidade do País (1993-1996).
A origem dos recursos seria o superfaturamento em duas obras que ficaram marcadas na gestão Maluf: o túnel Ayrton Senna e a Avenida Águas Espraiadas, depois rebatizada como Roberto Marinho. De acordo com o Ministério Público, os recursos foram parar em duas empresas administradas por Flávio Maluf: a Durant e a Kildare. Ambas com contas em Jersey, que decidirá pela devolução – ou não – dos recursos. Ao todo, o volume de dinheiro bloqueado no exterior, que pertenceria à família Maluf, soma US$ 175 milhões.
De acordo com o promotor Sílvio Marques, o processo comprova “desvio de recursos públicos na prefeitura”, mas Maluf nega que ele e seus familiares mantenham contas no exterior.
Foram tais acusações que fizeram com que Maluf se tornasse um procurado pela Interpol e fosse preso pela Polícia Federal, em 2005. Seu julgamento, em plena corrida eleitoral, cria um constrangimento adicional para o PT e para o candidato Fernando Haddad. Como explicar que o candidato que representa o “novo” tenha posado para fotos no jardim da família Maluf, ao selar a aliança? Se Maluf é aliado, como fica o processo de repatriação dos recursos desviados?
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