sexta-feira, 27 de julho de 2012

Russomano, ironia do destino?




Enquanto o país se prepara para divertir-se com as Olimpíadas, que já começaram, e o julgamento do mensalão, que começa na semana que vem, as picuinhas da política provincial ganham seu tempero de pimenta de biquinho: não ardem muito, não queimam a língua e nem ajudam muito no sabor.
Mas servem para divertir e fazer passar o tempo.

São Paulo, que é de longe, por tamanho, poder econômico e vocação, o cenário mais importante das eleições municipais de outubro, tem um cenário inusitado: um líder que não sai do lugar, um concorrente oficial que apesar de ungido pelos santos óleos da maior divindade política surgida entre o final do século passado e o começo deste, empacou em um dígito, e um personagem popularizado pela tv e pela defesa do consumidor que corre por fora e ameaça tornar-se um inesperado protagonista dessa disputa.

Celso Russomano é aquele que na TV proclamava que “estando bom para ambas as partes”, os conflitos provocados por divergências entre vendedores e compradores estavam encerrados. E todos iam para casa felizes.

Ele é uma espécie de Procon “avant la lettre” e isso não o tornou nenhum portento político.

Vagou por cinco partidos, entre os quais PFL e PSDB (nunca foi do PT) e foi parar no quase fictício PRB, que foi fundado pelo falecido vice-presidente José de Alencar e que é uma espécie de vitrine política da Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo. Não à toa o bispo senador Marcelo Crivella é seu expoente máximo.

Ele vem subindo lenta e consistentemente nas pesquisas Datafolha e já está com 26%, tecnicamente empatado com o líder José Serra e com uma rejeição de apenas 12% contra 37% do ex-governador.

No começo do ciclo de pesquisas de intenção de votos dedicava-se a ele (inclusive de minha parte, confesso) um meio sorriso entre o escárnio e o desprezo, pois afinal de contas não é o nome dos grandes partidos nem das grandes batalhas. Um coadjuvante. Quem dá bola a coadjuvantes?

Recall por causa dos programas de TV, logo ele volta ao seu lugar, escreveram (ou por pudor só pensaram) os “especialistas” em análise política.

Quem resistiria, afinal, ao infalível criador e animador de postes que transforma em ouro tudo o que toca, e o outro, que carrega nas costas os 44 milhões de votos que os opositores do governo não encontram onde despejar?

Uma eleição que nasceu parecendo carregar em si a fatalidade de transformar-se na mãe de todas as batalhas e o destino de tornar-se a infalível prévia eleitoral de 2014, pode ir parar nas mãos de um palavroso repórter que zela pelo bom funcionamento das geladeiras e dos fogões que o comércio relapso vende a seus desavisados clientes.

Não seria uma impagável ironia do destino?

Por Sandro Vaia

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