
“A gente tem se cumprimentado assim”, dissera aquele André Vargas de um ano atrás. “Foi o símbolo de reação dos nossos companheiros que foram injustamente condenados. O ministro [Barbosa] está na nossa Casa. Ele é um visitante, tem nosso respeito. Mas estamos bastante à vontade para cumprimentar do jeito que a gente achar que deve.''
Nessa época, André Vargas era do PT, ocupava a vice-presidência da Câmara, destacava-se como fervoroso defensor da bancada dos mensaleiros da Papuda e discursava a favor controle da imprensa. Hoje, sem partido, ele é deputado cassado, acaba de virar detento, terá de defender a si próprio e está de ponta-cabeça nas manchetes da imprensa que desejava manietar. O que deu errado? Simples: o PT não aprendeu a lição. E estimulou a desfaçatez de gente como o companheiro Vargas.
Para Lula o mensalão não passou de “uma farsa”. Para Rui Falcão, presidente do PT, o STF rendeu-se a pressão da mídia golpista. Condenados, Dirceu, Genoino, João Paulo e Delúbio viraram “guerreiros do povo brasileiro.” Submetido a essa atmosfera de glorificação do crime, o companheiro André Vargas sentiu-se à vontade para estreitar relaçõe$ com pessoas como o doleiro Alberto Youssef.
Numa troca de mensagens capturada pela Polícia Federal, Youssef soou asfixiado: “Tô no limite. Preciso captar.” O amigo André Vargas respondeu, solícito: “Vou atuar.” Atuou tanto que se tornou merecedor de mimos como o jatinho que Youssef alugou para que o amigo voasse com a família para um passeio em João Pessoa. E prosperou.
O petrolão mostra que muitos outros atuaram. E André Vargas não quis ficar para trás. Diversificou as atividades de sua mão. Fechada, a mão arrematava o punho cerrado que ofendia Joaquim Barbosa e a lógica. Aberta, enfiava-se no bolso dos brasileiros. A julgar pela forma como a corrupção se generalizou, ainda tem muito revolucionário atuando. Assim, quando alguém do teu lado cerrar o punho em defesa do interesse nacional e dos injustiçados, cuidado com a carteira.
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