A Patetocracia foi inventada em 1968 por José Carlos Oliveira, cronista e
romancista (dos bons, aliás) capixaba, figura lendária, boêmia e meio anarquista
do Rio nos anos 70 – aí incluídos o final dos 60 e início dos 80 – morto
precocemente em 1986, vítima de usos e abusos, aos 52 anos. Numa crônica
intitulada “Contra a censura, pela cultura”, publicada no Jornal do
Brasil em 13 de fevereiro de 1968, em que apoiava o protesto de artistas
contra a censura, Carlinhos Oliveira – como era conhecido – forjou o termo,
chamando os censores da ditadura militar de “patetocratas”.
43 anos depois, em plena democracia, num Brasil livre do cancro da censura,
anuncio que a Patetocracia voltou. Não apenas como uma releitura da
bur(r)ocracia, mas como uma forma de governo em si. Constatei o fato ontem de
manhã, lendo os jornais. Ou não seriam típicas de patetocratas, dignos
representantes de uma autêntica Patetocracia, as seguintes declarações colhidas
a esmo no jornal?
1- O ministro Carlos Lupi disse que as acusações não o atingem diretamente e
que só sai do cargo “abatido a bala forte, porque sou pesadão”.
2- Após participar dos Jogos Indígenas, sábado, o ministro do Esporte, Aldo
Rebelo, propôs à FIFA conceder meia-entrada na Copa de 2014 para índios e
beneficiários do Bolsa Família.
3- O ministro da Educação e pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, Fernando
Haddad, declarou à respeito da atuação da PM no campus da USP: “Não se pode
tratar a USP como se fosse a cracolândia.
Nem a cracolândia como se fosse a
USP”.
Saudades, Carlinhos!

Por Tony Bellotto

Um comentário:
Lucida sua interpretação Tony.
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