Com mais de um século de atraso, o inventor do rádio ganhou título póstumo de cidadão paulistano. É o padre Roberto Landell de Moura (1861-1928), gaúcho que morou em São Paulo, de onde transmitiu as primeiras ondas radiofônicas, em 1884.O título foi recebido ontem na Câmara Municipal de São Paulo por Zemo José de Almeida, sobrinho-neto de Landell. Autor do projeto, o vereador Eliseu Gabriel (PSDB) afirma que o padre não foi devidamente reconhecido em vida por seus méritos científicos. "De certo modo, ele foi até desrespeitado. Pediu o apoio do governo na época da invenção e acharam que ele era louco."
O Estado noticiou em primeira mão as transmissões de Landell em 1899 e o jornal The New York Herald, dos Estados Unidos, chamou-o de "o inventor do telefone sem fio" em reportagem de 1902. Mas os créditos de "pai do rádio" ficaram com o físico italiano Guglielmo Marconi, que desenvolveu um telégrafo sem fio nessa mesma época.
"Ele tem a fama de ser inventor do rádio, mas não foi. O aparelho do Marconi transmitia sinais de som. O de Landell transmitia voz humana, o rádio de fato", diz o historiador Hamilton Almeida, autor do livro Padre Landell de Moura: Um Herói sem Glória e um dos criadores do Movimento Landell de Moura (MLM).
Almeida conta ainda que o clérigo não só foi precursor do rádio, mas também das telecomunicações como um todo: foi ele o responsável pelos primeiros protótipos do que viria a ser, um dia, a televisão. "A informação oficial é que a TV foi inventada em 1926, mas ele projetou uma televisão antes, em 1904." O site do MLM (www.mlm.landelldemoura.qsl.br) já recolheu 5 mil assinaturas, que vão fazer parte de um manifesto - eles querem o reconhecimento oficial do padre como cientista criador do rádio.
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