Dia da Independência?!
A data de sábado, 7 de setembro, é ou deveria ser importante para a Nação brasileira, e deveríamos sim ter todas as razões para comemora-la festiva e efusivamente, mas ao que se sabe e se tem ouvido, será muito mais um dia de protestos do que de comemoração.
Lamento, em favor de vocês que me lêem, por ter adotado o tom crítico, quando me disponho a me manifestar sobre a data da Independência, pois a faço contristado como cidadão e como brasileiro, pelo tão pouco que temos a comemorar, onde a maioria dos brasileiros não sabe sequer entoar o Hino da Independência e o 7 de setembro passou a ser somente mais um importante feriado em nosso calendário. Dia de tomar uma cervejinha ou ir para a praia.
Isto porque vimos passar desde os idos de 7 de setembro de 1822, o da proclamação da independência do Brasil de Portugal, 190 anos, 11 meses e 29 dias, que podemos considerar uma data então histórica, porém, presentemente com poucas coisas a comemorar, pois somos libertos, porém, dependentes de um sistema composto por políticos corroídos, corruptos e dissociados dos interesses do Pais, do Povo e da Nação.
Lembro-me aqui que no dia 11 do mês de setembro de 1978, sentado num banco no jardim da Faculdade de Direito de Taubaté, onde cursava o segundo ano, ouvi um comentário de um Amigo de Campos do Jordão, Denis Ribeiro da Silva quanto a uma apresentação que Moacir Franco, que era humorista, fizera em seu programa semanal em um canal de televisão.
Dizia-me ele que se emocionara com o trabalho que Moacir apresentara no dia 7 de setembro daquele ano, pois colocara como música de fundo o Hino da Independência, que tocada o refrão “Brava gente brasileira!/Longe vá... temor servil/Ou ficar a pátria livre/Ou morrer pelo Brasil”, enquanto passavam imagens de pessoas desdentadas, filas e filas em portas de hospitais, idosos abandonados, atropelamentos, confrontos de policiais com a população, ônibus superlotados e outras mazelas que até hoje perduram em nosso país.
Decorreram daquele dia até hoje 34 anos, 11 meses e 29 dias, e tudo continua como naquela época, eu passei de jovem a velho, de casado sem filhos para casado com filhos e neto, de sorridente para carrancudo, e outras modificações estruturais em minha vida, e tudo no Brasil continua a se dar da mesma forma como se dava naquela época, e o que é pior, com a agregação de outras mazelas, que no cotidiano que, sem dúvidas dificultam ainda mais a vida pessoal, social e familiar, especialmente quando sabemos que nós brasileiros perdemos o já pouco apego que tínhamos com os destinos de nossa Pátria.
O texto pode ser à primeira vista tida como acidamente crítica, mas que efetiva e seguramente não o é, pois a intenção que me dotei ao escrever foi despertar em nós a possibilidade de revermos nossos comportamento e sairmos da letargia em nos encontramos, pois outrora quando as comunicações eram precárias, as formações escolares mais dificultosas, ocorreram grandes movimentos em favor do país, grandes manifestações e mudanças dos rumos de nossa Pátria, enquanto que hoje, com muito mais ferramentas às mãos, pouca atenção e cuidado damos às questões fundamentais que aqui ocorrem e assim agindo, mais que descuidar, estamos nos omitindo, o que é grave, e por certo a história um dia nos cobrará, pois com esta inação não somos somente nós os prejudicados, mas sobretudo as gerações vindouras.
Pensemos e saiamos dessa letargia, dessa zona de conforto que estamos, pois ainda é tempo. Ainda dá tempo. Façamos este tempo como nosso, como do Brasil, de nossa Pátria e de nossa Nação.
===================================================
Um destaque: “Um país onde um deputado federal condenado e recolhido à prisão, com pena maior que dez anos, e outro da mesma Câmara, que está na iminência de ser preso, ambos por desvios de valores públicos, pede e por certo obterá uma aposentadoria com valor de R$ 26.000,00 por mês, tem alguma coisa a comemorar neste Dia da Independência?
===================================================
3 comentários:
Brasilino também estou com 67 anos e nunca vi este país estável, sempre idas e vindas, vai melhorar, vai ficar bom, vai dar certo, mas se passou todo este tempo, ou seja, minha vida inteira e nada deu certo. O pior é pensar que nem está dando certo aos nossos filhos e nem dará aos netos e às próximas gerações. Um país que tem tudo para dar certo mas não dá por seus políticos, na grandíssima maioria, serem desonestos, usurpadores e não quererem saber o que se dá com a vida de seu povo.
Brasilino quanta coisa podemos lembrar aqui através deste texto lindo e profundo que você escreveu. No meu caso com relação a Caçapava não tenho muito a comemorar. Saí da minha casa pra levar minha filha Isabele para desfilar pelo SESI 030, minha escola predileta onde aprendi a escrever. Após deixa-la com seu grupo fui em frente ao Fórum ver o desfile. Algum tempo depois vi algumas pessoas simples que pretendiam de um jeito ou de outro mostrar descontentamento com a atual administração. Eu não acreditei, eram 4 pessoas apenas, quando de repente apareceram tanta gente da segurança e ficavam nos olhando de uma maneira que nos intimidou, fiquei frustrado e até preocupado porque eram muitos. Sem contar que até o pessoal da Guarda civil chegou no local. Fiquei muito constrangido pela maneira com que os "seguranças" do prefeito nos encaravam pois eram muito arrogantes e só faltaram de fato dirigir palavras porque seus rostos eram de ódio. Decepcionante ao meu ver, para um sete de setembro em pleno ano de 2013.
Brasa muito boa esta reflexão, sobretudo quando você relembra os idos de 1978.
Postar um comentário