sábado, 8 de maio de 2010

Emissora oficial tenta encobrir o ilegal com o ridículo

Josias de Souza


Tomada pela lei, a campanha presidencial não começou. Comícios e carros de som, a partir de julho. Propaganda no rádio e na TV, só em agosto.

Vista pelo ângulo da ilegalidade, a campanha já começou. Deu-se no instante em que o TSE impôs a Lula as primeiras multas. Até aqui, duas: R$ 5 mil.

Nesta sexta (7), a campanha inaugurou uma terceira fase. Depois de inexistir e de tornar-se ilegal, a sucessão presidencial roçou a dimensão do ridículo.

Como previsto, Lula ‘Cabo Eleitoral’ da Silva levou Dilma ‘Lulodependente’ Rousseff a um ato oficial de governo, em Pernambuco.

Foram “entregar” um navio inacabado. Dilma não discursou. Mas várias das autoridades que foram ao microfone mencionaram o nome dela.

A pajelança naval foi transmitida ao vivo pela NBR, um apêndice da Empresa Brasileira de Comunicação. Quem assistiu testemunhou o burlesco.

Sempre que um dos oradores oficiais mencionava o nome de Dilma, a estatal televisiva cortava-lhe a voz, substituindo-a pela de uma locutora.

A NBR calou Sergio Machado, um apadrinhado que Renan Calheiros plantou na Brapetro, a subsidiária da Petrobras que encomendou o navio.

A emissora tirou também, duas vezes, o som do ministro Sergio Machado (Transportes).

Silenciou-se ainda o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Era dizer “Dilma” e perder a voz. Até Lula entrou na dança .

A alegação oficial é a de que a NBR agiu para evitar o favorecimento eleitoral da candidata de Lula. Lorota.

Reza a lei eleitoral que a restrição aos candidatos na TV e no rádio vale apenas a partir de junho, mês em que as candidaturas se tornarão oficiais.

No julgamento de uma das ações que renderam multa a Lula, o TSE exibiu no plenário uma fita NBR.

Na peça, Lula açulava a platéia de um pa©mício realizado no Rio. Parte da multidão gritou o nome de Dilma.

E Lula disse que esperava que prevalecesse o brocardo segundo o qual a voz do povo é a voz de Deus. Tomou uma multa de R$ 10 mil.

Daí, talvez, os cuidados tomados nesta sexta (7). Dessa vez, Lula associou as menções a Dilma à idéia da continuidade.

"Eu acho que o que nós fizemos no Brasil não pode mudar. Se a gente deixar este país regredir...”

“...Nós sabemos que para fazer é difícil, para derrubar é fácil, vocês viram o que aconteceu com a Grécia agora".

A ilegalidade é a mesma. A novidade é a tentativa canhestra de acobertá-la. Uma epidemia de ridículo se abateu sobre a sucessão presidencial.

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