O ex-presidente Lula, segundo os jornais, teria protagonizado há dias mais um
ineditismo: aconselhado a presidente Dilma Roussef a não comparecer à posse do
novo presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa.
Seria uma retaliação ao comportamento considerado hostil do relator do
mensalão aos petistas. Como Lula não a desmentiu, a notícia, embora
inimaginável, foi tida por verdadeira.
Felizmente, a presidente, ao que parece, não acatará o conselho - e nem pode:
nem o cargo que ocupa, nem o que ocupará o ministro Joaquim Barbosa podem ser
contaminados por idiossincrasias de qualquer espécie, em hipótese alguma.
Acima de ambos, há as instituições que presidem. Dilma chefia um Poder, o
Executivo, e Barbosa outro, o Judiciário, que, segundo a Constituição, além de
independentes, devem ser harmônicos.
Em circunstâncias normais, tal informação jamais seria publicada. Morreria
nas mãos do diretor de redação, por absurda.
Mas, nos tempos que correm, não apenas é verossímil como acaba sendo
publicada com destaque, lida e comentada até com certo tédio. O espanto foi
banido da cena política.
O julgamento do mensalão expõe o desprezo institucional com que Lula e o PT
se comportam diante de um Poder da República. O que já se declarou sobre a mais
alta Corte de Justiça do país, desde o início do julgamento do mensalão, é
inacreditável.
O STF já foi acusado de estar a serviço “de uma elite suja”, e de seus
ministros estarem jogando para a plateia.
Até o televisionamento direto das
sessões, antes considerado um gesto de transparência, foi tido por
antidemocrático.
O PT confunde partido com governo - e governo com Estado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário