
A telefonia, por exigir investimentos bilionários, não é o ramo mais indicado
para aventuras. Com exceções. Há pouco mais de dois anos, a revelação das
atividades paralelas de Erenice Guerra resultou na derradeira crise política do
governo Lula e custou-lhe a poderosa cadeira de chefe da Casa Civil. Do rosário
de ilegalidades que levaram a sua demissão, a mais ousada foi a movimentação
paralela para viabilizar a Unicel, pequena empresa de telecomunicações notória
apenas por receber inúmeros e inexplicáveis favores do governo.
Sem capacidade financeira, sem capacidade técnica conhecida e sem experiência
alguma no ramo, a Unicel conseguiu autorização para operar a telefonia celular
em São Paulo - o maior e mais disputado mercado da América Latina. Em um
ambiente dominado por gigantes multinacionais, seu plano tinha tudo para dar
errado. E deu. A empresa não conseguiu honrar os compromissos, deu calote em
clientes e fornecedores e acumulou uma dívida superior a 150 milhões de reais.
Em Brasília, porém, quem tem amigos no governo pode sempre contar com uma ajuda
nos momentos de desespero. A Unicel tem amigos.
Mesmo falida, ela está a ponto de fechar um grande
negócio.
A empresa será comprada pela Nextel, a multinacional que domina o
mercado de telefonia via rádio e se prepara para iniciar operação também na
telefonia celular. A transação só não foi concretizada ainda porque isso depende
de autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Os números do
negócio são mantidos em segredo, mas no mercado estima-se que as cifras sejam
próximas de 500 milhões de reais.
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