
Depois da tempestade que Jair Bolsonaro provocou na área econômica, virá a cobrança. A desenvoltura com que o presidente assumiu o papel de comentarista econômico aborreceu o ministro Paulo Guedes (Economia). A falta de sintonia deixou inquietos os membros do staff do superministério de Guedes. Parte de sua equipe avalia que o ministro precisa obter de Bolsonaro o compromisso de centralizar na pasta da Economia as manifestações sobre o setor.
Com absoluta identidade de propósitos e forte unidade de ação será difícil aprovar no Congresso reformas como a da Previdência, disse ao blog um auxiliar de Paulo Guedes. Com bateção de cabeças, será impossível, ele acrescentou.
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes têm algo em comum. Ambos costumam entrar em ebulição a baixas temperaturas. A hipotética afinidade que une a dupla enfrenta precocemente o primeiro teste. A que temperatura irão ferver?
Em viagem ao Rio de Janeiro, Guedes cancelou sua agenda nesta sexta-feira (4). Tomou chá de sumiço. Não podendo exibir sua presença de espírito, o ministro optou pela ausência de corpo. Seu silêncio foi preenchido por uma manifestação do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), escalado para jogar água fria na fervura.
Paulo Guedes foi alçado à condição de superministro com duas tarefas básicas: tapar o rombo fiscal e religar as fornalhas da economia. Antes de aceitar o desafio, avisou que o esforço seria grande e penoso. Recebeu carta branca. Deve cobrar a revalidação da carta.
O governo mal começou e a inépcia de Bolsonaro em matéria econômica já deixa no ar uma grande interrogação: quem manda? O capitão governa com a ilusão de que tem um ministro da Economia. E emite sinais de que começa a se incomodar com a sensação de que Paulo Guedes é que o tem nas mãos.
Por Josias de Souza
Nenhum comentário:
Postar um comentário