
O governador da Bahia, Rui Costa (PT), decidiu não comparecer à inauguração do aeroporto Glauber Rocha na cidade de Vitória da Conquista, na Bahia, que acontece nesta terça, dia 23. Fez muito bem: estava indo para uma arapuca.
O governo federal resolveu dobrar o número de convidados para a solenidade de 300 para 600, restringindo a 100 a cota do governo do Estado. Também convidou notórios adversários de Costa para discursar no evento. O quiproquó se dá no ambiente em que o presidente rebatizou a região Nordeste de área "dos paraíbas".
Para deixar claro: o empreendimento custou R$ 106 milhões. Do total, R$ 75 milhões saíram dos cofres federais. O resto veio do governo da Bahia — além da cessão da área.
Quanto dinheiro o governo Bolsonaro mandou para o aeroporto? Zero! A ideia nasceu no governo Lula e começou a sair do papel na gestão Dilma, com aporte significativo de verbas também no governo Temer.
Nos quase sete meses de governo Bolsonaro, os recursos para a conclusão da obra saíram do governo do Estado. Antes de Rui Costa, o dinheiro da esfera estadual foi garantido pelo então governador Jaques Wagner.
Deus do Céu!
Bolsonaro e sua boçalidade reacionária a inaugurar um aeroporto chamado Glauber Rocha? Eu diria que os roteiros de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" e "Terra em Transe" se misturam, numa síntese da nossa miséria moral.
Tenho visto por aí muitas críticas ao comportamento das oposições. Eu as endosso no que diz respeito à falta de uma leitura, vamos dizer, totalizante do quadro político. Hoje, desunidas, elas se limitam a ser meramente reativas aqui e ali.
O caso do aeroporto da Bahia e do tratamento que Bolsonaro dispensa aos "paraíbas" evidencia, no entanto, que não há espaço para a oposição propositiva e para o famoso diálogo em nome dos interesses do país.
É preciso reconhecer: Bolsonaro tem uma concepção totalitária de poder. Ele entende que, no trono, a sua função é aniquilar os adversários e recompensar aqueles que o ajudaram a chegar lá.
Sempre que uma dessas pessoas boas que aparecem por aí a pregar o diálogo se manifesta, é preciso que lhe perguntemos: o poder de turno quer dialogar?
Bolsonaro sequestrou Glauber Rocha. Uma cena que nem Glauber imaginaria em seus mergulhos no surrealismo caboclo.
Ressuscitem o Corisco!
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