Em resposta encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, Jair Bolsonaro apresentou-se como protetor das florestas. Negou que seu governo tenha se omitido no combate ao desmatamento. A pose é boa. Mas um presidente da República não pode exagerar na teatralidade. É preciso que, por trás da pose, exista uma conexão qualquer com a realidade.
Sob Bolsonaro, o governo negligenciou tanto o meio ambiente que acabou conspurcando o ambiente inteiro. A noção de que o crime ambiental avança é confirmada pelos fatos. Notícia veiculada pela Folha informa: de janeiro a novembro, as queimadas consumiram 116.845 km² do território da Amazônia e do Pantanal. Isso corresponde a quase três estados do Rio de Janeiro.
O presidente manifestou-se sobre meio ambiente no âmbito de uma ação movida no Supremo. Nela, o partido Rede Sustentabilidade aponta falhas na proteção ambiental e pede à Corte que imponha ao governo providências concretas para combater o desmatamento. A ação judicial é de agosto do ano passado. Mas só agora a relatora Cármen Lúcia requisitou a manifestação do Planalto.
A resposta foi encaminhada por meio da Advocacia-Geral da União. A pretexto de refutar a acusação de que o governo é omisso, o documento enumera ações deflagradas para enfrentar as queimadas e o desmatamento. Ironicamente, algumas das providências mencionadas confirmam a impressão de que, no setor ambiental, a gestão Bolsonaro é parte do problema.
Mencionou-se, por exemplo, o uso das Forças Armadas no combate às queimadas. Faltou esclarecer que os militares foram mobilizados para suprir a deficiência resultante da desmobilização dos órgãos ambientais. "O Ibama não atrapalha mais", disse o próprio Bolsonaro, há dois meses. "Por isso o Ricardo Salles (ministro do Meio Ambiente) apanha."
O documento citou também a criação do Conselho Nacional da Amazônia Legal e a proibição do uso de fogo no roçado por 120 dias. Comandado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, o conselho surgiu como uma tentativa de reverter —por ora sem sucesso— a imagem antiambiental do governo. Algo que atrapalha os negócios e afugenta investidores. O veto ao fogo veio depois que o fósforo já havia sido riscado.
Além de Bolsonaro, também o ministro Ricardo Salles terá de enviar explicações ao Supremo. Quando a ação foi protocolada, há um ano e quatro meses, ainda não havia a fatídica declaração de Salles na reunião ministerial de 22 de abril. Depois que o ministro afirmou que era preciso aproveitar a comoção do coronavírus para "passar a boiada" sobre os entraves da legislação ambiental, qualquer coisa que ele disser em defesa do meio ambiente soara artificial diante dos fatos.
Por Josias de Souza

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEsquisitices anti democráticas
ResponderExcluirA democracia é esquisita, até permite que seus inimigos ao atentarem contra o Estado Democrático de Direito a usem contra ela mesma. Eleger autoritários e corruptos é um risco à democracia. O Brasil não está livre desses riscos e sofre os nefastos efeitos da corrupção desde inúmeros governos passados, e não há claríssima sinalização de que seja debelada a curto e médio prazos; pois, da mesma maneira que as instituições responsáveis pelo combate à corrupção aprimorem técnicas e providas de recursos, também surgem novas brechas e os modos de operação são prontamente aperfeiçoados pelos corruptos. A corrupção não arreda pé, nem mesmo quando uma pandemia agrava a crise econômica, social e a saúde da população.
DEMOCRACIA ESQUISITA
Descolam rachadinhas dos salários dos assessores;
Empenham-se até por intere$$es desfavoráveis ao país;
Mentem antes das eleições, se reelegem e zombam;
Otimizam o público-privado em favor do privado;
Contratam obras e serviços superfaturados;
Removem competentes e honestos, caso atrapalhem;
Aperfeiçoam leis e esquemas ilícitos, pari passu;
Têm em mente que seus supostos inimigos de hoje
Amanhã aceitarão acordos na base do ganha-ganha.
Esquisitices botam na sopa do caldeirão da corrupção.
Se, a democracia é a única forma de governo a permitir
Que seus cidadãos desenvolvam ao máximo as suas
Ubíquas potencialidades, então a entranhada corrupção
Impiedosamente minimiza o respeito ao Direito à
Saúde e Educação de Qualidade para os cidadãos.
Isso explica o deplorável padrão da Educação e os
Terríveis efeitos da corrupta sopa servida à nação:
Apalermar o povo e a certeza de que não serão punidos.
AHT
28/12/2020