sábado, 21 de novembro de 2020

O Corruptômetro - (Felicio Vitali)

 


O brasileiro é um povo peculiar. Deveria ser estudado, mas não pela NASA, como sugere algumas postagens que vemos pela Internet, e sim por cientistas sociais, antropólogos e até por extraterrestres de planetas planos.

Trata-se de um o povo único no mundo a determinar um valor para definir  a corrupção. O nosso "corruptômetro", por exemplo, é pessoal, variável e transferível. Uma quantia de dinheiro pode significar se uma corrupção, a depender do indivíduo, é imperdoável, mais ou menos ou muito menos.

No caso da primeira dama, nossa nouvelle madame, o corruptômetro não acha que 89 mil reais seja uma quantia digna de considerações.

Há até quem diga, e não são poucos, que este valor comparado aos milhões dos adversários políticos, chega a ser ridículo. Como dizem os americanos trumpistas: "Peanut!!!" Ninharia!!

Nem os 7,5 milhões de reais, tirado da saúde em plena pandemia para o programa social da moça, foi considerado.

Portanto, pula, vira a página que não é merecedor de investigações constrangedoras, carimba o PGR, com a sua cegueira opcional e seletiva.

Porém, 15 mil reais no cofrinho traseiro de um senador, amigo de cama e mesa, como definiu o presidente da república, já é motivo para a rígida "condenação branca".

Aquela que o sujeito cai pra cima: substituição do pai pelo filho. Os negócios da família não são interrompidos, satisfaz a turba, a imprensa esquece e o amigão de cama e mesa agradece. Apesar do mau cheiro, livrou-se de ser atingido pelos respingos.

Já um xampu, um pacote de biscoito ou de manteiga, nas mãos de um pobre, de um negro, sem o devido comprovante do caixa do supermercado, o esperto corruptômetro já manda uma cana brava. É condenação direta e não precisa nem da justiça. Um cabo e dois soldados definem: prisão perpétua.

Oxalá, o periculoso cidadão ainda há de dar graças à deus, porque a turma da arminha ruminante é extremamente rígida contra o crime e tem como lema e epitáfio: "bandido bom é bandido morto". Afinal, pra eles meritocracia é tudo e pobre só é pobre porque quer.

Por Felicio Vitali

Um comentário:

  1. Eleições ... 2016, 2018, 2020, 2022...


    O BRASIL E O DILEMA DO “MENOS PIOR”


    O ufanismo e o nacionalismo em certos momentos do

    Brasil influenciaram e causaram interferências na
    Racionalidade desejável às decisões políticas e
    Administrativas, motivando imediatismos e
    Soluções casuísticas em detrimento de ações
    Institucionais planejadas e controles eficazes,
    Levando o país a sofrer os efeitos da corrupção.

    Enfim, do ufanismo às incertezas, do nacionalismo

    O “espírito de Copa do Mundo” foi o que sobrou.

    De eleição em eleição, eleitores descrentes ou
    Induzidos a votar sem pesar as consequências,
    Ludibriados por vãs promessas, ou optando por
    Escolher candidatos pelo critério “o menos pior”.
    Mas, à cultura do “menos pior”, acrescente-se a
    Ardilosa estratégia para conquistar o Poder:

    Desestabilizar Instituições e sabotar os acertos,
    Otimizando o princípio “quanto pior, melhor”.

    Maléfico? Sim, nua e crua realidade.
    Enquanto o conformismo falar mais alto, a
    Nação escaldada e insegura errará mais uma vez:
    Optar pelo “aparentemente menos pior”, ou
    Será melhor manter os moderados corruptos atuais?

    Pela maior participação dos cidadãos nos partidos e
    Inflexível fiscalização dos atos legislativos e executivos,
    Ocorreria a tão desejável renovação política? Ou,
    Raízes historicamente danosas são inextermináveis?


    AHT
    22/11/2020 (versão revisada)

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