segunda-feira, 21 de março de 2016

GRAVÍSSIMO MOMENTO!


Brasilino Neto
Acompanhando diariamente o momento politico-institucional creio estarmos naquele que posso chamar de “gravíssimo”.

Isto porque o ministro Gilmar Mendes no dia 18 passado concedeu, em uma das dez ações que tem sob seus cuidados, com pedido de impedimento de que Luiz Inácio assuma a chefia do Gabinete Civil, medida liminar tornando isto impossível. 

Na teoria a possibilidade de revisão desta concessão de Gilmar Mendes cabe ao plenário do Supremo Tribunal que, no entanto, ante a proximidade da “Semana Santa”, somente volta a se reunir em 30 de março. 

Nesta demanda a Advocacia Geral da União entrou no sábado com medida buscando pronunciamento do ministro Teori Zavascki para a derrubada da concessão. O ministro Teori não se manifestou sobre a primeira. O governo insiste hoje com novo pedido a ele mesmo direcionado. 

Assim, ante este quadro entendo, no âmbito do estrito conhecimento sobre a organização interna do Supremo Tribunal Federal, que estas investidas podem gerar problema maior do que todos que foram gerados até este momento, pois se tratará de questão institucional. Gravíssima, diga-se. 

Explicando: entendo a ânsia do governo em resolver a questão da assunção ao cargo de Luiz Inácio, quer seja para livrá-lo das imposições pessoais a que possa estar sujeito, ou para ajudá-lo a contornar as questões de reestruturação da base para que possa ter mais governabilidade, e impedir o prosseguimento do impeachment. 

Creio, no entanto, que mesmo ante estas agruras o governo deveria não ter formulado os pedidos ao ministro Teori no sábado e neste domingo. Repito, pois disto pode decorrer gravíssimas consequências institucionais. 

Explico. Digamos, por exemplo, que o ministro Teori acolha o pedido da Advocacia da União e conceda liminar autorizando a posse de Lula, como ficaria a concedida pelo ministro Gilmar Mendes? Qual deveria então ser cumprida se se tratam de juízes singulares? Teria o ministro Zavascki ‘mais autoridade’ do que o ministro Gilmar? Nestas circunstâncias da concessão por este firmada não seria somente o pleno do Tribunal o competente para a revisão? Se Gilmar Mendes não tem competência legal, por que então tem dez ações iguais a ele distribuídas? E se o Teori revê a decisão concedia pelo ministro Gilmar e ele conceder a cada dia outras liminares desfavoráveis ao governo? 

Nós leigos na matéria conseguiríamos entender que um ministro singular possa cassar a ordem concedida por outro? Isto não geraria insegurança e conturbação social-institucional absoluta? 

Os membros do Supremo Tribunal, diga-se Gilmar Mendes e Teori Zavascki teriam serenidade, tão necessárias aos juízes, para conviverem nos limites de suas atuações? 

Assim senhores membros do poder executivo nacional e ministros de nossa Corte maior, cabe reafirmar aquilo que reiteradamente digo, de que toda cautela neste momento ainda é sempre pouca. 

Preservemos nossas instituições, especialmente a Corte constitucional, pois se ela se perder em firulas internas o País e a Nação se perderão com elas. 

(Enviado domingo(20) por Brasilino Neto)

2 comentários:

  1. Dr. Brasilino,

    Parabéns pelo texto e argumentação.

    Ao ler a última frase, "Preservemos nossas instituições, especialmente a Corte constitucional, pois se ela se perder em firulas internas o País e a Nação se perderão com elas.", o meu lado criativo de taiadense pescou a palavra FIRULA e o contexto da atual e grave Crise, que requer toda atenção e ações em defesa das nossas Instituições - e, escrevi esse acróstico:

    FIRULAS DE UM GOVERNO MORIBUNDO


    Firme com uma estaca no brejo, e se diz governo...
    Instituições abaladas, mortadelas e coxinhas torcendo,
    Rumores e ameaças perturbando a Nação.
    Um Lula investigado, um ex-presidente ainda no comando,
    Levado para a Casa Civil: uma criminosa
    Artimanha para livra-lo de eminente prisão.
    Sociedade civil não aceita e manifesta indignação.

    Defensores da corrupção desbragada
    Emitindo declarações mentirosas e apelando para o STF.

    Uma Dilma, presidente-biônica produzida pelo Lula,
    Mentindo desesperadamente para plateias encomendadas.

    Gritaria, cartazes de deputados prós e contras, bate-bocas:
    O Impeachment de Dilma em debate. Heráclito, na Tribuna:
    Vossas Excelências precisam tomar suco de maracujá!
    E dessa vez, Cunha – o réu, levou a cambada a aprovar.
    Renan, também réu da Lava Jato, só aguardando e
    Negociando, sonhando que se livrará do xilindró.
    Os ossos de Rui Barbosa se remexendo no túmulo, de dó...

    Moro, Juiz herói para a maioria e vilão dos pró-corrupção.
    O Ministro Gilmar Mendes, do STF, idem, idem.
    Razão deixada de lado, torcidas tomadas pela emoção e
    Irracionalidade, do jeitinho que os autocráticos querem.
    Brasil só encontrará o Rumo para Reconstruir o Estado,
    Ultrapassando obstáculos e eliminando vícios institucionais
    Nefastos, investindo e buscando Excelência na Educação,
    Desenvolvendo a participação efetiva da Sociedade na
    Observância e obediência ao Estado Democrático de Direito.

    AHT
    21/03/20116

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  2. AHT obrigado pelas referências e parabéns pelo acróstico apresentado, por bem retratar o carrancudo momento em que vivemos, com graça, elegância e sobriedade. abraços.

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